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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fronteiras: Elvas-Caia/Badajoz

Como começa a ser tradição, ou ao menos é o que parece, inicio este 'post' dando as boas-vindas aos novos amigos que me seguem pela Net. É a vez do Hotel Castrum Villae, um hotel de Castro Laboreiro que recomendo sem hesitar e um blogueiro da vizinha Extremadura espanhola, o Víctor Manuel, que tem um blogue absolutamente espantoso, com fotografias belíssimas da floresta e da fauna desta região tão abrangente como desconhecida e com a que o nosso querido Alentejo compartilha tantas coisas...

A fronteira de hoje é uma fronteira muito transitada (a terceira do país), entre Elvas e Badajoz. A divisão fronteiriça decorre pelo rio Caia, um afluente do Guadiana, pelo que é muito apropriado falar em fronteira do Caia (ou Caya, em espanhol). Esta fronteira apresenta duas passagens: a estrada antiga, que serve hoje para trânsito local, e a auto-estrada A6/A5, que faz uma curva um bocado esquisita, num intento de unir ambas as duas auto-estradas, a portuguesa e a espanhola.

A particularidade desta fronteira é o facto de ser o limite da cidade de Badajoz, que chega até ao mesmo rio, onde estão situados os prédios onde vivem os funcionários da Guardia Civil espanhola, para além da antiga alfândega. Lá perto fica também o parque aquático Lusibéria e o IFEBA, o pavilhão de feiras de Badajoz. Do lado de Portugal restam apenas uma área de serviço, que fica normalmente às moscas, pela diferença no preço dos carburantes, alguns cafés e a alfândega, se bem que muitas das habitações que lá existem infelizmente se encontram em mau estado. De lá até Elvas são apenas 6 km. até às Sochinhas, primeira zona habitada, antes de enveredar para a cidade e os fortes pela zonas industriais e comerciais que ficam ao lado, além dos restaurantes e alguma instalação hoteleira.

Trata-se de uma zona a requalificar, visto que vai concentrar, tanto no Caia português como no espanhol, a futura estação internacional do TGV Elvas-Badajoz da linha de alta velocidade Lisboa-Madrid, sendo que a estação de mercadorias vai ficar no lado português e a estação de passageiros no lado espanhol, mas com estrutura transfronteiriça, não excluindo a possibilidade de que parte da estação fique mesmo acima do rio Caia, para simbolizar essa abertura das fronteiras. Não podemos esquecer que isto vai ser realizado conjuntamente com a plataforma logística do Caia, também transfronteiriça, de 300 hectares no lado espanhol e 200 no lado português.

Esperemos que estes investimentos venham a modificar a pobre imagem que os nossos visitantes recebem assim que chegam a Portugal, com uma zona totalmente sem ser aproveitada e que poderia atrair novas infraestruturas, como a construção de habitações, espaços comerciais, etc. a beneficiar da proximidade de Badajoz, e a facilitar a expansão da cidade, mesmo em território português. Não devemos esquecer que já vivem muitos espanhóis entre nós e que os restaurantes e as lojas ficam cheios cada vez que há um feriado ou 'ponte' e a gostar da nossa gastronomia à boa maneira portuguesa. É claro que, com a crise, não há razão para muita esperança, mas vamos pensar pela positiva, e confiar em que estes investimentos contribuam para o desenvolvimento da região, uma região que não conhece fronteiras.

Para além de ser uma das fronteiras mais importantes de Portugal, esta é a última fronteira antes do rio Caia desaguar no Guadiana. Temos de lembrar que a foz do Caia é hoje o último ponto reconhecido pelo Tratado de Limites de 1864 e que não teve continuação no Tratado de Limites de 1927, que fixou as fronteiras entre a foz do Guadiana e a Ribeira de Cuncos. Entre o Caia e a Ribeira de Cuncos faltam por fixar cem marcos fronteiriços, mas duvido que isso venha acontecer alguma vez, já que Portugal não reconhece a soberania espanhola sobre Olivença, território que controla de facto desde 1801. Mas como este blogue não quer entrar em política, fica por aqui, limitando-se apenas a contar factos históricos.


Foto 1. Ponte sobre o Caia com indicação do limite fronteiriço e vista do rio Caia.
Foto 2. Pontes sobre o Caia (velha e nova) com indicação do limite fronteiriço.
Foto 3. Pontes sobre o Caia com vistas para o lado de Portugal.
Foto 4. Pontes sobre o Caia com vistas para o lado de Espanha.
Foto 5. Ponte José Saramago (auto-estrada) visto do lado de Espanha.
Foto 6. Posto fiscal do Caia (alfândega portuguesa) e auto-estrada A6 (Marateca-Caia).
Foto 7. Auto-estrada A6 em direcção a Elvas e Lisboa.
Foto 8. Antiga alfândega espanhola de Badajoz.
Foto 9. Auto-estrada espanhola A5 e instalações alfandegárias de Badajoz.
Foto 10. Cidade de Elvas vista do Caia espanhol.


Ver Fronteira Elvas-Caia num mapa maior
Mapa 1. Mapa de situação.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Fronteiras: Retiro (Campo Maior)/Badajoz

Situada perto da cidade de Badajoz, a fronteira do Retiro é uma das mais frequentadas do Alentejo, para além da fronteira do Caia. O acesso desde Espanha pode-se fazer desde a própria cidade de Badajoz, designadamente a zona industrial «El Nevero» e o bairro de «Los Colorines», conhecido bairro degradado que apresenta multiplicidade de cores nos prédios que o conformam. Para quem usa a auto-estrada A 5, pode apanhar a saída 403 e virar à direita pela BA 020. Desde Campo Maior é possível fazê-lo desde a N 371, muito degradada neste troço e que aguarda uma completa renovação que, pelos vistos, parece que está a caminho.

