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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Localidades raianas: Vilar de Perdizes

A Leste do concelho de Montalegre, em pleno planalto barrosão, encontramos a aldeia de Vilar de Perdizes. Esta aldeia raiana fica perto da Serra do Larouco, que faz de limite com a Galiza, mas por contraste com a maior parte das aldeias do município barrosão, não faz parte da bacia do Cávado, mas sim do Douro, mais exactamente do Tâmega, sendo que alguns dos seus afluentes nascem nestas terras.

 Do ponto de vista geográfico, limita a Norte e a Leste com a Galiza, com quem está ligada por intermédio da estrada da Xironda (ou Gironda, em português e em galego reintegracionista). A Sul limita com Meixide, também sede de freguesia, e a Oeste com Santo André, que também possui a sua ligação com a Xironda, sendo que é possível fazer um circuito completo entre estas três aldeias. Por estar situada nesta parte do planalto barrosão, a aldeia encontra-se num pequeno declive iniciado mesmo no ponto em que se rompe o planalto para dar lugar depois a encostas nas que discorrem o rio Porto de Rei e o rio Assureira que se juntam já no concelho galego de Oimbra, antes de desaguar no Tâmega.

A aldeia resulta interessante pelas suas características. Com pouco mais de 500 habitantes consegue, no entanto, parecer bem maior pelo facto de na realidade estar formada por três bairros que no seu tempo eram aldeias próximas mas separadas umas das outras, mas agora, como resultado das novas construções, esse facto é muito mais difuso. Esses bairros ainda formam parte da realidade da aldeia pelo que encontramos o bairro de Sameiro à Norte, Cimo da Vila à Sul e Caria no meio, sendo que fazia parte da chamada Honra de Vilar de Perdizes, que contava com mais de 1 000 habitantes no início do século XIX e abrangia esta aldeia e as vizinhas de Santo André e Solveira.

A sua História, no entanto, remonta-se a tempos pré-históricos, já que contamos com restos de gravuras rupestres nas Pegadas da Burrinha da Nossa Senhora e no Penedo de Caparinho e ainda uns lagares rupestres em Santa Marinha. Da época romana são as inscrições do Altar de Penascrita e do Penedo de Rameseiros. Na Idade Média formou parte do Couto de Ervededo, sendo que em tempos, metade da aldeia pertenceu à Galiza e a outra a Portugal, acabando finalmente por passar por inteiro para o domínio português no marco das lutas entre a diocese de Braga e a diocese de Ourense pelo território de Baronceli

O seu carácter arraiano constata-se no casario tradicional e até na igreja matriz, em honra de S. Miguel. A factura da igreja é claramente portuguesa, mas o remate da igreja, em forma de pequena cúpula, remete-nos para o barroco de tipo galaico, que seguia o estilo da fachada barroca da Sé de Santiago, do século XVIII. A casa tradicional, como não podia ser de outra forma, costuma ser construída em pedra de granito, tendo algumas essa influência galaica da que falávamos, como é o caso de pintar os bordes dos blocos de pedra com que estão construídas. Consta ainda de um Paço, esse com um forte carácter português, que tinha várias dependências e até capela própria, o que da conta da importância económica da família proprietária, sendo que o solar foi berço de filhos d'algo, e junto do qual floresceram o Hospital e a Capela de Santa Cruz, destinados a prestar apoio físico e espiritual aos peregrinos de Santiago de Compostela e do Cristo de Ourense que por ali passavam, vindos dos lados de Chaves, Alto Douro, Beiras e Castela.

A aldeia consta de vários cafés e restaurantes e até alojamento de tipo rural, mas, sem dúvida, o que singulariza esta aldeia de outras é a celebração anual do Congresso de Medicina Popular impulsionado pelo padre Fontes e que teve em 2011 a sua 25ª edição, não sendo isento de alguma polémica por tratarem-se nele questões relacionadas não apenas com chás e plantas medicinais, mas também de tópicos que têm a ver com bruxaria, mau-olhado e outras práticas que o mundo científico costuma olhar com muito receio quando não com negatividade.

