quinta-feira, 23 de outubro de 2008

TGV Porto-Vigo: Dois terminais em Valença

Segundo publica hoje o jornal galego La Voz de Galicia, a localidade raiana de Valença terá dois terminais do TGV, um para passageiros e outro para mercadorias, o que guarda relação com a plataforma logística que irá se desenvolver lá e com os investimentos que muitos empresários da Galiza têm feito na localidade minhota. Só falta o nosso governo pôr mãos à obra e já!, porque os prazos estão para serem cumpridos, embora a data limite de 2013 para o fim das obras pareça duvidosa.

A notícia referenciada, em galego, é como segue:

VALENÇA

Valença terá unha terminal do AVE Vigo-Porto para pasaxeiros e outra de mercancías

Autor: M.Torres
Data de publicación: 13/10/08

Valença contará con non unha senón dous terminais para o AVE en cinco anos.

A confirmación oficial acaba de facerse pública no marco da cerimonia de constitución da Comunidade Intermunicipal do Alto Miño e as reaccións non se fixeron esperar. Especialmente a do rexedor valenciano, José Luis Serra, quen recoñeceu que «non foi un logro fácil».

O alcalde explicou que, nestes momentos, estase realizando o estudo de impacto ambiental para a localización dos terminais, «un específico para mercancías na propia plataforma loxística (na zona da Gándara) e outra no centro do municipio, para os pasaxeiros). Se os calendarios previstos cúmprense, algo sobre o que o propio alcalde expresa as súas dúbidas, no 2013 estará concluído «un proxecto xigantesco que vai transformar o municipio». Serra refírese non só ás potencialidades de ser a única localidade lusa (ademais de Braga) que dispoña dunha parada propia para o tren de alta velocidade entre O Porto e Vigo, senón da conclusión da futura plataforma loxística, que porá o colofón a máis dunha década de consolidación industrial de Valença na que os galegos tiveron moito que ver copando máis do corenta por cento da superficie empresarial que habilitou o goberno local.

Un consorcio privado adquiriu xa a maior parte das preto de 250 hectáreas das que disporá a plataforma. Segundo avanzou o rexedor e economista, «en novembro asinarase o convenio entre este ente e o Goberno do Estado» para executar as obras e, a partir de aí, comezarán os traballos para converter estas macro instalacións nunha realidade. O complexo, que suporá un investimento privado de cen millóns de euros e a creación de varias centenas de postos de traballo «funcionará como interposto aduaneiro, coas súas correspondentes vantaxes fiscais, permitindo a localización de empresas de loxística, tanto de transportes por estrada como de tren ou portuarios».

De novo a linha de comboio Porto-Salamanca?

Segundo o jornal espanhol Tribuna de Salamanca existe um plano de dinamização da região das Arribes, na província de Salamanca, que inclui a recuperação da linha de comboio entre Vega de Terrón e Lumbrales. Lembre-se o facto de Vega de Terrón ficar junto de Barca d'Alva, no Douro, sendo que há lá um embarcadouro para barcos e cruzeiros que fazem o percurso pelo rio. Mas o mais importante é que a Linha do Douro até Barca d'Alva pode, talvez ser reaberta no troço entre o Pocinho e a citada localidade e daí dar serviço às localidades espanholas próximas até Salamanca.

A notícia, em espanhol, é como segue:

PROVINCIA
La Fregeneda


Última actualización 21/10/2008@23:30:42 GMT+1
El Plan de Dinamización Turística de la zona sur de Las Arribes acaba de dar un paso importante con la cesión de Adif a la Diputación de las tres estaciones de la línea férrea de La Fregeneda para su posterior recuperación. Así lo anunció ayer la presidenta de la institución provincial,Isabel Jiménez, que recordó el largo camino seguido para la rehabilitación peatonal de esa zona: “Este proyecto incluye un total de 17 kilómetros de la vía y las estaciones de La Fregeneda, Hinojosa y Lumbrales”, precisó tras mantener una reunión con el director de Patrimonio y Urbanismo de la entidad pública Adif, Antonio Cavado Rivera
E. C.