A fronteira está formada pelas alfândegas portuguesa e espanhola, ambas as duas, em estado de absoluta degradação, para além das casas que formavam o Posto Fiscal do Retiro, também abandonadas. O trânsito é muito intenso na zona, já que em 2004 a intensidade média diária ultrapassava com muito as 2 000 viaturas, número que, com certeza, terá aumentado significativamente estes anos, uma vez que se verifica uma intensificação das relações transfronteiriças. É de salientar ainda o facto de existir, nas proximidades, uma das fábricas da conhecida marca de café Delta, para além da que fica na Herdade das Argamassas, já na estrada que vai para Arronches e Portalegre.

Não queremos deixar de aproveitar a ocasião para protestar por uma situação que consideramos não é admissível como é o facto de o troço português ainda não ter sido arranjado. Embora não acreditemos que estas palavras sejam lidas pelos responsáveis aos que compete a titularidade desta estrada, é vergonhoso que não exista uma circular a Campo Maior e que os camiões tenham de continuar o seu percurso até Elvas para irem a Espanha só porque o trânsito está interdito nesta estrada pelo seu pavimento degradado, o que significa fazer mais 14 km. de forma absolutamente desnecessária.

O valor desta fronteira é, sobretudo, paisagístico. Há uma bela vista da planície do triângulo formado pelas localidades de Elvas, Badajoz e Campo Maior, uma planície de searas, girassóis, oliveira, pomares, e canais de rega e que se vai converter, em poucos anos, num centro neurálgico de comunicações, enquanto nó do futuro TGV da linha Lisboa-Madrid com a estação Elvas-Badajoz, de passageiros e mercadorias e a plataforma logística transfronteiriça do Caia.

E para demonstrar isto tudo, deixamos aos nossos leitores mais uma amostra fotográfica daquilo que acabamos de relatar.

Foto 1. Fronteira do Retiro. Alfândega portuguesa.
Foto 2. Fronteira do Retiro. Alfândega espanhola.
Foto 3. Marco fronteiriço situado à direita vindo de Campo Maior.
Foto 4. Marco fronteiriço situado à direita vindo de Badajoz. A risca nos campos marca a fronteira, situando-se Portugal à esquerda e Espanha à direita.
Foto 5. Estrada BA 020 com Badajoz à vista.
Foto 6. Marco fronteiriço com vistas para os campos espanhóis vizinhos.
Foto 7. Caminhos raianos. A fronteira passa pela berma inexistente à esquerda do caminho.
Foto 8. Terras espanholas vistas do caminho português.
Foto 9. Decadências alentejanas. Casas do Posto Fiscal do Retiro em ruínas.
Foto 10. Searas da Raia.
Foto 11. Cidade de Elvas vista do Retiro. Vejam-se os baluartes.


Ver Fronteira do Retiro-I num mapa maior

Mapa 1. Mapa de situação.


Ver Fronteira do Retiro-II num mapa maior

Mapa 2. Mapa pormenorizado da fronteira. Cada indicador corresponde a uma fotografia. Carregue para ver.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Curiosidades fronteiriças: Urbanización Caya

Uma das coisas que qualquer cidadão português médio sabe é que Badajoz é uma cidade fronteiriça. Basta atravessar o Caia é já nos encontramos em Badajoz. No entanto, Badajoz não é apenas a cidade, mas também o seu termo municipal, incluindo várias urbanizações situadas no seu território.

A mais interessante, do ponto de vista fronteiriço, é a Urbanización Caya (Urbanização Caia), um pequeno espaço onde estão situadas um bom número de vivendas no que é uma área residencial para pessoas de classe média-alta. A particularidade desta urbanização é a sua situação geográfica: fica mesmo na fronteira.

O limite fronteiriço encontra-se franqueado por dois caminhos de terra batida, um por cada estado, sendo que entre eles há uma fileira de árvores onde estão situados os marcos fronteiriços. O caminho da parte espanhola é chamado de Av. de Portugal!, mesmo quando não passa de ser um caminhozito qualquer. A questão é que quem morar lá, naquela urbanização e se achar mesmo no limite fronteiriço quase que pode sair da sua casa e... sair do país!

Pela parte portuguesa, encontramos, como não podia ser de outra forma, uma bela vista da planície alentejana, sendo que este território pertence ao concelho de Campo Maior por ficar para além do Caia, rio que constitui a divisória entre este concelho e o concelho de Elvas antes de passar a ser o limite entre Portugal e Espanha.

Como é habitual neste blogue, lá vão algumas fotografias ilustrativas desta mais uma curiosidade fronteiriça.

Foto 1. Marco fronteiriço 798 do lado de Espanha.
Foto 2. Av. de Portugal ou o caminho de terra batida do lado espanhol.
Foto 3. Marco fronteiriço 798 do lado de Portugal.
Foto 4. Caminho de terra batida pela parte portuguesa em território de Campo Maior com vista de Elvas ao fundo.
Foto 5. Caminho português e vista da fileira de árvores e caminho paralelo espanhol.


Ver mapa maior