sábado, 11 de outubro de 2008

Fortalezas da Raia: Juromenha.

Com este primeiro post pretendo iniciar uma série histórica sobre fortalezas da Raia, já que a fronteira foi muito mais do que simplesmente uma linha ou um traço em uma terra qualquer.

No cimo de um outeiro com vistas ao rio Guadiana, ergue-se sobranceira, a fortaleza de Juromenha, situada na freguesia de Nossa Senhora do Loreto, no concelho de Alandroal. Juromenha é hoje uma pacata aldeia alentejana longe da "civilização", que conta com apenas cerca de 150 habitantes que se espalham pelo espaço extra muros circundante.

A História desta localidade perde-se na noite dos tempos. Há uma lenda que diz que um conde, nos tempos dos Godos, tinha uma irmã muito bela. O conde, cheio de desejos libidinosos, propus à irmã ter relações, coisa à que a tal se negou em rotundo aceder a tais proposições incestuosas. Muito irado, prendeu-a e meteu-a na cadeia para quebrar a vontade dela no que hoje é a actual localidade. A tal irmã tinha o nome de Menha. Quando o conde mandava seus criados ter com ela para ver se tinha mudado de parecer, ela dizia firmemente: "Jura Menha que não". E assim ficou o nome de Juromenha.

É claro que isto é apenas uma lenda, mas o fundo da História pode ser real. É muito provável que a região estivesse dominada por algum aristocrata hispano-romano como propietário dos latifúndios que, como todo o mundo sabe, são uma marca de identidade do Alentejo. Temos notícias de que Juromenha era chamada de Julumaniya sob a dominação muçulmana e que foi alvo de atenção das tropas de D. Afonso Henriques, nosso primeiro rei. Após a conquista de Évora em 1165 com a ajuda de Giraldo Sempavor, as tropas portuguesas ocuparam a vizinha Elvas e Juromenha em 1167. Foi então quando D. Afonso Henriques tentou o cerco de Badajoz em 1170. Prestes a tomar a alcáçova, apareceu nesse momento o rei de Leão, Fernando II, genro do nosso rei, que considerava a cidade, segundo o Tratado de Sahagún de 1158 assinado com o seu irmão Sancho III de Castela como parte do território à que tinha direito uma vez fossem expulsos os muçulmanos almóadas que eram, na altura, os verdadeiros donos da cidade. Isso obrigou nosso rei a fugir, retirando-se da cidade. Foi então quando ao passar pelas portas da cidade a cavalo, feriu-se numa coxa depois de se ter dado contra elas. Foi o seu genro quem chamou os melhores médicos para que curassem o seu sogro. Tal desfecho foi conhecido como Desastre de Badajoz.

Juromenha perdeu-se de novo em 1191 e não foi recuperada até 1241, quando Paio Peres Correia a reconquistou. O rei D. Dinis deu-lhe foral em 1312 e fortificou-a com um castelo assente nos actuais terrenos da fortaleza, rodeado de dezasseis torres rectangulares. Foram celebrados aqui os casamentos de D. Afonso IV com Beatriz de Castela e de Afonso XI de Castela com Dª Maria de Portugal.

A aldeia voltaria a ter muita importância histórica na época da Restauração, quando foi construida a fortaleza para evitar ataques dos espanhóis por Nicolau de Langres apartir de 1646. Depois de uma explosão no paiol da pólvora em 1659, Langres traiu Portugal e passou ao serviço de Espanha, ajudando às tropas espanholas à tomada da fortaleza que tinha construído em 1662, permanecendo na posse dos espanhóis até 1668 com a assinatura do Tratado de Lisboa que reconhecia a nossa independência. Uma nova ocupação espanhola decorreu entre 1801 e 1808 aquando da Guerra das Laranjas. O Tratado de Badajoz de 1801 vai supor a perda de Vila Real de Olivença para o concelho, já que esta aldeia, mesmo ficando no outro lado do Guadiana, fazia parte do concelho de Juromenha e não do de Olivença.

Juromenha entra então num declínio acentuado, sobre tudo depois do concelho ter sido extinto em 1836 e ser anexada como freguesia do concelho de Alandroal. A população abandona a fortaleza e começa a se instalar extra muros ao redor da ermida de Santo António, hoje centro vital da aldeia.