Durante la próxima semana, La Salina recibirá el convenio definitivo por el cual se cederán las estaciones, y según destacó Jiménez, una vez firmado, la intención es “sacar el pliego de condiciones de la obra y contratarla en el mes de noviembre”. Este proyecto cuenta con un presupuesto inicial de 2,3 millones de euros, que incluye la recuperación de los 17 kilómetros de vía para su uso peatonal, la rehabilitación de las tres antiguas estaciones de esa zona, el centro de recepción de turistas de Vega Terrón y un plan de señalización en todos los municipios. “Es una zona que lo merece, ya que cuenta con un potencial turístico, con la Denominación de Origen Arribes y de empresas de agroalimentación”, subrayó la presidenta de la Diputación.

El plazo de ejecución estimado es de 9 meses, con el objetivo de ofrecer al turista un recorrido “seguro”, de una antigua línea férrea que define Isabel Jiménez de “hermosísima, con un gran número de puentes y túneles seguidos”. Al respecto, recordó que esa zona fue declarada en el año 200 con categoría de monumento de Bien de Interés Cultural (BIC), pero que en la actualidad, los visitantes no tienen los medios suficientes para visitar con seguridad la línea férrea.

Asimismo, la presidenta de la Diputación puntualizó que no olvidan el proyecto inicial que se fijaron hace algunos años para poner en marcha un tren turístico en esa misma zona, “pero con una inversión de 20 millones de euros que está institución no puede asumir en solitario”. La intención de La Salina siempre ha sido la de recuperar la linea entre La Fuente de San Esteban y Barca D’ Alva. “Es uno de los compromisos del Gobierno dentro del Plan del Oeste pero seguimos sin ese proyecto”, reconocía Jiménez.

Además, confirmó que Portugal tiene intención de abrir la línea entre Pociño y Barca D’ Alva, que de llegarse a producir facilitaría la conexión del país luso con Salamanca. “Nosotros siempre vamos a mantener el compromiso, en especial, si alguna administración quiere colaborar en dicho proyecto”, añadió.


Seria bom que isto viesse a se concretizar e não fosse mais do que mais umas belas palavras que ficam em águas de bacalhau. Até porque o interior está a precisar mesmo de investimentos e tudo, por insignificante que seja, e pouco para travar o problema da desertificação populacional que está a pôr em causa o desenvolvimento destas regiões interiores. Esperemos que isto venha a ser uma realidade!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

História: Fronteira luso-espanhola "reconhecida" em cerimónia com 144 anos

Notícia sobre fronteiras da Lusa:

História: Fronteira luso-espanhola "reconhecida" em cerimónia com 144 anos

22 de Outubro de 2008, 18:44

Hinojosa de Duero, Espanha, 22 Out (Lusa) -- Autarcas dos municípios fronteiriços de Freixo, em Portugal e de Vitigudino, em Espanha, repetiram hoje uma cerimónia que se realiza há 144 anos, assinando um documento que reconhece a fronteira entre Espanha e Portugal.

Trata-se da "Assinatura de Las Murgas", um acto simbólico que se subscreve de forma anual e bilateral desde 1864 e que "serve para identificar a fronteira natural marcada pelo rio Douro".

Para José Francisco Bautista, alcaide de Vitigudino, a cerimónia, que se repete desde 1864, pretende também intensificar o relacionamento entre os dois lados da fronteira.

A opinião é partilhada por José Manuel Caldeira, autarca de Freixo, na opinião do qual "o relacionamento entre os povos dos dois lados da fronteira se tem vindo a consolidar", especialmente na promoção de acções conjuntas no sector do turismo.

Já na terça-feira uma cerimónia idêntica tinha sido realizada na autarquia de Figueira de Castelo Rodrigo, com representantes das províncias espanholas de Salamanca e Zamora.

ASP.

Lusa/Fim

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Porreiro, pá!

Aproveitando a proximidade, achei conveniente pôr cá uma nota de humor. Em V.V. de Ficalho, à saída da localidade na direcção de Serpa, encontramos este cartaz denunciando a situação do IP 8, uma estrada que devia ser já auto-estrada e fazer com que Beja tivesse, finalmente, uma ligação por auto-estrada com Lisboa e outras localidades, uma vez que é a única capital de distrito, junto com Bragança e Portalegre que ainda não dispõem de nenhuma auto-estrada que as ligue directamente à rede de auto-estradas portuguesas é, obviamente, à rede europeia.

