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quarta-feira, 18 de março de 2009

Curiosidades fronteiriças: Fronteira Galegos/La Fontañera (Fontanheira)

Curiosidades na Raia há muitas. Mas poucas como esta da fronteira entre Galegos e La Fontañera (Fontanheira). Fontanheira é uma dessas aldeias fundadas por povoadores portugueses a partir do século XVIII como consequência de uma situação demográfica que favoreceu a ocupação das terras raianas vizinhas que na altura estavam desertas. É por isso que a aldeia faz parte hoje do grupo de aldeias que ainda conservam a nossa língua portuguesa.

A "fronteira" entre Galegos e Fontanheira não existe praticamente. Não há nenhum indicador que nos diga quando passamos de um país para outro a não ser a mudança do piso na estrada. Como é uma fronteira local, as estradas não são lá muito boas, mas perfeitamente transitáveis para ligeiros. Fontanheira é quase uma aldeia-rua, isto é, uma aldeia cujo casario se distribui ao longo da estrada, que faz de rua principal. O feitio das casas é uma mistura entre a casa alentejana e alguns traços próprios da Extremadura espanhola, região na que, afinal é onde se encontra.

A particularidade desta fronteira é que acaba súbitamente... na última casa. Lá ondeiam as bandeiras de Portugal e Espanha a indicar este facto. Mas há mais. Do outro lado da rua há outra casa que sirve como alojamento rural. A sua proprietária quis ampliar a cozinha para dar mais conforto à casa. Sem pensar duas vezes, tirou o marco fronteiriço e avançou dois metros além. Nenhuma fronteira ia impedir que a sua cozinha fosse maior! Só que segundo a Comissão de Limites isto é totalmente ilegal porque se qualquer um faz isto, daqui a pouco podemos ir avançando uns metros aqui e acolá e ou Portugal desaparecia ou ficava noutro lugar diferente. Como o caso não foi lá muito grave, afinal não teve quaisquer consequência. Hoje, quem ficar alojado lá (não faço publicidade gratuita) pode dormir na sua cama na Extremadura espanhola, no concelho de Valência de Alcântara (Cáceres) e sair para fora para tomar um suminho fresco na freguesia de Galegos, concelho de Marvão, no distrito de Portalegre, no Alentejo,... em Portugal!

Mas que melhor do que umas fotografias para ilustrar isto. Como sempre lá ficam para prazer dos meus leitores que sei que são muitos. Tudo para eles!

Foto 1. Marco fronteiriço que foi movido a causa da ampliação de uma cozinha! (Visto do lado de Portugal)
Foto 2. Outro marco fronteiriço junto do estabelecimento de alojamento rural.
Foto 3. Bandeiras portuguesa e espanhola ondeiam no limite (a parede é a fronteira).
Foto 4. Casa de alojamento rural com formas típicas alto-alentejanas como as chaminés.
Foto 5. Outro marco fronteiriço visto do lado de Espanha.


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Mapa 1. Mapa com linha que segue a posição exacta dos marcos fronteiriços apresentados nas fotografias.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Curiosidades fronteiriças

As fronteiras têm, às vezes, coisas que podem ser consideradas como absurdas ou, pelo menos, curiosas. No post de hoje vou falar numa delas. Já indiquei há tempo que uma das fronteiras mais utilizadas é a fronteira de Vilar Formoso/Fuentes de Oñoro. Todo o mundo usa, geralmente, a fronteira tradicional que liga o IP 5 à N 620 espanhola. No entanto, há outras "fronteiras" que são, como mínimo, curiosas.

Entre Vilar Formoso e Fuentes de Oñoro existe outra passagem fronteiriça que liga a N 332 com a aldeia espanhola. Depois de passar a ponte sobre a linha internacional do comboio e a estação de Vilar Formoso com esses belíssimos azulejos que oferecem ao visitante uma vista de Portugal em miniatura, deparamo-nos com um cruzamento onde, à esquerda podemos virar para Fuentes de Oñoro. O mais curioso e engraçado é que a linha de fronteira fica mesmo onde está situado o 'Stop' da rua, a Av. de Portugal, onde pretendemos virar. Quer dizer que uma simples viragem faz com que estejamos num país totalmente diferente, se bem que não é assim tão estranho já que muitas lojas "talhos", apresentam a sua sinalética também em português. Pode observa-se isso no primeiro dos mapas apresentados.

Mas a própria EN332 é uma estrada também fronteiriça. De Vilar Formoso até Nave de Haver a estrada é mesmo fronteira. Repare-se nesse facto no segundo mapa onde a linha de fronteira vai paralela à estrada mencionada até o desvio para Nave de Haver. À estrada portuguesa temos de acrescentar uma estradinha ou passeio não alcatroado paralelo que já é território espanhol conforme pode ver-se nas fotografias. Os marcos fronteiriços ficam entre as duas estradas, mesmo no capim, umas vezes mais perto, outras mais longe. No caso da segunda fotografia dá mesmo para perceber o marco situado antes do sinal de entrada a Vilar Formoso.

Esta é uma das muitas curiosidades existentes na fronteira, que mostram que, por vezes, não deixam de ser uma risca traçada parece que ao acaso, dividindo (mas nunca completamente) dois mundos. É nesses momentos quando um próprio fica a pensar no facto do diferente que é estar a um ou outro lado da fronteira quando esta é apenas uma linha que neste caso fica por estes lados mas poderia ficar noutros. Ou que do lado de lá posso tomar um cortado ou uma sandes de chouriço ibérico de Salamanca, enquanto do lado de cá fico com a tradicional bica e o pastel de nata e uma sandes de leitão. Ou que fico a ouvir cá os Xutos & Pontapés, o Pedro Abrunhosa e a Mariza, enquanto do lado de lá ouviria o Alejandro Sanz, a Isabel Pantoja ou Sara Baras. Tão perto, tão longe...


Foto 1. Marco fronteiriço na N 332. O lado direito é a parte espanhola.
Foto 2. Entrada a Vilar Formoso. Repare-se no marco fronteiriço da direita, perto da linha da estrada.




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Mapa 1. Fronteiras de Vilar Formoso/Fuentes de Oñoro.


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Mapa 2. Estrada N 332 e linha de fronteira paralela entre Vilar Formoso e Nave de Haver.