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terça-feira, 19 de junho de 2012

Panorâmicas da Raia: Paisagens raianas dos concelhos de Campo Maior, Elvas e Vila Viçosa

Depois de passar algum tempo em passeios e até uma escapadela em terras transmontanas e galegas, deixo cá constância de algumas das maravilhas encontradas. Na entrada de hoje pouco vou escrever, porque pretendo que seja mais do que uma dissertação, uma entrada contemplativa, de apreciação de imagens, de paisagens, a cada qual mais bela, com o intuito de oferecer umas vistas panorâmicas para quem não pode deslocar-se ao lugar, já o fez e quer recuperar esse ponto de nostalgia que sempre temos quando associamos uma imagem às nossas vivências ou para quem, após ver estas belas panorâmicas, fique intrigado e decida dar uma voltinha por estes cantos da Raia. Qualquer motivo é bom!

Foto 1. Rio Xévora, águas abaixo da capela de Nossa Senhora da Enxara (c. de Campo Maior), pouco antes de entrar em Espanha.
Foto 2. Seara e montado no concelho de Campo Maior com a Raia atrás da lomba da fotografia.
Foto 3. Campos arraianos com vistas às novas edificações do Cerro Gordo (Badajoz) e o vale do Guadiana.
Foto 4. Paisagem de planície em Campo Maior, com vistas para a Raia de Alburquerque.
Foto 5. Paisagem de planície com vistas para as aldeias de Valdebótoa e Gévora (Badajoz).
Foto 6. Paisagem de planície com vista para o vale do Guadiana e o pico San Serván (a 10 km. de Mérida, na Extremadura espanhola).
Foto 6. Herdade alentejana no concelho de Campo Maior com vista para o pico San Serván.
Foto 7. Seara do Alentejo em primeiro plano, aldeia de Valdebótoa (Badajoz) em segundo e pico San Serván em último.
Foto 8. Campos de lavoura em Campo Maior com vistas para a Serra de S. Mamede e as terras de La Codosera (Badajoz).
 Foto 9. Campos de lavoura no Retiro (c. de Campo Maior), com a Raia no meio deles.
Foto 10. Seara no concelho de Campo Maior com vistas para a Urbanización Caya (vivendas à vista) com a linha de árvores a marcar o limite fronteiriço.
Foto 11. Campos de lavoura com vista para o bairro de Los Colorines (Badajoz) ao fundo. 
Foto 12. Campos de lavoura entre os concelhos de Elvas e Campo Maior, com a Serra da Lor (Olivença) ao fundo.
Foto 13. Campos de lavoura com vista para a linha de fronteira (linha de árvores) com a Urbanización Caya por trás dela.
Foto 14. Do mesmo lugar, vista para um olival, já em terras espanholas, e bairro de Los Colorines e Gurugú (Badajoz), os mais degradados da cidade, na estrada de Campo Maior.
Foto 15. Seara no concelho de Campo Maior com vistas para a urbanização Cerro Gordo (Badajoz)
Foto 16. Vista dos depósitos de água de Badajoz e do bairro de Los Colorines com outra perspectiva.
Foto 17. Vista panorâmica a partir do Castelo de Elvas. Como diz a canção: «Ó Elvas, Ó Elvas, Badajoz à vista». Badajoz é mesmo a cidade que se vê ao fundo.
Foto 18. Varanda dos Namorados em Vila Viçosa: Vista da aldeia de S. Romão (f. de Ciladas, c. de Vila Viçosa), a linha do Guadiana, as Terras de Olivença (com a mancha branca a indicar a central termo-solar que está a ser construída) e Badajoz a Oeste.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Fronteiras: Ponte internacional do rio Sever (Beirã (c. de Marvão)/Valência de Alcântara)

Uma fronteira muito interessante pela paisagem envolvente é a ponte internacional do rio Sever, um afluente do Tejo. Aliás, tem a particularidade de ser uma fronteira de uma linha ferroviária correspondente ao chamado «ramal de Cáceres», hoje infelizmente encerrado. O nome do ramal é devido a que da Torre das Vargens contorna Castelo de Vide e Marvão e entra em Espanha dirigindo-se para Valência de Alcântara e Cáceres, a segunda maior cidade da Extremadura espanhola. Daí vai até Madrid.