Não pode ser que tenhamos auto-estradas como a A 8/A 17/A 29 que vão praticamente paralelas à A 1 em alguns lugares para descongestionar o trânsito desta última, e no entanto, existam ainda capitais de distrito sem uma ligação decente com o resto do país. É bem certo que as estradas normais estão bem sobre tudo se quisermos dar um passeio relaxados e para descontrair, mas quando se trata de fazer viagens a sério e facilitar as comunicações, as auto-estradas convertem-se em algo imprescindível. Não é o desenvolvimento pelo desenvolvimento, mas sim favorecer, sem atacar os modos de vida tradicionais, a mobilidade das pessoas.

Mas os políticos nem sempre pensam nas pessoas. Muitas vezes NUNCA pensam nas pessoas. Entretanto, só podemos dizer, visto que não temos muitas possibilidades de sermos ouvidos:

-"Porreiro, pá!"

Foto 1. "Porreiro, pá!"

Sobral da Adiça/Rosal de la Frontera

No Baixo Alentejo, nas zonas mais isoladas da região, encontramos um "posto" fronteiriço que realmente não deixa de ser uma fronteira para trânsito local que existe mais por vontade dos habitantes locais do que pelas autoridades competentes.

Rosal de la Frontera é, como já disse em outro 'post', uma importante aldeia fronteiriça fundamental no trânsito de viaturas em direcção Sevilha e Beja. Mas Sobral da Adiça não deixa de ser uma simpática mas pacata aldeia alentejana onde o tempo parece ter parado há muito.

A aldeia fica num canto da Serra da Adiça. Pertence ao concelho de Moura, sendo que é uma das freguesias do concelho. As localidades vizinhas mais príximas são V. V. de Ficalho, Safara e Santo Aleixo da Restauração, para além da espanhola e andaluza Rosal.

Quase à saída da aldeia, uma estrada alcatroada mas sem qualquer sinalização, leva-nos por uma aprazível viagem desde a qual podemos divisar a planície alentejana e a vizinha Serra da Adiça. Excusado é dizer que o montado alentejano faz parte da paisagem típica da região. Indo por esta estrada serpenteante chegamos a um cruzamento que nos obriga a virar à esquerda e logo a direita. É a fronteira. Mas o viajante segue sem compreender que tem passado o limite fronteiriço até encontrar sinais, centenas de metros mais abaixo, que nos indicam que estamos perante uma estrada local da Andaluzia. É por isso que a tradicional fotografia da fronteira é aqui, uma foto vista ao longe, apartir do ponto em que demos por nós que tínhamos atravessado a Raia.

Sem dúvida uma excursão ideal para quem procura calma e tranquilidade e respirar o ar da natureza em estado puro. A não perder nos meses de Maio e Junho, quando ainda não está tanto calori, mas a temperatura é muito agradável.

Foto 1. Vista de Sobral da Adiça e da serra do mesmo nome.
Foto 2. Vista geral de Sobral da Adiça vindo de Safara.
Foto 3. Montado alentejano e Serra da Adiça.
Foto 4. Limite fronteiriço. A fronteira fica entre a árvore do meio e a da direita onde estão os sinais indicadores.

Mapa. Fronteira de Sobral da Adiça/Rosal de la Frontera. Pode verificar-se o já indicado no texto.


Ver mapa más grande

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Vila Nova de Cerveira/Goián

Até há relativamente pouco tempo o único posto fronteiriço existente entre o Norte de Portugal e a Galiza para estes lados da ribeira do Minho era a fronteira Valença/Tui pela velha ponte Eiffel sobre o Minho. Com a entrada de Portugal e Espanha na União Europeia e os acordos luso-espanhóis, de forma progressiva foi possível atravessar a fronteira com as novas pontes que se foram construindo. A mais recente foi a chamada Ponte da Amizade entre Vila Nova de Cerveira e Goián, no concelho galego de Tominho.

