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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Fronteiras: Portela do Homem

No Parque Nacional da Peneda-Gerês, que agora faz parte também do Parque Transfronteiriço Gerês-Xurés, encontramos uma das fronteiras onde a paisagem envolvente da Natureza atinge uma espectacularidade ímpar. Falamos da fronteira da Portela do Homem.

Esta fronteira, para além de ser a única do distrito de Braga e do Baixo Minho, é a via de entrada entre a Galiza e o coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês, no concelho de Terras de Bouro. As paisagens são, obviamente espectaculares e por si só merecem uma visita.

O lugar já fora muito transitado mesmo na Antiguidade, como mostram os restos arqueológicos existentes da via romana que ligava Braga (a antiga Bracara Augusta) com Astorga (a antiga Asturica Augusta), incluindo marcos miliários. Mas não só. A região é rica em águas termais, facto que põe em relevo pelas termas de Rio Caldo, no concelho de Lobios, na Galiza, e, obviamente, pelas termas do Gerês, já no nosso país. Mas, se a parte da Galiza as montanhas aparecem com pouca vegetação, já não é o caso da vertente portuguesa onde a floresta é rica e viçosa. Existem inúmeras espécies características do bosque atlântico que oferecem sombra e frescura nos dias quentes do Verão.

As caminhadas são uma óptima forma de conhecer o território em ambos os lados da fronteira, para além de obsequiar-nos com paisagens de indecifrável beleza. Do lado português o acesso está condicionado com o intuito de limitar o trânsito. É por isso que há dois postos de controlo: o primeiro, para quem vem da Galiza, mesmo depois de passar a fronteira; o segundo, na Portela de Leonte, depois de termos deixado a vila do Gerês. Antigamente o controlo fazia-se por intermédio de um bilhete onde os funcionários anotavam a hora de entrada para evitar paragens no meio do caminho, já que o tempo de percurso de carro estava limitado a 15 minutos. Agora faz-se um pagamento simbólico de 1,50 EUR. Esta parte do Parque Nacional da Peneda-Gerês recebe o nome de Mata da Albergaria e constitui a parte mais espectacular do percurso, o que inclui as cascatas do rio Homem, já perto da fronteira, e lugar ideal onde tomar um refrescante banho. As águas são mesmo limpas e cristalinas e existem piscinas naturais de até mais de 4 metros de profundidade. Além disso, daí parte um percurso até as Minas dos Carris, perto da nascente do rio Homem e perto, obviamente, da fronteira.

Não é preciso dizer mais nada: a região vende-se por si só!


Foto 1. Fronteira portuguesa vista do lado da Galiza.
Foto 2. Fronteira galega vista do lado de Portugal.
Foto 3. Fronteira portuguesa. Antiga alfândega e café.
Foto 4. Sinalética da fronteira (Foto enviada atenciosamente por David García Riesco, leitor do blogue).
Foto 5. Sinalética da fronteira (Foto enviada atenciosamente por David García Riesco, leitor do blogue).
Foto 6. Restos da via romana de Braga a Astorga, já em terras galegas.
Foto 7. Outra vista da calçada romana e dos marcos miliários.
Foto 8. Cascata do rio Homem, a 800 metros da fronteira.
Foto 9. Cascata do rio Homem em um dia quente de Verão.
Foto 10. Cascata do rio Homem (pormenor).
Foto 11. Portela do Homem (ao fundo) e vista geral do Parque Nacional da Peneda-Gerês vistos da Pousada da Caniçada.

Mapa 1. Mapa de situação.
Ver Fronteiras: Portela do Homem num mapa maior

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Fortalezas da Raia: Lindoso

No concelho de Ponte da Barca, em pleno coração do Alto Minho, uma serpenteante estrada N 203 conduz-nos até as encostas da Serra Amarela e a Serra do Cabril. Entramos no Parque Nacional da Peneda-Gerês, recentemente convertido em Património Mundial pela UNESCO como parque transfronteiriço Gerês-Xurés, entre Portugal e a Galiza. Atravessamos pequenas aldeias como Entre-Ambos-os-Rios, Britelo, Cidadelhe e, finalmente, perto do posto fronteiriço da Madalena, Lindoso.

Lindoso é uma aldeia linda de ver por vários motivos. O primeiro é o seu património arquitectónico. O destaque vai para o castelo afonsino, reconstruído por D. Dinis, com baluartes e torre de menagem em 1278 e parcialmente modificado na época da Guerra da Restauração. Mas a sua feitura medieval é muito evidente, bem como a sua construção em silharia de granito, a pedra por excelência da região.