Esta linha foi construída inicialmente para dar saída aos fosfatos extraídos de uma mina situada perto de Cáceres pelo porto de Lisboa porque o transporte de passageiros fazia-se pelo ramal do Leste, via Elvas e Badajoz e estava prevista a construção de uma ferrovia a partir da linha da Beira Baixa. Como esse projecto foi abandonado, finalmente o ramal, inaugurado finalmente em 1881, serviu também para esse propósito, apesar de não reunir as melhores condições para o tráfego. O seu encerramento foi equacionado o ano passado de 2011 na sequência dos cortes orçamentais que têm vindo afectar várias linhas ferroviárias consideradas deficitárias. É esta linha por onde discorria o famoso Expresso Lusitânia, um expresso nocturno que fazia a ligação Lisboa-Madrid saindo da Estação de Santa Apolónia até à Estação de Chamartín entre 1943 e 1995, que foi substituído pelo Lusitânia Comboio-Hotel. Nunca foi um comboio barato, nem ainda hoje pois só o bilhete em classe turista, isto é sem direito a cama custa 60,50 EUR no bilhete simples e 97,00 EUR no bilhete de ida e volta. Já o preço mais caro vai para os que pretenderem uma viagem de ida e volta em cama «Gran classe»: a «módica» importância de 325,40 EUR, que inclui ainda pequeno-almoço e jantar (com esse preço só faltava que não estivesse incluído!)

A ponte internacional é uma ponte de ferro, com dois pilares, sobre o rio Sever que nesta parte é já um rio fronteiriço até à sua foz ao desaguar no Tejo. Resulta interessante o facto de indicar o marco fronteiriço 673 no meio da ponte e ainda os materiais da ferrovia, alguns deles bastante antigos, como indica uma placa de 1908 escrita ainda antes do Acordo Ortográfico de 1910. A paisagem envolvente é de montado em ambos os lados da fronteira, com herdades isoladas no campo. A azinheira é a árvore rei, se bem encontramos ao longo do rio árvores de ribeira. A região é também rica em antas, mamoas o dólmenes, nomes utilizados para estas amostras de arquitectura megalítica das quais o Alentejo e a Extremadura espanhola apresentam a maior concentração da Europa.

De resto, o local é ideal para dar passeios, especialmente na Primavera, quando brotam as flores, e o tempo é aprazível.

Foto 1. Ramal de Cáceres visto da parte espanhola.
Foto 2. Ponte internacional visto da parte espanhola.
Foto 3. Ponte internacional e sua estrutura vistos da parte portuguesa.
Foto 4. Vista geral da ponte.
Foto 5. Arqueologia industrial: placa de 1908.
Foto 6. Marco fronteiriço no meio da ponte.
Foto 7. Pequena herdade vista da ferrovia do lado português.
Foto 8. Paisagem vista da ponte do lado português. A linha de árvores de ribeira indica a posição do rio Sever e a fronteira.
Foto 9. Rio Sever visto da margem norte da ponte.
Foto 10. Rio Sever visto da margem sul da ponte.
Foto 11. Paisagem de montado visto da ponte para a parte espanhola.
Foto 12. Herdade Tira-calças (Tiracalzas em espanhol) a 3 km. da ponte internacional.
Foto 13. Paisagem de montado vista da parte espanhola com a fronteira e o rio à direita.
Foto 14. Rio Sever visto da herdade Tira-calças. A parte portuguesa fica na margem esquerda.
Foto 15. Rio Sever com a parte portuguesa na outra margem.
Foto 16. Paisagem de montado na parte portuguesa com restos de uma anta vistos do lado espanhol do rio Sever.
 Foto 17. Rio Sever no seu lento percurso para o Tejo.
 Foto 18. Zona ribeirinha e paisagem de montado da parte espanhola (Herdade de Tira-calças).
Foto 18. No meio do rio Sever, com a margem portuguesa à direita.



Mapa 1.

Mapa 2. Mapa específico.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Curiosidades fronteiriças: Fronteira nos Degolados (c. de Campo Maior)

As fronteiras têm a particularidade de que podem aparecer em qualquer lado, mesmo naqueles lugares menos insuspeitos. É o caso da linha de fronteira que decorre a apenas uns metros da estrada local que liga a aldeia e freguesia de Campo Maior de Nossa Senhora de Graça dos Degolados com a povoação de Ouguela.

A um pulo, pelo caminho de terra batida, como se pode apreciar nas fotografias, a linha de fronteira surge no meio de um cúmulo de vedações de arame farpado que a  delimitam, sendo que os marcos fronteiriços seguem a linha das vedações junto do caminho rural que terá a sua continuidade até à barragem do Abrilongo, uma das ribeiras que constituem um dos afluentes do rio Xévora.

Do lado de Espanha, no município de Alburquerque, contempla-se uma bela paisagem de montado que é ainda uma reserva de caça como indica o sinal em espanhol. Do lado português a zona de caça é também marcada pelo sinal correspondente em português. Refira-se ainda o facto de o lado espanhol apresentar o nome do dono com um sinal de fundo verde com o seu último nome: «Gragera» que é, aliás, um apelido muito típico da Extremadura espanhola.

O local resulta especialmente indicado para um agradável passeio pelo campo, no fim da tarde, enquanto se desfrutam de belas vistas da planície, convidativas ao sossego e à serenidade.