Aberta desde Junho de 2004, esta ponte suporta agora um intensíssimo trânsito transfronteiriço, em ambos os dois sentidos, atraídos, sem dúvida, por diversos motivos, aos quais não são alheios a beleza do vale do Minho e as aldeias e vilas ribeirinhas como Vila Nova de Cerveira. Antigamente o trânsito fazia-se por meio de um ferry-boat que ainda liga ambas as duas localidades tal como ainda se faz entre Caminha e Camposancos (A Guarda).

Esta região é, sem dúvida, uma das mais belas e lindas do Minho, e mostram uma continuidade no espaço que vai além fronteiras: um rio, dois países, mesma paisagem, mesma gente. A fronteira não foi capaz de apagar os contactos entre pessoas, mesmo nas épocas mais difíceis, até porque a língua ajuda(va), vistas as semelhanças entre o galego e a nossa língua portuguesa. O resultado é uma intensa relação comercial e cultural entre ambos os lados do Minho que não pode senão ser incentivada.

Não podemos esquecer o importante papel de Vila Nova de Cerveira como polo cultural com a Escola Superior Gallaecia, que oferece quatro licenciaturas em Arquitectura, Design e Paisagismo, frequentada por estudantes de ambos os lados da fronteira. Ou o festival de cinema galego e português Filminho que decorre nas localidades de Vila Nova de Cerveira e Goián. Ou as feiras, ou o comércio, ou o Aquamuseu do Minho onde se pode ver uma amostra da variedade natural do rio Minho: aquário, pesca, etc. Sem dúvida uma forte razão para deixar-se cair por esses lados e fazer uma visitinha...

Para finalizar, nada melhor que contemplar as seguintes fotografias se deliciar com a beleza da região, mesmo longe da zona.

Foto 1. Vila Nova de Cerveira e rio Minho vistas da Pousada de D. Dinis e ponte da Amizade ao fundo.
Foto 2. Ponte da Amizade e rio Minho (Galiza, esquerda; Portugal, direita).
Foto 3. Pôr do sol no rio Minho (Goián à frente).
Foto 4. Rio Minho e embarcadouro do ferry-boat V.N. Cerveira (esquerda)/Goián (direita). Aldeia de Gondarém ao fundo.
Foto 5. Vista geral de Vila Nova de Cerveira.

sábado, 11 de outubro de 2008

Fortalezas da Raia: Juromenha.

Com este primeiro post pretendo iniciar uma série histórica sobre fortalezas da Raia, já que a fronteira foi muito mais do que simplesmente uma linha ou um traço em uma terra qualquer.

No cimo de um outeiro com vistas ao rio Guadiana, ergue-se sobranceira, a fortaleza de Juromenha, situada na freguesia de Nossa Senhora do Loreto, no concelho de Alandroal. Juromenha é hoje uma pacata aldeia alentejana longe da "civilização", que conta com apenas cerca de 150 habitantes que se espalham pelo espaço extra muros circundante.

A História desta localidade perde-se na noite dos tempos. Há uma lenda que diz que um conde, nos tempos dos Godos, tinha uma irmã muito bela. O conde, cheio de desejos libidinosos, propus à irmã ter relações, coisa à que a tal se negou em rotundo aceder a tais proposições incestuosas. Muito irado, prendeu-a e meteu-a na cadeia para quebrar a vontade dela no que hoje é a actual localidade. A tal irmã tinha o nome de Menha. Quando o conde mandava seus criados ter com ela para ver se tinha mudado de parecer, ela dizia firmemente: "Jura Menha que não". E assim ficou o nome de Juromenha.