Seja como for, a aldeia pode ser o ponto de partida para caminhadas e visitas a aldeias vizinhas, quer do Barroso, quer da Galiza não podendo faltar, é claro, um bom almoço com posta de vitela barrosã, de fazer água na boca. E se a visita for no Verão, na estrada para a Xironda existe um pequeno parque de merendas na beira do rio Porto de Rei onde existe um pequeno estanque formado por um açude em que podemos tomar um fresco banho no meio da quentura desses dias tórridos que por vezes açoitam a região. Ou se preferir, converse com algum dos seus habitantes sobre histórias e estórias do contrabando, que tanto marcou a economia da região durante décadas.

 Foto 1. Igreja matriz.
 Foto 2. Lateral da igreja matriz. Veja-se a cúpula de tipo galaico.
 Foto 3. Vista da aldeia entre o Cimo da Vila e Caria. O bairro de Sameiro fica ao fundo.
 Foto 4. Casario tradicional da aldeia, com algumas casas de tipo galaico.
 Foto 5. Outra vista da aldeia.
 Foto 6. Rua do Valado.
 Foto 7. Paço de Vilar de Perdizes.
 Foto 8. Igreja e antigo hospital.
 Foto 9. Rua do Paço.
 Foto 10. Vista da aldeia da Av. Central.
 Foto 11. Av. Central e Travessa do Aluar.
 Foto 12. Ponte sobre o rio Porto de Rei, na estrada para a Xironda.

Foto 12+1 (não vá o Diabo tecê-las!). Parque de merendas e estanque sobre o rio.

Mapa 1. Mapa de situação.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Curiosidades fronteiriças: Vilarelho da Raia

Primeiro de tudo, espero que tenham gostado do novo visual do blogue. Pretende ser mais moderno, com ligações para as redes sociais e esteticamente mais agradável.

Hoje vou falar de curiosidades fronteiriças de Vilarelho da Raia, do concelho de Chaves, na região do Alto Tâmega. Já falei da fronteira entre esta localidade e a vizinha aldeia galega de Rabal e fiz aquela piada das couves galegas em território português e não no galego. No entanto, Vilarelho da Raia apresenta outros pontos fronteiriços menos conhecidos do que o seu ponto de passagem fronteiriço principal.

O primeiro é uma estrada de ligação com a aldeia galega de San Cibrao, no concelho de Oimbra, sendo que a parte galega está alcatroada até a ultima casa, próxima da fronteira, e a portuguesa é um caminho de terra batida. O segundo ponto situa-se à saída da localidade, na estrada de Vilarinho da Raia, onde uma estrada sem qualquer tipo de indicativo liga Vilarelho com Rabal. A única indicação da existência da fronteira é a mudança de piso e a sinalética em galego mesmo no limite fronteiriço.

Se já dissemos que o Alto Tâmega tem sido uma região onde a fronteira não foi entrave para as comunicações locais, em Vilarelho da Raia temos um bom exemplo da sua insignificância pois aparece completamente esbatida e só um visitante atento a pequenos pormenores é que dá pela sua existência.

Mais um motivo, pois, para fazer uma visitinha à região do Alto Tâmega.

Foto 1. San Cibrao: Vista geral e entroncamento com sinalização para Vilarelho da Raia.
Foto 2. Ponto fronteiriço visto do lado galego. A mudança de piso indica o limite fronteiriço.
Foto 3. Vistas para a região do Alto Tâmega do limite fronteiriço. Avista-se ao fundo Feces de Abaixo e a nova auto-estrada A75.
Foto 4. Fronteira portuguesa vista do lado da Galiza e marco fronteiriço. Ao fundo, Vilarelho da Raia.
Foto 5. Vista de Vilarelho da Raia e da aldeiazinha de Penedo do Corgo do limite fronteiriço.
Foto 6. Vilarelho da Raia e região do Alto Tâmega vista do limite fronteiriço.
Foto 7. Fronteira galega vista do lado de Portugal.


Ver Curiosidades fronteiriças: Vilarelho da Raia num mapa maior
Mapa 1. Mapa de situação.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Fronteiras: Mairos/Vilarello

No concelho de Chaves, no vale do Tâmega existe uma série de fronteiras pouco conhecidas que ligam as povoações raianas flavienses às suas vizinhas galegas. Uma destas fronteiras é a existente entre Mairos e Vilarello (ou Vilarelho).