Mas não nos podemos esquecer dessa bela vista, ao lado do castelo, que constitui o Largo dos Espigueiros. Mais de cinquenta espigueiros podemos encontrar nesta esplanada rochosa de granito. Um espigueiro, para quem não saiba, é uma construção muito frequente no Norte de Portugal, nomeadamente no Alto Minho, mas também o podemos achar nas Terras de Basto, o Barroso ou até lugares tão longínquos como Castelo de Paiva, na região do Tâmega. Mas só duas aldeias apresentam uma concentração muito significativa deles: Lindoso, como estamos a referir, e a vizinha aldeia do Soajo, no concelho de Arcos de Valdevez.

Um espigueiro é uma construção feita designadamente com lajes de granito, que descansa sobre uns pilares curtos, assentes na rocha, e acimados por mós ou mesas. Constam, como mínimo, de uma porta de entrada e fendas que actuam para ventilação. Outras vezes o canastro, ou parte principal do espigueiro, apresenta balaustros de madeira, mas não é o caso cá no Lindoso, onde são inteiramente de pedra e na sua maior parte de época setecentista e oitocentista. Tinham como função albergar nomeadamente o milho, para evitar ser comido pelos ratos no momento da sua secagem. Não se pode dizer que sejam inteiramente originais, já que estão relacionados com construções similares existentes na Galiza, onde recebem o nome de cabazos, e que chegam até ao ocidente das Astúrias. Com função similar, mas com um tamanho e forma bem maiores, encontramos nas Astúrias o horru. São construções associadas ao desenvolvimento do cultivo do milho, introduzido desde América a finais do século XVI ou no limiar do século XVII, tendo um grande impacte no Noroeste Peninsular, isto é, o Norte de Portugal, designadamente a região de Entre-Douro-e-Minho, a Galiza e as Astúrias.

Outra amostra do património arquitectónico e a igreja matriz, românica, mas reformada posteriormente. Existe ainda o cruzeiro, entre a igreja e o Largo dos Espigueiros, sem esquecer o casario tradicional da região.

Para além do património arquitectónico, temos o património natural, entre o qual devemos destacar as encostas do vale do Lima, as serras Amarela e do Cabril e a barragem do Alto Lindoso, no meio de um marco de incomparável beleza.

Sem dúvida, uma região que vale a pena ver, bem pelo seu património e o contacto com a natureza, bem pela singeleza das suas gentes, ainda afeiçoada aos modos de vida tradicionais, onde o tempo não tem a maior importância, se exceptuarmos, é claro, o tempo da lavoura e o cuidado do gado, onde podemos ainda cheirar o sabor de outrora. Uma terra que é óptima para umas mini-férias de fim-de-semana ou para passar mais uns dias visitando outras partes do Parque Nacional como a Serra da Peneda e o Gerês, e ainda localidades históricas como Ponte da Barca, Ponte de Lima ou Arcos de Valdevez, bem como as terras galegas vizinhas.

Foto 1. Entrada e torre de menagem do castelo.
Foto 2. Muralhas e torre de menagem.
Foto 3. Outra vista da torre de menagem. Atenção à sua construção em silharia.
Foto 4. Vista geral do castelo e dos baluartes setecentistas.
Foto 5. Largo dos Espigueiros e Igreja Matriz.
Foto 6. Espigueiros, cruzeiro e vista geral da aldeia.
Foto 7. Encostas da barragem do Alto Lindoso vistas do castelo. Ao fundo, a Serra da Peneda. À esquerda, as encostas onde estão situadas as aldeias de Várzea e Paradela, no concelho de Arcos de Valdevez. À direita, as encostas onde está situada a aldeia de Olelas, no concelho galego de Entrimo.
Foto 8. Barragem do Alto Lindoso, no Lima, com a Galiza ao fundo.
Foto 9. Vale de escarpa do Lima.
Foto 10. Vista geral de Lindoso, da barragem e da Serra do Xurés (Galiza) ao fundo.
Foto 11. Simpática vitela de raça barrosã nas redondezas do Lindoso.


Ver Lindoso num mapa maior
Mapa 1. Mapa de situação.
Mapa 2. Situação do património arquitectónico e natural. Clique para ver num tamanho maior.