É claro que isto é apenas uma lenda, mas o fundo da História pode ser real. É muito provável que a região estivesse dominada por algum aristocrata hispano-romano como propietário dos latifúndios que, como todo o mundo sabe, são uma marca de identidade do Alentejo. Temos notícias de que Juromenha era chamada de Julumaniya sob a dominação muçulmana e que foi alvo de atenção das tropas de D. Afonso Henriques, nosso primeiro rei. Após a conquista de Évora em 1165 com a ajuda de Giraldo Sempavor, as tropas portuguesas ocuparam a vizinha Elvas e Juromenha em 1167. Foi então quando D. Afonso Henriques tentou o cerco de Badajoz em 1170. Prestes a tomar a alcáçova, apareceu nesse momento o rei de Leão, Fernando II, genro do nosso rei, que considerava a cidade, segundo o Tratado de Sahagún de 1158 assinado com o seu irmão Sancho III de Castela como parte do território à que tinha direito uma vez fossem expulsos os muçulmanos almóadas que eram, na altura, os verdadeiros donos da cidade. Isso obrigou nosso rei a fugir, retirando-se da cidade. Foi então quando ao passar pelas portas da cidade a cavalo, feriu-se numa coxa depois de se ter dado contra elas. Foi o seu genro quem chamou os melhores médicos para que curassem o seu sogro. Tal desfecho foi conhecido como Desastre de Badajoz.

Juromenha perdeu-se de novo em 1191 e não foi recuperada até 1241, quando Paio Peres Correia a reconquistou. O rei D. Dinis deu-lhe foral em 1312 e fortificou-a com um castelo assente nos actuais terrenos da fortaleza, rodeado de dezasseis torres rectangulares. Foram celebrados aqui os casamentos de D. Afonso IV com Beatriz de Castela e de Afonso XI de Castela com Dª Maria de Portugal.

A aldeia voltaria a ter muita importância histórica na época da Restauração, quando foi construida a fortaleza para evitar ataques dos espanhóis por Nicolau de Langres apartir de 1646. Depois de uma explosão no paiol da pólvora em 1659, Langres traiu Portugal e passou ao serviço de Espanha, ajudando às tropas espanholas à tomada da fortaleza que tinha construído em 1662, permanecendo na posse dos espanhóis até 1668 com a assinatura do Tratado de Lisboa que reconhecia a nossa independência. Uma nova ocupação espanhola decorreu entre 1801 e 1808 aquando da Guerra das Laranjas. O Tratado de Badajoz de 1801 vai supor a perda de Vila Real de Olivença para o concelho, já que esta aldeia, mesmo ficando no outro lado do Guadiana, fazia parte do concelho de Juromenha e não do de Olivença.

Juromenha entra então num declínio acentuado, sobre tudo depois do concelho ter sido extinto em 1836 e ser anexada como freguesia do concelho de Alandroal. A população abandona a fortaleza e começa a se instalar extra muros ao redor da ermida de Santo António, hoje centro vital da aldeia.

A fortaleza fica abandonada e, aos poucos, entra num processo de degradação que, infelizmente, chega até os nossos dias. Apesar de algumas chamadas de atenção e de alguns projectos que visariam transformar a fortaleza num estabelecimento turístico, nada se concretizou ainda. As fotografias são uma amostra do estado de abandono em que se encontra. No entanto, é indiscutível a beleza do lugar, nas margens do Guadiana, hoje mais crescido por chegar as aguas do Grande Lago formado pela barragem de Alqueva, cuja cauda chega até este lugar.

O conjunto é ideal para um passeio de meia tarde após um almoço, especialmente na primavera ou no outono, para não sofrer nas nossas carnes as rigorosidade do clima alentejano, especialmente nos quentes verões que assolam a região.

Foto 1. Portal de entrada à fortaleza.
Foto 2. Interior da fortaleza.
Foto 3. Vista de uma das 'ruas' da fortaleza. Repare-se no estado de abandono.
Foto 4. Baluartes da fortaleza.
Foto 5. Zona abaluartada e vista parcial da aldeia.
Foto 6. Vista do Guadiana (à norte) com as Terras de Olivença à direita.
Foto 7. Vista do rio Guadiana (cauda da barragem de Alqueva) e Terras de Olivença (à esquerda).

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Mourão (São Leonardo)/Villanueva del Fresno

Para quem vem de Reguengos de Monsaraz, Monsaraz ou Mourão e pretende entrar em Espanha é possível que a sua melhor opção seja a fronteira de São Leonardo. De lá poderá se deslocar até localidades da Extremadura espanhola como Zafra, Mérida ou Badajoz.