Mairos é uma aldeia raiana que dá nome à serra que delimita a fronteira e onde hoje encontramos um parque eólico. É a típica aldeia transmontana, do vale do Tâmega, onde se misturam os traços do casario tradicional com as novas construções dos emigrantes que foram para a França. Vilarello, situado no concelho galego de Vilardevós, apresenta uma situação mais ou menos parecida, embora a emigração galega nesta região tenha sido mais para a Suíça ou a Alemanha. Ambas as duas aldeias compartilham alguns traços comuns como é a forma de cultivo da terra, baseada no centeio e a policultura de batata, couve (nomeadamente a couve galega e couve grelo) e outras hortaliças.

A ligação faz-se por uma estrada que, partindo de Vilarello, inicia uma subida constante, com alguma perigosa, até chegar ao ponto fronteiriço onde a estrada é já plana e depois desce suavemente para um largo planalto onde está situada a aldeia de Mairos e outras vizinhas, antes de iniciar a sua descida, em encostas, para o vale do Tâmega.

O destaque, neste caso, vai para as questões etnográficas e do património, que sempre resultam interessantes nestes casos, para além das belas paisagens que oferecem estes lugares. Sem dúvida, um lugar onde poder perder-se, calmamente, sem renunciar, no entanto, à «civilização» que encontramos nas cidades de Chaves ou Verín.

Foto. 1 Limite fronteiriço conforme visto na mudança de piso.
Foto 2. Lado português da fronteira visto da Galiza.
Foto 3. Lado galego da fronteira visto do lado de Portugal.
Foto 4. Parque eólico na serra de Mairos.
Foto 5. Vale do Tâmega visto do limite fronteiriço
Foto 6. Vista geral de Mairos e do planalto.
Foto 7. Mairos vista da igreja matriz.
Foto 8. Igreja matriz de Mairos.
Foto 9. Vale do Tâmega visto da descida para Vilarello.
Foto 10. Vista geral de Vilarello.
Foto 11. Outra vista de Vilarello e os seus campos de lavoura.


Ver Fronteira Mairos/Vilarello num mapa maior
Mapa 1. Mapa de situação.

P.S. Dou as boas-vindas aos novos seguidores do blogue, Reis Quarteu, Miguel Elói e João. Espero que este blogue continue a oferecer aquilo que os motivou a segui-lo.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Fronteiras: Vilar de Perdizes/A Xironda

Na região do Alto Tâmega e na parte mais oriental do concelho de Montalegre estende-se uma das freguesias mais orientais do Barroso: Vilar de Perdizes. Trata-se de uma área de transição porque o território fica entre as últimas encostas da Serra do Larouco, reduzida cá a suaves lombas, e o vale do Tâmega na sua parte galega. A Leste ficam as aldeias de Soutelinho da Raia, um dos «povos promíscuos» de que já falamos, e as aldeia galega de Videferre; a Sul a aldeia de Meixide, a Norte, a aldeia da Gironda (ou A Xironda, em galego), já na Galiza e a Oeste a aldeia de Santo André, que também tem a sua ligação fronteiriça com a aldeia galega já mencionada.

Vilar de Perdizes fica em uma lomba que rompe a monotonia do planalto que se estende por esta região antes de cair sobre o vale do rio Assureira, afluente do Tâmega, em cujas ribeiras encontra-se uma área de lazer e de banho na estrada da Gironda. Para além do interesse etnográfico da aldeia, como todas as da região barrosã e do Alto Tâmega em geral, Vilar de Perdizes tem um certo renome pelos Congressos de Medicina Popular que têm lugar todos os Verões (Agosto-Setembro) onde se mistura o conhecimento dos chás, plantas medicinais e as suas propriedades curativas com questões de bruxaria, astrologia e medicina popular relacionada com estas terapias tradicionais onde o Além misturava-se (e ainda se mistura) com a medicina tradicional. Quem gostar destes temas tem mais um pretexto para visitar a região, com certeza. Casas em pedra e um linguarejar raiano absolutamente delicioso onde o sotaque tem a característica de ter toques galegos complementam a visão geral que tirámos da aldeia e da qual é possível saber mais em um blogue local que pode ser consultado aqui.