A fortaleza fica abandonada e, aos poucos, entra num processo de degradação que, infelizmente, chega até os nossos dias. Apesar de algumas chamadas de atenção e de alguns projectos que visariam transformar a fortaleza num estabelecimento turístico, nada se concretizou ainda. As fotografias são uma amostra do estado de abandono em que se encontra. No entanto, é indiscutível a beleza do lugar, nas margens do Guadiana, hoje mais crescido por chegar as aguas do Grande Lago formado pela barragem de Alqueva, cuja cauda chega até este lugar.

O conjunto é ideal para um passeio de meia tarde após um almoço, especialmente na primavera ou no outono, para não sofrer nas nossas carnes as rigorosidade do clima alentejano, especialmente nos quentes verões que assolam a região.

Foto 1. Portal de entrada à fortaleza.
Foto 2. Interior da fortaleza.
Foto 3. Vista de uma das 'ruas' da fortaleza. Repare-se no estado de abandono.
Foto 4. Baluartes da fortaleza.
Foto 5. Zona abaluartada e vista parcial da aldeia.
Foto 6. Vista do Guadiana (à norte) com as Terras de Olivença à direita.
Foto 7. Vista do rio Guadiana (cauda da barragem de Alqueva) e Terras de Olivença (à esquerda).

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Mourão (São Leonardo)/Villanueva del Fresno

Para quem vem de Reguengos de Monsaraz, Monsaraz ou Mourão e pretende entrar em Espanha é possível que a sua melhor opção seja a fronteira de São Leonardo. De lá poderá se deslocar até localidades da Extremadura espanhola como Zafra, Mérida ou Badajoz.

Trata-se de uma fronteira secundária, mas muito utilizada para o trânsito local, dado que em Villanueva del Fresno, a 7 km. do limite fronteiriço, achamos as bombas de gasolina para meter lá o carburante no depósito do carro. A paisagem, como mostram as fotografias, seguem uma sequência natural de continuidade entre ambas duas regiões: o Alentejo e a Extremadura espanhola. O montado alentejano tem continuidade na dehesa extremenha, se bem que culturalmente são diferentes.

Outra curiosidade desta fronteira é o facto de constituir um dos primeiros lugares onde o limite fronteiriço é reconhecido. Vejamos. A fronteira luso-espanhola está delimitada pelo Tratado de Lisboa de 1864. Os trabalhos começaram pela foz do Minho mas quando chegaram até ao Caia foram interrompidos a causa do não reconhecimento de Portugal da soberania espanhola sobre Olivença. Um novo tratado, também assinado em Lisboa, em 1927, permitiu a continuidade dos trabalhos a sul das terras em disputa até à foz do Guadiana. Portanto, existem ainda cem marcos fronteiriços sem colocar abrangendo toda a zona em que o rio Guadiana faz fronteira entre Portugal e Espanha de facto, isto é, entre a foz do Caia, quando desagua no Guadiana até à Ribeira de Cuncos, pequeno riacho que fica no fundo do vale que pode ser observado na primeira das fotografias. O território reclamado por Portugal, no entanto, não abrange todo esse troço do Guadiana, mas sim uma pequena parte, correspondente às terras de Olivença, das quais vamos falar mais adiante em outro post.

Outra curiosidade histórica é o facto de ter sido assassinado em Villanueva del Fresno o general Humberto Delgado, desiludido com Salazar. O militar, que procurava reconciliar-se com ele após o fracasso da operação de assalto ao quartel de Beja em 1962, foi alvejado nesta fronteira por um comando da PIDE liderado por Rosa Casaco, quem o matou a tiro a ele e à sua secretária lá mesmo na fronteira, não pudendo assim regressar a Portugal.

A fronteira não oferece qualquer ponto de interesse, para além do facto fronteiriço. A salientar, como curiosidade, que o alcatroado da estrada regional EX-107 chega ate ao ponto onde a sinaléctica indica a entrada em Portugal, mas que fica aquém do marco fronteiriço, 'invadindo' assim uns metros de território português. Como se pode apreciar na segunda fotografia, o marco fronteiriço fica a uns escassos dois metros do indicador de entrada em Espanha, enquanto o alcatroado continua mesmo além desse limite. Mas tanto a antiga alfândega espanhola como portuguesa estão desertas, em estado de abandono, dando uma sensação de desleixo.

