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terça-feira, 17 de julho de 2012

Elvas: Património Mundial

Como alguns dos meus leitores sabem, estou a frequentar um curso na Universidade de Coimbra, pelo que não tenho dado muita atenção ao blogue. No entanto, apesar de ser Verão, confio em poder continuar a escrever alguma que outra entrada desde que o tempo e a preguiça me deixem.

Mas antes do que tudo, tenho de falar, mesmo que seja com uma certa demora, de um facto importantíssimo para a cidade onde moro, Elvas. Finalmente o conjunto de muralhas e fortificações abaluartadas desta cidade da Raia foi reconhecido como Património Mundial pela Unesco. Parabéns! Já não era sem tempos!

Elvas merece isto e mais pela sua singularidade histórica enquanto guardiã da fronteira. Muitas batalhas, muitas guerras foram livradas neste cantinho do solo pátrio e hoje, por fim, todas essas infra-estruturas vêem  o seu valor ser reconhecido mundialmente. Espero que isto sirva para uma renovação da cidade, quer no aspecto do turismo que vem visitá~la, quer na oferta turística, quer nas mentalidades das pessoas no sentido de serem mais abertas a inovações e ao dinamismo que costuma trazer uma declaração assim.



 Foto 1. Aqueduto da Amoreira, ex-líbris da cidade.
Foto 2. Elvas vista da planície do Caia.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Panorâmicas da Raia: Paisagens raianas dos concelhos de Campo Maior, Elvas e Vila Viçosa

Depois de passar algum tempo em passeios e até uma escapadela em terras transmontanas e galegas, deixo cá constância de algumas das maravilhas encontradas. Na entrada de hoje pouco vou escrever, porque pretendo que seja mais do que uma dissertação, uma entrada contemplativa, de apreciação de imagens, de paisagens, a cada qual mais bela, com o intuito de oferecer umas vistas panorâmicas para quem não pode deslocar-se ao lugar, já o fez e quer recuperar esse ponto de nostalgia que sempre temos quando associamos uma imagem às nossas vivências ou para quem, após ver estas belas panorâmicas, fique intrigado e decida dar uma voltinha por estes cantos da Raia. Qualquer motivo é bom!

Foto 1. Rio Xévora, águas abaixo da capela de Nossa Senhora da Enxara (c. de Campo Maior), pouco antes de entrar em Espanha.
Foto 2. Seara e montado no concelho de Campo Maior com a Raia atrás da lomba da fotografia.
Foto 3. Campos arraianos com vistas às novas edificações do Cerro Gordo (Badajoz) e o vale do Guadiana.
Foto 4. Paisagem de planície em Campo Maior, com vistas para a Raia de Alburquerque.
Foto 5. Paisagem de planície com vistas para as aldeias de Valdebótoa e Gévora (Badajoz).
Foto 6. Paisagem de planície com vista para o vale do Guadiana e o pico San Serván (a 10 km. de Mérida, na Extremadura espanhola).
Foto 6. Herdade alentejana no concelho de Campo Maior com vista para o pico San Serván.
Foto 7. Seara do Alentejo em primeiro plano, aldeia de Valdebótoa (Badajoz) em segundo e pico San Serván em último.
Foto 8. Campos de lavoura em Campo Maior com vistas para a Serra de S. Mamede e as terras de La Codosera (Badajoz).
 Foto 9. Campos de lavoura no Retiro (c. de Campo Maior), com a Raia no meio deles.
Foto 10. Seara no concelho de Campo Maior com vistas para a Urbanización Caya (vivendas à vista) com a linha de árvores a marcar o limite fronteiriço.
Foto 11. Campos de lavoura com vista para o bairro de Los Colorines (Badajoz) ao fundo. 
Foto 12. Campos de lavoura entre os concelhos de Elvas e Campo Maior, com a Serra da Lor (Olivença) ao fundo.
Foto 13. Campos de lavoura com vista para a linha de fronteira (linha de árvores) com a Urbanización Caya por trás dela.
Foto 14. Do mesmo lugar, vista para um olival, já em terras espanholas, e bairro de Los Colorines e Gurugú (Badajoz), os mais degradados da cidade, na estrada de Campo Maior.
Foto 15. Seara no concelho de Campo Maior com vistas para a urbanização Cerro Gordo (Badajoz)
Foto 16. Vista dos depósitos de água de Badajoz e do bairro de Los Colorines com outra perspectiva.
Foto 17. Vista panorâmica a partir do Castelo de Elvas. Como diz a canção: «Ó Elvas, Ó Elvas, Badajoz à vista». Badajoz é mesmo a cidade que se vê ao fundo.
Foto 18. Varanda dos Namorados em Vila Viçosa: Vista da aldeia de S. Romão (f. de Ciladas, c. de Vila Viçosa), a linha do Guadiana, as Terras de Olivença (com a mancha branca a indicar a central termo-solar que está a ser construída) e Badajoz a Oeste.

domingo, 13 de maio de 2012

Curiosidades históricas: Elvas e a fronteira do Caia em 1942

A partir de um blogue elvense, Cida'Elvas assisti a um interessante vídeo que mostra Elvas e a fronteira do Caia no ano de 1942. Não resisti e fica aqui como lembrança das velhas fronteiras em pleno Estado Novo. O vídeo, de quase doze minutos, fala de Elvas e da fronteira a partir do minuto 9:30 e é recomendado para quem quiser ter uma perspectiva histórica da fronteira. Espero que gostem!