Relativamente à fronteira, apenas existe uma estrada local de ligação entre as duas aldeias, Vilar e Gironda onde a fronteira simplesmente não existe. De facto foi-me muito difícil intuir onde é que ficava mesmo a fronteira apesar de ter procurado algum marco fronteiriço, inclusive invadindo terrenos adjacentes. Só sei que fica algures entre um sinal de área de caça em português e um sinal em galego que distam não mais de vinte metros um do outro. A vegetação e densa, com tojos, giestas e outras plantas do mato que dificultam tal identificação. Senti-me em terra de ninguém: Estava em Portugal ou na Galiza? Na Galiza ou em Portugal? Julguem vocês!

Foto 1. Fronteira portuguesa vista da parte galega. As riscas indicam a possível linha de fronteira.
Foto 2. Fotografia da fronteira, já sem riscas, da parte galega.
Foto 3. Estamos em terra portuguesa. Possível linha da fronteira para além do sinal em português da esquerda.
Foto 4. Em terra portuguesa com a fronteira algures no caminho.
Foto 5. Vale do rio Assureira visto da fronteira e vistas do vale do Tâmega (parte galega) ao fundo.
Foto 6. Caminho de Vilar de Perdizes.
Foto 7. Vilar de Perdizes visto onde se rompe o planalto.
Foto 8. Vista geral de Vilar de Perdizes.



Ver Fronteira Vilar de Perdizes/Gironda num mapa maior

Mapa 1. Mapa de situação.


Ver Fronteira da Gironda num mapa maior

Mapa 2. Zona da fronteira.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Fronteiras: Cambedo da Raia

Na região do Alto Tâmega, na freguesia de Vilarelho da Raia, concelho de Chaves, encontramos entre montanhas, a pequena aldeia de Cambedo da Raia. A aldeia não seria mais do que uma típica aldeia transmontana se não fosse pela sua situação fronteiriça e pelas circunstâncias históricas que a rodeiam.

Cambedo é, como foi dito, um dos chamados «povos promíscuos» juntamente com Lamadarcos e Soutelinho da Raia. Ao contrário das outras duas aldeias, no Cambedo havia uma predominância dos fogos espanhóis relativamente aos portugueses pelo que no início, quando começaram os trabalhos da comissão para a delimitação da fronteira segundo o Tratado de Limites de 1864, a ideia que se estava a equacionar era a da anexação da aldeia a Espanha, sendo que as outras duas passariam a mãos portuguesas pro indiviso. No entanto, como surgiu a questão do chamado Couto Misto, do qual teremos oportunidade de falar mais logo, a solução foi a passagem das três aldeias a Portugal em troca do Couto Misto, que passou para Espanha, a integrar na província galega de Ourense. Daí, em 1868 a aldeia passou a ser portuguesa, se bem os contactos de um e do outro lado da fronteira continuaram como foram desde havia séculos.

Outro episódio histórico muito desconhecido pela maior parte dos portugueses e também pela maioria dos espanhóis são os acontecimentos de 1946 relacionados com os movimentos guerrilheiros do maquis. Os maquis, para quem não saibam, eram guerrilheiros anti-fascistas que lutavam contra o regime de Franco após a Guerra de Espanha depois de 1939. Eram conhecidos pelas suas ideias de esquerda e havia entre eles socialistas, comunistas e anarquistas. O seu início situa-se na guerrilha da Resistência francesa contra o invasor nazi na Segunda Guerra Mundial e parte deles tentarão entrar em Espanha pelos Pirenéus. Outros eram simplesmente pessoas de esquerda que decidiram fugir e esconder-se nas montanhas. Na Galiza recebiam o nome de fuxidos.