Realmente é pena o que acontece aos antiguos edifícios alfandegários. Como são património do Estado, não podem ser utilizados por privados. No entanto, seria bom dar-lhes algum tipo de utilidade. Acho que nas entradas principais poderiam situar-se postos de informação e turismo do país, facto que poderia gerar alguns postos de trabalho, já que é un facto que muitas pessoas quando chegam a um país estrangeiro não têm uma ideia fixa ou nem sequer sabem o que vão visitar nesse país por nao terem comprado um guia. Outros, mesmo com guia, não dispensariam algum tipo de conselho. É claro que isto não poderia ser implementado em todas as fronteiras porque isso ia depender do trânsito de viaturas existente, mas poderia ser, sim, uma solução para alguns edifícios. Outras alfândegas poderiam se constituir nas sedes de centros de cooperação transfronteiriça entre municípios de ambos os lados da fronteira. Essa poderia ser a solução para algumas fronteiras secundárias, já que normalmente as menos transitadas são, em geral, mais modernas e não têm alfândegas. Enfim, trata-se de dar algumas ideias para dar uma melhor imagem para o viajante que quer visitar qualquer país do espaço Schengen, incluíndo o nosso.

Foto 1. Planície nas redondezas na fronteira (parte espanhola).
Foto 2. Fronteira espanhola de Villanueva del Fresno (Extremadura).
Foto 3. Marco fronteiriço.
Foto 4. Fronteira e alfândega portuguesa de Mourão (São Leonardo).

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Aldea del Obispo/Vale da Mula

Vale da Mula é uma aldeia e freguesia do concelho de Almeida, enquanto Aldea del Obispo é um município da província espanhola de Salamanca. Situadas apenas a um quilómetro, quilómetro e meio uma da outra, eram, no entanto, duas aldeias separadas até 1991 pela ribeira de Tourões. Foi nesse ano que, por iniciativa dos vizinhos de ambas as aldeias, decidiram alargar a ponte sobre a ribeira. Uma ponte ilegal que esteve a ponto de ser derrubada pela sua ilegalidade. Felizmente não foi assim e hoje até conta com uma estrada em um estado razoável, alcatroada, e não de terra batida, como era no início.

Para mais esclarecimentos, são úteis os seguintes links do Jornal da Beira que podem ser vistos aqui e aqui.

No meio de ambas as duas aldeias fica o Forte da Conceição ou Fuerte de la Concepción, que se ergue, sobranceiro, sobre um pequeno outeiro donde se podem ser divisadas, um forte que teve as suas origens no século XVII no marco da guerra da Restauração e que foi construído num estilo Vauban no século XVIII para ficar logo abandonado a partir do século XIX até a actualidade, constituindo hoje um testemunho mudo da História, de uma História que não conseguiu, e ainda bem, quebrar as relações entre ambos os lados da fronteira.

Caso se queira visitar, ambas as aldeias fazem parte de um percurso de fortificações pela Raia junto de Ciudad Rodrigo, Almeida e S. Félix dos Galegos, num marco de cooperação transfronteiriço. Vale a pena, até porque a região é muito interessante em termos de património: Castelo Rodrigo, Trancoso, as gravuras rupestres do Vale do Côa e o vizinho Douro, na zona onde começa o Douro vinhateiro, Património Mundial da UNESCO,... Sem dúvida uma boa escolha para um fim-de-semana ou até umas mini-férias longe das zonas mais movimentadas, mas com bons equipamentos em geral, tanto a nível hoteleiro como de pequeno comércio.

Foto 1. Ribeira de Tourões. Parte espanhola à direita.
Foto 2. Fronteira espanhola.
Foto 3. Fronteira portuguesa.
Foto 4. Vista geral de Vale da Mula (c. Almeida, Beira Interior).
Foto 5. Vista geral de Aldea del Obispo (Salamanca).

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Amareleja/Valencia de Mombuey

Da Beira Interior ao Baixo Alentejo. Eis aqui uma fronteira também pouco conhecida que liga Valencia de Mombuey, na província espanhola de Badajoz, à Amareleja, no concelho de Moura.
A fronteira realmente nada tem de especial, a não ser a paisagem típica de montado alentejano. Trata-se de uma dessas fronteiras para trânsito local abertas ao abrigo dos fundos comunitários uma vez que as "fronteiras" têm caído com a integração de Portugal e Espanha no Espaço Schengen.

O positivo é que permite a passagem normal de viaturas e relançar relações que nunca morreram, mas talvez estavam meio dormidas. As fotografias, tomadas no final da primavera, mostram um país quente e árido. Não é por acaso que foi na Amareleja onde se registou a temperatura com o máximo absoluto mais elevado do nosso país, segundo informa o site do Instituto de Meteorologia quando se atingiram os 47,4ºC! o dia 1 de Agosto de 2003, um ano que vai, certamente, passar à História pelas vagas de calor e os incêndios que assolaram o país.