Foto 1. Caminho de terra batida do limite fronteiriço até à estrada pavimentada.
Foto 2. Caminho rural visto do limite fronteiriço. À direita ficam os marcos fronteiriços que delimitam a fronteira espanhola.
Foto 3. Ponto de encontro das reservas de caça espanhola e portuguesa.
Foto 4. Linha de vedação que delimita a fronteira campo através, no meio do montado.
Foto 5. Marco fronteiriço visto do lado de Portugal.
Foto 6. Vista da planície do Alentejo em direcção à aldeia dos Degolados.



Mapa 1. Mapa de situação.


Mapa 2. Mapa específico.

P.S.: Damos as boas-vindas a um novo membro da Rede Social Google, NEZOCA. Esperamos que continue a gostar do blogue!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Curiosidades fronteiriças: Quinta do Pão de Trigo (Rabaça, f. de S. Julião, c. de Portalegre)

As fronteiras têm essas curiosidades que não por menos conhecidas, deixam de surpreender. No concelho de Portalegre, nos limites entre as freguesias de São Julião e Alegrete, em pleno Parque Natural da Serra de São Mamede, deparamo-nos com uma quintinha chamada de Pão de Trigo. A quinta apresenta a particularidade de estar situada na mesma linha de fronteira e a limitar com outras vizinhas, já do outro lado da fronteira, mas com o mesmo nome e mesmas características formais.

O acesso ao local faz-se pela estrada municipal EM1044 de São Julião até Rabaça e daí na direcção de Soverete. Após passar a ponte do rio Xévora, a estrada começa a sua subida contínua por entre uma série de lombas nas que domina bem o matagal, bem uma floresta de eucaliptos. A particularidade desta parte da estrada é o facto de, na sua parte final, antes da curva que faz com que mude a sua direcção de Sul para Oeste, é que é possível ver daí a maior parte da planície formada pelo vale do rio Xévora no município de La Codosera, já na Extremadura espanhola. A linha de fronteira corre praticamente paralela à estrada, sendo que na curva antes descrita, a Raia fica a apenas cinco metros da estrada. 

Se na Rabaça a altitude média estava situada entre os 390 e os 420 metros, cá estamos situados a mais de 510 m., com vistas para a pequena serra na que está situado o monte Nasce Água, a 649 m. de altitude, separado da Serra de Bastos pela ribeira de Soverete, afluente do rio Xévora, que fica para além da quinta do Pão de Trigo. No meio desta serra surge um pequeno vale que terá continuidade, já em terras extremenhas, na aldeia de Bacoco, aldeia formada por várias casas e herdades espalhadas pela planície. Importa salientar que a tradição alentejana nesta região raiana é forte, pelos mesmos motivos que os das aldeias vizinhas do Marco, Tojeira ou Rabaça: a colonização portuguesa do último quartel do século XIX.

São estas terras terras de olival, de videiras e de montado, com grande importância da pecuária e a fronteira não parece mais do que um acidente numas terras que parecem reivindicar a sua unidade. Mas que lá está, está. A quintinha é uma bela casa alentejana com uma albufeira com açude e belos campos de videiras e olival. O simpático dono da casa indicou-nos a posição dos marcos fronteiriços, pelo que ficamos a saber que existiam três: um marco maior e outro mais pequeno, no meio de um olival, com a vizinha casa espanhola do mesmo nome ao lado, sendo que o terceiro ficava no meio da floresta no início da curva indicada. E com esse fim fomos dar um aprazível passeio no fim da tarde, acompanhados dos cães da quinta com o intuito de conhecer estes mais isolados recantos raianos e poder mostrá-los aos nossos leitores. Espero que gostem!

Foto 1. Vista geral da quinta do Pão de Trigo.
Foto 2. Vista da floresta e do limite fronteiriço. O casebre que fica a meia encosta marca a fronteira. Para além das árvores fica a quinta do Pão de Trigo espanhola.
Foto 3. Marco fronteiriço pequeno.
Foto 4. Vista do olival transfronteiriço e da planície do rio Xévora com a Serra da Calera ao fundo.
Foto 5. Limite fronteiriço visto do lado de Portugal com a primeira casa do Pão de Trigo de estilo alentejano que pertence à aldeia de Bacoco, na Extremadura espanhola.
Foto 6. Quinta do Pão de Trigo portuguesa vista do limite fronteiriço.
Foto 7. Marco fronteiriço grande no meio do olival.
Foto 8. Marco fronteiriço visto do lado de Espanha com a quinta do Pão de Trigo portuguesa ao fundo.
Foto 9. Marco fronteiriço visto do lado português.
Foto 10. Olival transfronteiriço.
Foto 11. Vista da quinta do Pão de Trigo espanhola, em estilo alentejano.
Foto 12. Marco fronteiriço situado no início da curva da EM1044.
Foto 13. Paisagem vista da EM1044 ao lado do limite fronteiriço.
Foto 14. Vista das duas Rabaças do limite fronteiriço: Rabaça (f. de São Julião) à esquerda e a Rabaça espanhola (La Rabaza) à direita.



Mapa 1. Mapa de situação.

Mapa 2. Mapa específico.