Na verdade, finalizada a guerra, a Raia seca era um óptimo lugar para se esconder: havia muitas famílias de um e do outro lado, estavam aqueles que iam fazer compras e, é claro, os contrabandistas. Isto apesar da Cortina de Cortiça (semelhante à Cortina de Ferro, mas ibérica) entre os regimes salazarista e franquista que impunha um controlo férreo das fronteiras. De forma muito breve a história (ou estória) é a seguinte: três guerrilheiros galegos tinham se refugiado nas casas de algumas famílias da aldeia fugindo de um fuzilamento certo nas vizinhas aldeias galegas do concelho de Oimbra em Dezembro de 1946. A PIDE teria surpreendido um deles que tentou fugir com um dos filhos da família onde tinha ficado para a fronteira sendo que, como a Guardia Civil estava lá, tentou voltar fugir por outro caminho e depois foi baleado e morto pela Guarda Nacional Republicana perto da aldeia e exposto seu cadáver em Chaves. Dois dois que restavam, de um diz-se ter-se suicidado com a última bala depois de terem matado dois elementos da guarda republicana e foi exposto também em Chaves. O outro alegadamente teria ficado sem balas pelo que foi levado pelas autoridades militares para a cadeia e depois foi duramente julgado em tribunal pelo Tribunal Militar Territorial do Porto em 1947 e foi condenado à dezanove anos de prisão na temível prisão do Tarrafal, no Cabo Verde onde teria ficado até 1965, exilando-se depois para França, onde morreu sem voltar nunca para Espanha. Mas a aldeia também foi alvo da repressão em 21 de Dezembro, cercada pela Guarda Nacional Republicana, o Exército e a Guardia Civil espanhola e foi bombardeada ao ser atacada com morteiros com mortos e feridos, casas em ruínas e parte da população presa pela PIDE.

Obviamente o acontecimento foi silenciado e somente a acção de historiadores actuais têm vindo a dar a conhecer estes factos que tinham ficado reduzidos ao âmbito familiar e que constituem um exemplo da barbárie das ditaduras que nunca mais deveríamos permitir. Resulta inexplicável ainda que existam pessoas que justifiquem ditaduras como estas em nome de uma falsa prosperidade económica ou de factores ideológicos e de segurança frente a outros regimes políticos legais e democráticos. Mas se o Hitler foi capaz de encandear as massas, não admira que este tipo de regimes tenham os seus defensores, infelizmente. Ainda existe hoje uma placa comemorativa, em galego, intitulada «En lembranza do voso sofrimento».

Quanto à Raia, a linha de demarcação fronteiriça foi a que mais recuou em favor de Portugal ficando pelos cumes das montanhas com dois caminhos de terra batida que ligam o Cambedo com as aldeias galegas de Casas do Monte e San Cibrao de Oimbra. O caminho que vai para esta última aldeia oferece-nos belas vistas do vale do Alto Tâmega galego vendo-se inclusive até à vila de Verín, uma das duas partes da eurocidade Chaves-Verín. A região é óptima para dar longos passeios no Verão, de preferência depois das horas mais quentes, e de conversa com os vizinhos destas aldeias raianas.

Foto 1. Vista geral de Cambedo da Raia do caminho que vai para San Cibrao de Oimbra.
Foto 2. Marco fronteiriço no cume da serra, acima de um penedo.
Foto 3. Caminho fronteiriço (o limite vai pela parte direita do caminho, sendo que o caminho pertence a Portugal.
Foto 4. Marco fronteiriço ao lado do caminho, perto do cume.
Foto 5. Outro marco fronteiriço com vistas para as terras galegas.
Foto 6. Marco fronteiriço que fica mesmo à beira do caminho.
Foto 7. Vista do vale do Alto Tâmega galego com Verín ao fundo antes do caminho ser inteiramente galego.
Foto 8. Vista do vale do Tâmega entre Feces de Abaixo, Lamadarcos, Rabal e Vilarelho da Raia. Vêem-se as obras da auto-estrada que vai ligar a auto-estrada A24 com a A-52 espanhola ou Auto-estrada das Rias Baixas.


Ver Fronteiras: Cambedo da Raia num mapa maior

Mapa 1. Mapa de situação de Cambedo da Raia e dos limites fronteiriços.

P.S. Quem quiser ampliar conhecimentos sobre os terríveis acontecimentos de 1946 em Cambedo da Raia pode seguir a história completa, dia por dia, na Internet no blogue no blogue de Fernando Ribeiro sobre a questão. Conta ainda com um blogue fotográfico sobre o concelho de Chaves que é do bom e do melhor! Existe ainda uma monografia sobre a questão: AA.VV., O Cambedo da Raia. 1946, Solidariedade galego-portuguesa silenciada, Asociación Amigos da República, Ourense, 2004.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

«Povos promíscuos»: Soutelinho da Raia

Num extremo do concelho de Chaves, no meio de uma pequena planície, situa-se a freguesia e aldeia de Soutelinho da Raia. Nada teria de particular a não ser por dois motivos (embora se me ocorram mais alguns): 1-É uma aldeia raiana, e 2-Trata-se de um dos chamados «povos promíscuos».