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Curiosidades da Raia: Pedra Alçada (f. de Santiago Maior, c. do Alandroal)

Em 27 de Abril do ano em curso, fui convidado pelos meus amigos Luís e Nice do blogue Raia-Alentejo para uma caminhada organizada pela Junta de Freguesia de Santiago Maior, situada no concelho do Alandroal. Sendo este município um concelho raiano, não me resisti a deixar constância do passeio pelo seu alto interesse do ponto de vista etnográfico, histórico e paisagístico. 

Na realidade tratava-se de uma caminhada de 8 km., mas muito leviana porque quase não houve subidas nem descidas com pendentes fortes. Saindo da sede da Junta de Freguesia, na aldeia das Pias, fomos logo ao encontro do clássico montado alentejano com a sorte de encontrar um dia ensolarado, com uns céus limpos e cores intensas, graças ao facto de a atmosfera estar completamente limpa pelas chuvas que até ao dia anterior tinham caído com certa intensidade. Este Inverno-Primavera alargado deu-nos a oportunidade de usufruir de belas paisagem, verdejantes e cheias de vida, viçosas, com flores como que alcatifando o solo.

A companhia, mais do que agradável, com oportunidade de falar com pessoas com bagagem cultural interessante, fez com que o passeio decorresse sem quase dar por nós. Após as últimas casas da aldeia, a paisagem tradicional do Alentejo estava à nossa espera, com uma floresta densa de azinho e sobreiro no meio de penedos rochosos e ribeiras já secas. E logo após uma pequena descida suave encontrámos a primeira surpresa do passeio: dois fornos para o fabrico do carvão a partir da lenha de azinho ou sobro feitos com tijolo e cobertos com terra, com um agradável cheiro que nos faz recriar o fumeiro aquando da preparação dos enchidos. Sem dúvida uma jóia etnográfica que convém preservar, em tempos em que estas profissões encontram-se à beira da extinção.

Seguindo o passeio, atravessámos campos floridos que nos fazem entrar em comunhão quase espiritual com a natureza, embasbacados com a beleza da planície que fazem da Primavera a melhor estação para ver um Alentejo verde, viçoso, do qual nunca nos cansamos. Só a alegre algazarra do grupo quebra (mas não muito) essa paz melancólica que encontramos nestas paragens. E é assim que chegamos à Pedra Alçada, que recebe esse nome por tratar-se de duas pedras em posição vertical, uma acima da outra, como que alçadas, não sabemos se de forma natural ou pela mão do homem. Apesar das notáveis parecenças com um menir, não podemos dizer ao certo se foi mesmo assim, mas quer fosse uma estrutura natural sem a intervenção humana, quer fosse construída pelo homem, a hipótese de ter sido um lugar de encontro na era megalítica não pode ser posta de parte.

Uma breve pausa reconfortante permitiu-nos desfrutar de um lanchinho consistente numa sandes mista, uma maçã e uma bebida, gentileza da Junta de Freguesia, empreendemos o caminho de volta, passando ao lado de interessantes formações geológicas em granito, com marcas que parecem petróglifos, mas que talvez sejam mesmo naturais, não sem experimentar os efeitos de um pequeno chuvisco que quase não chegou a molhar a terra. Já perto da aldeia, uma bela panorâmica permitia-nos contemplar a imensidade da planície até à Serra d'Ossa, já nos concelhos do Redondo e de Estremoz.

E como não podia ser de outra forma, na sede da Junta esperava-nos um delicioso almoço: saladas, queijinhos da região, enchidos, salada fria de grão e de feijão frade e, finalmente, uma açorda de favas que estava mesmo muito, muito boa, feita por mãos espertas que sabem dar esse ponto característico de quem segue a tradição gastronómica do Alentejo. Com um café na tasca mais próxima, despedi-me dos meus amigos não sem antes prometer que iria participar no encontro seguinte. É de louvar este tipo de iniciativas por parte de freguesias rurais que nos permitem conhecer lugares da região por uma contribuição meramente simbólica, ao tempo que interagimos com outras pessoas que aportam a sua simpatia e a sua bagagem cultural.

Parabéns aos organizadores e à Junta de Santiago Maior!

Foto 1. Paisagem de montado logo no início do passeio com vistas para os concelhos do Redondo e Reguengos.
Foto 2. Fornos de fabrico do carvão vegetal.
Foto 3. Fornos de fabrico do carvão em perspectiva geral.
Foto 4. Campos floridos no montado.
 Foto 5. A beleza da planície.
Foto 6. Penedos rochosos característicos da região.
Foto 7. Pedra Alçada, vista parcial.
 Foto 8. Pedra Alçada, vista geral.
Foto 9. Outra vista de perfil da Pedra Alçada.
Foto 10. Formações rochosas em granito.
Foto 11. Cavalos no meio do montado.
Foto 12. Vista geral da planície, perto da aldeia das Pias, com a Serra d'Ossa ao fundo.