Trata-se de uma fronteira secundária, mas muito utilizada para o trânsito local, dado que em Villanueva del Fresno, a 7 km. do limite fronteiriço, achamos as bombas de gasolina para meter lá o carburante no depósito do carro. A paisagem, como mostram as fotografias, seguem uma sequência natural de continuidade entre ambas duas regiões: o Alentejo e a Extremadura espanhola. O montado alentejano tem continuidade na dehesa extremenha, se bem que culturalmente são diferentes.

Outra curiosidade desta fronteira é o facto de constituir um dos primeiros lugares onde o limite fronteiriço é reconhecido. Vejamos. A fronteira luso-espanhola está delimitada pelo Tratado de Lisboa de 1864. Os trabalhos começaram pela foz do Minho mas quando chegaram até ao Caia foram interrompidos a causa do não reconhecimento de Portugal da soberania espanhola sobre Olivença. Um novo tratado, também assinado em Lisboa, em 1927, permitiu a continuidade dos trabalhos a sul das terras em disputa até à foz do Guadiana. Portanto, existem ainda cem marcos fronteiriços sem colocar abrangendo toda a zona em que o rio Guadiana faz fronteira entre Portugal e Espanha de facto, isto é, entre a foz do Caia, quando desagua no Guadiana até à Ribeira de Cuncos, pequeno riacho que fica no fundo do vale que pode ser observado na primeira das fotografias. O território reclamado por Portugal, no entanto, não abrange todo esse troço do Guadiana, mas sim uma pequena parte, correspondente às terras de Olivença, das quais vamos falar mais adiante em outro post.

Outra curiosidade histórica é o facto de ter sido assassinado em Villanueva del Fresno o general Humberto Delgado, desiludido com Salazar. O militar, que procurava reconciliar-se com ele após o fracasso da operação de assalto ao quartel de Beja em 1962, foi alvejado nesta fronteira por um comando da PIDE liderado por Rosa Casaco, quem o matou a tiro a ele e à sua secretária lá mesmo na fronteira, não pudendo assim regressar a Portugal.

A fronteira não oferece qualquer ponto de interesse, para além do facto fronteiriço. A salientar, como curiosidade, que o alcatroado da estrada regional EX-107 chega ate ao ponto onde a sinaléctica indica a entrada em Portugal, mas que fica aquém do marco fronteiriço, 'invadindo' assim uns metros de território português. Como se pode apreciar na segunda fotografia, o marco fronteiriço fica a uns escassos dois metros do indicador de entrada em Espanha, enquanto o alcatroado continua mesmo além desse limite. Mas tanto a antiga alfândega espanhola como portuguesa estão desertas, em estado de abandono, dando uma sensação de desleixo.

Realmente é pena o que acontece aos antiguos edifícios alfandegários. Como são património do Estado, não podem ser utilizados por privados. No entanto, seria bom dar-lhes algum tipo de utilidade. Acho que nas entradas principais poderiam situar-se postos de informação e turismo do país, facto que poderia gerar alguns postos de trabalho, já que é un facto que muitas pessoas quando chegam a um país estrangeiro não têm uma ideia fixa ou nem sequer sabem o que vão visitar nesse país por nao terem comprado um guia. Outros, mesmo com guia, não dispensariam algum tipo de conselho. É claro que isto não poderia ser implementado em todas as fronteiras porque isso ia depender do trânsito de viaturas existente, mas poderia ser, sim, uma solução para alguns edifícios. Outras alfândegas poderiam se constituir nas sedes de centros de cooperação transfronteiriça entre municípios de ambos os lados da fronteira. Essa poderia ser a solução para algumas fronteiras secundárias, já que normalmente as menos transitadas são, em geral, mais modernas e não têm alfândegas. Enfim, trata-se de dar algumas ideias para dar uma melhor imagem para o viajante que quer visitar qualquer país do espaço Schengen, incluíndo o nosso.

Foto 1. Planície nas redondezas na fronteira (parte espanhola).
Foto 2. Fronteira espanhola de Villanueva del Fresno (Extremadura).
Foto 3. Marco fronteiriço.
Foto 4. Fronteira e alfândega portuguesa de Mourão (São Leonardo).

