sexta-feira, 16 de Julho de 2010

Fortalezas da Raia: Castro Marim

Depois de um mês muito atarefado, não queria deixar de aproveitar a ocasião para me despedir até Setembro com um novo 'post'. Desta vez vou falar de uma fortaleza raiana, neste caso no Algarve: o castelo de Castro Marim.
Castro Marim está situada perto da foz do Guadiana, no meio de uma região de sapal conhecida como «Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António» (daqui em diante VRSA) onde não faltam salinas nem as típicas aves de albufeira. A importância histórica de Castro Marim vem já de tempos antigos, da época das grandes colonizações históricas, como a dos fenícios, seguindo pelas manufacturas de transformação do peixe na época romana. Mas é com a Idade Média e após a «Reconquista» que adquire mais importância enquanto localidade estratégica. Em 1238 no reinado do rei D. Sancho II, Portugal conquista a localidade de Aiamonte, na margem esquerda do Guadiana, não sendo até 1242 que Castro Marim foi tomada aos muçulmanos. Mas essa situação de dominação portuguesa de ambas as duas margens da foz do Guadiana não iria se manter por muito tempo e parece que para a data do Tratado de Alcanices de 1297, Aiamonte teria ficado já na posse de Castela, conformando-se o Guadiana como limite fronteiriço internacional.
Castro Marim entrou assim numa época conturbada na Idade Média, sendo sede da Ordem de Cristo entre 1319 e 1356, ano em que passou a ser sediada em Tomar, o que provocou a sua decadência, para além das contínuas guerras com Castela que em nada favoreciam os assentamentos populacionais. Será na época do rei D. Manuel I que lhe deu novo foral em 1504 e as obras de restauro do castelo, que veio servir como principal praça de guerra do Algarve para combater ainda a pirataria muçulmana (pela proximidade de Marrocos), de forma que terá a sua época de esplendor nesta altura. Com a Guerra da Restauração de 1640, o castelo será restaurado de novo e será acrescido o novo forte de S. Sebastião. No entanto, o terramoto de 1755 teve um grande impacte na vila, que ficou bastante arruinada e o assoreamento dos esteiros terão sido alguns dos argumentos que levaram à construção de VRSA em 1774, que desde bem cedo atingirá um forte desenvolvimento comercial. O declínio de Castro Marim foi constante desde então e só o turismo nas suas freguesias costeiras parece ter travado um bocado essa decadência. Hoje não deixa de ser uma vila pacata com um certo charme e umas muito belas vistas para o Guadiana e os arredores.

P.S. Despeço-me até Setembro não sem antes dar as boas-vindas a dois novos amigos que seguem este blogue: Tita e Rodrigo. Espero que continuem a gostar como todos os restantes amigos! Boas férias para toda a gente!


Foto 1. Entrada ao castelo.
Foto 2. Vista da entrada (interior).
Foto 3. Igreja do castelo.
Foto 4. Vista geral da fortaleza muçulmana.
Foto 5. Fortaleza muçulmana (pormenor).
Foto 6. Igreja de Nossa Senhora dos Mártires.
Foto 7. Vista geral do forte de S. Sebastião e do edifício da Câmara.
Foto 8. Castro Marim (Oeste) vista do castelo.
Foto 9. Vista Norte de Castro Marim.
Foto 10. Vista do sapal e da ponte internacional do Guadiana.
Foto 11. Vista de Castro Marim (Este), do sapal e de Aiamonte (Andaluzia, Espanha) ao fundo.
Foto 12. Vista de Castro Marim com o revelim e ermida de Santo António e Aiamonte (esquerda) e VRSA (direita) ao fundo.




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Mapa 1. Mapa de situação.