Como foi referido no caso de Lamadarcos, Soutelinho da Raia faz parte junto com esta aldeia e mais a de Cambedo, do conjunto de aldeias chamadas de «povos promíscuos» pelo Tratado de Limites de Lisboa de 1864, tratado que veio a corrigir uma situação de indefinição de fronteiras nesta região do Alto Tâmega. Tratava-se de três aldeias onde a fronteira ia pelo meio delas, dando lugar a uma confusão administrativa que foi aproveitada pelos seus habitantes para fugir a certas obrigações (impostos, tropa,...). Com este tratado de limites, a totalidade das mesmas passou a formar parte de Portugal, pelo que a fronteira avançou nesse sentido de modo a ficarem abrangidas pelo território português.

No caso de Soutelinho da Raia, a fronteira ficou estabelecida praticamente à saída da aldeia, sendo, das três, a que tem a fronteira mais perto, como mostram as fotografias que seguem. Talvez por ficar longe do pólo económico do Alto Tâmega que é Chaves, Soutelinho da Raia soube manter melhor a sua herança, quer em património histórico, quer em património etnográfico, de forma que é uma aldeia que teve poucas alterações relativamente à vida moderna como outras aldeias da região onde há um contraste muito forte entre as casas dos emigrantes, nomeadamente na França, e as casas dos que ficaram, muitas vezes deturpadas por modernices que não condizem com o aspecto rústico da casa, enquanto outras casas foram deixadas, infelizmente, ao abandono e degradação. É por isso que visitar hoje Soutelinho é voltar às essências de antigamente, às essências de um mundo já esquecido que nunca voltará.

A aldeia fica estrategicamente situada a meio caminho entre Chaves e Montalegre, sendo que resulta uma alternativa à EN 103, que atravessa zonas mais montanhosas, no trânsito entre o planalto do Barroso e o vale do Tâmega. Existe ainda um acesso à aldeia galega de Videferre, no concelho de Oimbra, com ligações também para Verín, na província de Ourense, cabeceira do Alto Tâmega galego.

A força da tradição é bem patente na aldeia e uma amostra disso, para quem desejar ter mais informações, é o blogue de um natural de lá, que pode ser consultado aqui. Sem dúvida, uma região a descobrir, quer pelos seus encantos naturais, quer pela sua riqueza etnográfica.

Foto 1. Aldeia de Soutelinho da Raia vista da estrada entre Meixide e Vilar de Perdizes com as serras galegas vizinhas ao fundo.
Foto 2. Fronteira de Soutelinho da Raia. A mudança de piso indica o limite fronteiriço. À direita, o Posto Fiscal, quando ainda existiam as alfândegas.
Foto 3. Marco fronteiriço na estrada a Videferre, junto do Quartel da Guarda Fiscal. A lenha não se importa muito de que lado da fronteira se encontra...
Foto 4. Limite fronteiriço ao outro lado do Posto Fiscal.
Foto 5. Rua do Quartel vista da fronteira.
Foto 6. Fronteira galega vista do Posto Fiscal.
Foto 7. Marco fronteiriço visto da Rua da Fonte Fria. Divide um único campo de lavoura.
Foto 8. Rua Direita, rua principal da aldeia, com a clássica calçada portuguesa.
Foto 9. Largo do Cruzeiro.
Foto 10. Rua do Rego e vista da Igreja Matriz.
Foto 11. Igreja Matriz de Soutelinho da Raia.
Foto 12. Capela do Senhor dos Desamparados e casas de pedra de Soutelinho.
Foto 13. Vista geral do planalto e da Serra do Larouco, nos arredores de Soutelinho, já em terras galegas.
Foto 14. Caminho de Videferre, já na Galiza.


Ver Soutelinho da Raia num mapa maior
Mapa 1. Soutelinho da Raia com indicação do limite fronteiriço.