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Aldea del Obispo/Vale da Mula

Vale da Mula é uma aldeia e freguesia do concelho de Almeida, enquanto Aldea del Obispo é um município da província espanhola de Salamanca. Situadas apenas a um quilómetro, quilómetro e meio uma da outra, eram, no entanto, duas aldeias separadas até 1991 pela ribeira de Tourões. Foi nesse ano que, por iniciativa dos vizinhos de ambas as aldeias, decidiram alargar a ponte sobre a ribeira. Uma ponte ilegal que esteve a ponto de ser derrubada pela sua ilegalidade. Felizmente não foi assim e hoje até conta com uma estrada em um estado razoável, alcatroada, e não de terra batida, como era no início.

Para mais esclarecimentos, são úteis os seguintes links do Jornal da Beira que podem ser vistos aqui e aqui.

No meio de ambas as duas aldeias fica o Forte da Conceição ou Fuerte de la Concepción, que se ergue, sobranceiro, sobre um pequeno outeiro donde se podem ser divisadas, um forte que teve as suas origens no século XVII no marco da guerra da Restauração e que foi construído num estilo Vauban no século XVIII para ficar logo abandonado a partir do século XIX até a actualidade, constituindo hoje um testemunho mudo da História, de uma História que não conseguiu, e ainda bem, quebrar as relações entre ambos os lados da fronteira.

Caso se queira visitar, ambas as aldeias fazem parte de um percurso de fortificações pela Raia junto de Ciudad Rodrigo, Almeida e S. Félix dos Galegos, num marco de cooperação transfronteiriço. Vale a pena, até porque a região é muito interessante em termos de património: Castelo Rodrigo, Trancoso, as gravuras rupestres do Vale do Côa e o vizinho Douro, na zona onde começa o Douro vinhateiro, Património Mundial da UNESCO,... Sem dúvida uma boa escolha para um fim-de-semana ou até umas mini-férias longe das zonas mais movimentadas, mas com bons equipamentos em geral, tanto a nível hoteleiro como de pequeno comércio.

Foto 1. Ribeira de Tourões. Parte espanhola à direita.
Foto 2. Fronteira espanhola.
Foto 3. Fronteira portuguesa.
Foto 4. Vista geral de Vale da Mula (c. Almeida, Beira Interior).
Foto 5. Vista geral de Aldea del Obispo (Salamanca).

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Amareleja/Valencia de Mombuey

Da Beira Interior ao Baixo Alentejo. Eis aqui uma fronteira também pouco conhecida que liga Valencia de Mombuey, na província espanhola de Badajoz, à Amareleja, no concelho de Moura.
A fronteira realmente nada tem de especial, a não ser a paisagem típica de montado alentejano. Trata-se de uma dessas fronteiras para trânsito local abertas ao abrigo dos fundos comunitários uma vez que as "fronteiras" têm caído com a integração de Portugal e Espanha no Espaço Schengen.

O positivo é que permite a passagem normal de viaturas e relançar relações que nunca morreram, mas talvez estavam meio dormidas. As fotografias, tomadas no final da primavera, mostram um país quente e árido. Não é por acaso que foi na Amareleja onde se registou a temperatura com o máximo absoluto mais elevado do nosso país, segundo informa o site do Instituto de Meteorologia quando se atingiram os 47,4ºC! o dia 1 de Agosto de 2003, um ano que vai, certamente, passar à História pelas vagas de calor e os incêndios que assolaram o país.

Deve ser por isso também que é lá onde está a ser operativa uma central solar fotovoltaica. Afinal tem de se aproveitar tudo... Mas nem tudo tem de ser mau. Deliciem-se com um gaspacho alentejano ou uns secretos de porco preto em alguns dos restaurantes da região. Vão adorar!

Foto 1. Fronteira espanhola de Valencia del Mombuey.
Foto 2. Lado português da fronteira (sem sinalética :-( )

Foto 3. Vista da planície na fronteira. Terras de Moura e Barrancos.
Foto 4. Vista geral da Amareleja.