Deve ser por isso também que é lá onde está a ser operativa uma central solar fotovoltaica. Afinal tem de se aproveitar tudo... Mas nem tudo tem de ser mau. Deliciem-se com um gaspacho alentejano ou uns secretos de porco preto em alguns dos restaurantes da região. Vão adorar!

Foto 1. Fronteira espanhola de Valencia del Mombuey.
Foto 2. Lado português da fronteira (sem sinalética :-( )

Foto 3. Vista da planície na fronteira. Terras de Moura e Barrancos.
Foto 4. Vista geral da Amareleja.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Curiosidades fronteiriças

As fronteiras têm, às vezes, coisas que podem ser consideradas como absurdas ou, pelo menos, curiosas. No post de hoje vou falar numa delas. Já indiquei há tempo que uma das fronteiras mais utilizadas é a fronteira de Vilar Formoso/Fuentes de Oñoro. Todo o mundo usa, geralmente, a fronteira tradicional que liga o IP 5 à N 620 espanhola. No entanto, há outras "fronteiras" que são, como mínimo, curiosas.

Entre Vilar Formoso e Fuentes de Oñoro existe outra passagem fronteiriça que liga a N 332 com a aldeia espanhola. Depois de passar a ponte sobre a linha internacional do comboio e a estação de Vilar Formoso com esses belíssimos azulejos que oferecem ao visitante uma vista de Portugal em miniatura, deparamo-nos com um cruzamento onde, à esquerda podemos virar para Fuentes de Oñoro. O mais curioso e engraçado é que a linha de fronteira fica mesmo onde está situado o 'Stop' da rua, a Av. de Portugal, onde pretendemos virar. Quer dizer que uma simples viragem faz com que estejamos num país totalmente diferente, se bem que não é assim tão estranho já que muitas lojas "talhos", apresentam a sua sinalética também em português. Pode observa-se isso no primeiro dos mapas apresentados.

Mas a própria EN332 é uma estrada também fronteiriça. De Vilar Formoso até Nave de Haver a estrada é mesmo fronteira. Repare-se nesse facto no segundo mapa onde a linha de fronteira vai paralela à estrada mencionada até o desvio para Nave de Haver. À estrada portuguesa temos de acrescentar uma estradinha ou passeio não alcatroado paralelo que já é território espanhol conforme pode ver-se nas fotografias. Os marcos fronteiriços ficam entre as duas estradas, mesmo no capim, umas vezes mais perto, outras mais longe. No caso da segunda fotografia dá mesmo para perceber o marco situado antes do sinal de entrada a Vilar Formoso.

Esta é uma das muitas curiosidades existentes na fronteira, que mostram que, por vezes, não deixam de ser uma risca traçada parece que ao acaso, dividindo (mas nunca completamente) dois mundos. É nesses momentos quando um próprio fica a pensar no facto do diferente que é estar a um ou outro lado da fronteira quando esta é apenas uma linha que neste caso fica por estes lados mas poderia ficar noutros. Ou que do lado de lá posso tomar um cortado ou uma sandes de chouriço ibérico de Salamanca, enquanto do lado de cá fico com a tradicional bica e o pastel de nata e uma sandes de leitão. Ou que fico a ouvir cá os Xutos & Pontapés, o Pedro Abrunhosa e a Mariza, enquanto do lado de lá ouviria o Alejandro Sanz, a Isabel Pantoja ou Sara Baras. Tão perto, tão longe...


Foto 1. Marco fronteiriço na N 332. O lado direito é a parte espanhola.
Foto 2. Entrada a Vilar Formoso. Repare-se no marco fronteiriço da direita, perto da linha da estrada.




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Mapa 1. Fronteiras de Vilar Formoso/Fuentes de Oñoro.


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Mapa 2. Estrada N 332 e linha de fronteira paralela entre Vilar Formoso e Nave de Haver.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Ameijoeira/Entrimo

Talvez por nostalgia, talvez porque sinto algo mágico com o Norte de Portugal, mas Setembro sempre me deixa uma profunda saudade do Norte. Talvez esse tempo fresco, anunciando os frios do outono que são convidativos de ficar em casa e deliciarmo-nos com um caldo verde quente ou uma feijoada após um passeiozinho pela floresta, no meio de castanheiros e carvalhos, sentindo a humidade da chuva e do verde, as folhas amarelas no chão..., talvez sejam essas coisas as que me façam ter essa grande saudade do Norte na sua ampla expressão.