Mapa 1. Mapa de situação.

Mapa 2. Mapa específico.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Fronteiras: Ponte internacional do rio Sever (Beirã (c. de Marvão)/Valência de Alcântara)

Uma fronteira muito interessante pela paisagem envolvente é a ponte internacional do rio Sever, um afluente do Tejo. Aliás, tem a particularidade de ser uma fronteira de uma linha ferroviária correspondente ao chamado «ramal de Cáceres», hoje infelizmente encerrado. O nome do ramal é devido a que da Torre das Vargens contorna Castelo de Vide e Marvão e entra em Espanha dirigindo-se para Valência de Alcântara e Cáceres, a segunda maior cidade da Extremadura espanhola. Daí vai até Madrid.

Esta linha foi construída inicialmente para dar saída aos fosfatos extraídos de uma mina situada perto de Cáceres pelo porto de Lisboa porque o transporte de passageiros fazia-se pelo ramal do Leste, via Elvas e Badajoz e estava prevista a construção de uma ferrovia a partir da linha da Beira Baixa. Como esse projecto foi abandonado, finalmente o ramal, inaugurado finalmente em 1881, serviu também para esse propósito, apesar de não reunir as melhores condições para o tráfego. O seu encerramento foi equacionado o ano passado de 2011 na sequência dos cortes orçamentais que têm vindo afectar várias linhas ferroviárias consideradas deficitárias. É esta linha por onde discorria o famoso Expresso Lusitânia, um expresso nocturno que fazia a ligação Lisboa-Madrid saindo da Estação de Santa Apolónia até à Estação de Chamartín entre 1943 e 1995, que foi substituído pelo Lusitânia Comboio-Hotel. Nunca foi um comboio barato, nem ainda hoje pois só o bilhete em classe turista, isto é sem direito a cama custa 60,50 EUR no bilhete simples e 97,00 EUR no bilhete de ida e volta. Já o preço mais caro vai para os que pretenderem uma viagem de ida e volta em cama «Gran classe»: a «módica» importância de 325,40 EUR, que inclui ainda pequeno-almoço e jantar (com esse preço só faltava que não estivesse incluído!)

A ponte internacional é uma ponte de ferro, com dois pilares, sobre o rio Sever que nesta parte é já um rio fronteiriço até à sua foz ao desaguar no Tejo. Resulta interessante o facto de indicar o marco fronteiriço 673 no meio da ponte e ainda os materiais da ferrovia, alguns deles bastante antigos, como indica uma placa de 1908 escrita ainda antes do Acordo Ortográfico de 1910. A paisagem envolvente é de montado em ambos os lados da fronteira, com herdades isoladas no campo. A azinheira é a árvore rei, se bem encontramos ao longo do rio árvores de ribeira. A região é também rica em antas, mamoas o dólmenes, nomes utilizados para estas amostras de arquitectura megalítica das quais o Alentejo e a Extremadura espanhola apresentam a maior concentração da Europa.

De resto, o local é ideal para dar passeios, especialmente na Primavera, quando brotam as flores, e o tempo é aprazível.

Foto 1. Ramal de Cáceres visto da parte espanhola.
Foto 2. Ponte internacional visto da parte espanhola.
Foto 3. Ponte internacional e sua estrutura vistos da parte portuguesa.
Foto 4. Vista geral da ponte.
Foto 5. Arqueologia industrial: placa de 1908.
Foto 6. Marco fronteiriço no meio da ponte.
Foto 7. Pequena herdade vista da ferrovia do lado português.
Foto 8. Paisagem vista da ponte do lado português. A linha de árvores de ribeira indica a posição do rio Sever e a fronteira.
Foto 9. Rio Sever visto da margem norte da ponte.
Foto 10. Rio Sever visto da margem sul da ponte.
Foto 11. Paisagem de montado visto da ponte para a parte espanhola.
Foto 12. Herdade Tira-calças (Tiracalzas em espanhol) a 3 km. da ponte internacional.
Foto 13. Paisagem de montado vista da parte espanhola com a fronteira e o rio à direita.
Foto 14. Rio Sever visto da herdade Tira-calças. A parte portuguesa fica na margem esquerda.
Foto 15. Rio Sever com a parte portuguesa na outra margem.
Foto 16. Paisagem de montado na parte portuguesa com restos de uma anta vistos do lado espanhol do rio Sever.
 Foto 17. Rio Sever no seu lento percurso para o Tejo.
 Foto 18. Zona ribeirinha e paisagem de montado da parte espanhola (Herdade de Tira-calças).
Foto 18. No meio do rio Sever, com a margem portuguesa à direita.



Mapa 1.

Mapa 2. Mapa específico.