E como estamos a falar em fronteiras, nada melhor do que apresentar-vos uma das menos conhecidas e isoladas e, pode ser que por isso, mais mágicas e ancestrais. A fronteira da Ameijoeira não deixa de ser uma pequena estradinha para trânsito local. Quem vem de Lindoso e queira ir para o vale do Minho pode-se deslocar até Ponte da Barca e daí a Ponte de Lima e apanhar logo a A-3. Ou ir até Arcos de Valdevez e seguir logo até Monção. Mas também pode fazer outro percurso menos conhecido: segue até à fronteira da Madalena, entra na Galiza e logo, em Aceredo Novo vira à esquerda para passar a ponte sobre a barragem (encoro, em galego) do Alto Lindoso. Daí chega até A Terrachá, a capital do concelho de Entrimo, e por uma estrada serpenteante, vai subindo aos poucos até chegar à Ameijoeira (ou A Meixueira, em galego) como quem entra en qualquer povoação. A fronteira está situada mesmo quase na primeira (ou última, segundo o ponto de vista) casa. Não podem faltar, é claro, algumas pintadas de alguns nacionalistas galegos a dizer: Galiza nom é Espanha!, usando uma grafia denominada integracionista, que visa unificar a escrita da língua galega segundo os padrões da nossa língua portuguesa, já que o galego é encarado como um subsistema dentro do sistema galaico-português. E realmente as diferenças não são assim tantas como nos querem fazer ver, mesmo com as fronteiras mais ou menos definidas desde os inícios da Nacionalidade. Mas como este blogue é alheio a toda polémica política, falaremos sobre essa jóia que é Ameijoeira.

Ameijoeira é uma simpática aldeola que faz parte do concelho de Melgaço e depende da freguesia de Castro Laboreiro. Está, portanto, incluída no Parque Nacional da Peneda-Gerês. É uma aldeia serrana onde o casario é, fundamentalmente, de pedra, o que se compreende, visto estarmos numa zona relativamente elevada e de abundante pluviosidade. O granito é a pedra dominante, como aliás na Galiza e o resto da região. É uma aldeia onde poderemos entrar em contacto com a Natureza no seu estado mais puro, mas, precisamente por isso, onde não encontraremos nenhum serviço, nem mesmo os básicos, sendo obrigatórias as deslocações até Castro Laboreiro. Mas não é o que pretendemos...? Paz, sossego, ar puro?

Os costumes ancestrais ainda persistem em parte nesta região. Uma amostra disso é a existência, ainda, do forno do povo, uma construção primitiva em lajes e blocos de pedra de forma cónica, onde se cozia o pão. O entorno é caracterizado pela sua cor verdejante, entre montanhas, particularmente intensa em alguns dias de sol. A Serra da Peneda, sobre a qual Ameijoeira fica numa encosta, está sempre presente.

Depois do passeio, já com fome, talvez queira se deliciar com um caldo de farinha, ou uns grelos com rojões. Se preferir o peixe, como o Minho fica mesmo ao lado, umas trutas abafadas ou uma lampreia, se calha mesmo na primavera. Ainda poderá sentir o cheiro a lenha queimada que sai pelas chaminés enquanto lhe é preparada uma mesa com doses generosas... regadas com o inesquecível Alvarinho da região.

E como não podemos deixar que apareçam os "pneus" na barriguinha, nada melhor que dar um passeio pelas aldeias vizinhas, isso sim, sempre em contacto com a Natureza.

Foto 1. Posto fronteiriço da Ameijoeira visto do lado da Galiza.

Foto 2. Forno comunitário do povo.
Foto 3. Casas típicas da Ameijoeira.
Foto 4. Estrada N202-3 com a Galiza ao fundo.

A rentrée

Já voltei de férias. Esta mensagem é apenas para dar início de novo a este blogue. Vou estar muito ocupado com as minhas investigações históricas, pelo que não vou ter o tempo que eu quereria para actualizá-lo. Mesmo assim, tentarei que haja periodicamente alguma entrada para os interessados nisto, que suponho, serão poucos (embora possa haver surpresas, claro!). A questão é que a 'rentrée' este ano está-me a custar mais do que o costume. Daí a preguiça em fazer coisas. Espero que esta 'doença' não dure muito, e possa ter energias renovadas para encarar novos alvos. Desejo o mesmo para as pessoas que possam ler este blogue.

Força, então!