sábado, 7 de fevereiro de 2009

Curiosidades fronteiriças: Urbanización Caya

Uma das coisas que qualquer cidadão português médio sabe é que Badajoz é uma cidade fronteiriça. Basta atravessar o Caia é já nos encontramos em Badajoz. No entanto, Badajoz não é apenas a cidade, mas também o seu termo municipal, incluindo várias urbanizações situadas no seu território.

A mais interessante, do ponto de vista fronteiriço, é a Urbanización Caya (Urbanização Caia), um pequeno espaço onde estão situadas um bom número de vivendas no que é uma área residencial para pessoas de classe média-alta. A particularidade desta urbanização é a sua situação geográfica: fica mesmo na fronteira.

O limite fronteiriço encontra-se franqueado por dois caminhos de terra batida, um por cada estado, sendo que entre eles há uma fileira de árvores onde estão situados os marcos fronteiriços. O caminho da parte espanhola é chamado de Av. de Portugal!, mesmo quando não passa de ser um caminhozito qualquer. A questão é que quem morar lá, naquela urbanização e se achar mesmo no limite fronteiriço quase que pode sair da sua casa e... sair do país!

Pela parte portuguesa, encontramos, como não podia ser de outra forma, uma bela vista da planície alentejana, sendo que este território pertence ao concelho de Campo Maior por ficar para além do Caia, rio que constitui a divisória entre este concelho e o concelho de Elvas antes de passar a ser o limite entre Portugal e Espanha.

Como é habitual neste blogue, lá vão algumas fotografias ilustrativas desta mais uma curiosidade fronteiriça.

Foto 1. Marco fronteiriço 798 do lado de Espanha.
Foto 2. Av. de Portugal ou o caminho de terra batida do lado espanhol.
Foto 3. Marco fronteiriço 798 do lado de Portugal.
Foto 4. Caminho de terra batida pela parte portuguesa em território de Campo Maior com vista de Elvas ao fundo.
Foto 5. Caminho português e vista da fileira de árvores e caminho paralelo espanhol.


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sábado, 24 de janeiro de 2009

Lamadarcos e os povos promíscuos

No limite com a Galiza, no concelho de Chaves, situados na região do Alto Tâmega, existem umas aldeias que foram conhecidas pelo nome de "povos promíscuos". Trata-se das aldeias de Lamadarcos (oficialmente Lama de Arcos), Cambedo e Soutelinho da Raia. Não é a minha intenção falar hoje do que foram esses "povos promíscuos" nem da sua História. Simplesmente direi, por enquanto, que se trata de umas aldeias que, por séculos, ficaram divididos pela linha divisória da Raia, fazendo com que houvesse uma mistura entre galegos e portugueses, o que favorecia, aliás, o contrabando e uma adscrição a uma ou outra nacionalidade dependendo das circunstâncias. Foi o Tratado de Limites de Lisboa de 1864 que pôs fim a esta situação, ficando Portugal na posse definitiva das aldeias, em troca do Couto Misto, território do qual falaremos em outra ocasião.

Uma dessas aldeias era Lamadarcos, onde a fronteira passa a menos de 200 m. da localidade. É uma aldeia com duas igrejas e o casario é o típico da região do Alto Tâmega e da Galiza, com a presença do granito como material de construção. É mesmo uma aldeia raiana, não apenas pelo facto de a fronteira discorrer a poucos metros da mesma, mas também porque o acesso à localidade é feito a través de uma estrada que começa a apenas pouco mais de 100 m. da fronteira de Vila Verde da Raia/Feces de Abaixo, muito utilizada no trânsito local e nas comunicações entre Chaves e Verín.

De resto, é uma aldeia rural da região, sem outra característica própria que a de ter sido um dos chamados "povos promíscuos". Eis aqui umas fotos tomadas numa fria tarde de inverno onde uma sopinha bem quente vinha mesmo a calhar e um entrecosto de porco com batata assada no forno e arroz e uma maçã assada com canela e vinho do Porto que fazia parte da ementa da qual tive o prazer de me deliciar!

Foto 1. Campos de Lamadarcos, mesmo no fundo da aldeia. A casa da fotografia é a última da aldeia e fica já no meio das serras galegas vizinhas.
Foto 2. Pôr do sol de inverno em Lamadarcos.
Foto 3. Casario tradicional em Lamadarcos.
Foto 4. Vista geral da aldeia com a Igreja matriz.
Foto 5. Ponte fronteiriça vista do lado de Portugal.
Foto 6. Ponte fronteiriça vista do lado da Galiza.
Foto 7. Aldeia de Lamadarcos vista da fronteira.

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Mapa 1. Mapa de situação dos "povos promíscuos".

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Mapa 2. Lamadarcos no seu contexto geográfico.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Fronteiras: Petisqueira/Villarino de Manzanas

De certeza que os meus caros leitores terão achado em falta novos tópicos durante estas semanas. Pois é! Com o Natal, aproveitei para ver a família que tenho em outras partes do país e do estrangeiro e, é claro, não tive ocasião de actualizar este blogue. Mas não me mantive inactivo. As viagens foram também uma oportunidade de poder conhecer ou voltar a lugares da Raia, por vezes esquecidos, mas que também resultam muito interessantes.

Um destes lugares, que não é fronteira nem nada, é a "fronteira" entre a Petisqueira e Villarino de Manzanas. Meto o termo 'fronteira' entre aspas porque realmente é apenas um caminho de terra batida e uma ponte de cimento no meio do rio Maçãs/Manzanas, mas que é muito útil, sobre tudo quando a outra opção de chegar de carro da Petisqueira até Villarino ou viceversa é fazê-lo pela fronteira de Quintanilha, o que representa um percurso de 55 km. contra um que não chega nem a três.

Trata-se de uma região muito esquecida, tanto do lado de Portugal como do lado de Espanha. Villarino de Manzanas é, junto com Riomanzanas, uma das aldeias mais apartadas da civilização na comarca zamorana de Aliste, região que foi portuguesa nos tempos do primer rei português, D. Afonso Henriques. A Petisqueira, por sua vez, faz parte da freguesia de Deilão, junto com esta localidade e a vizinha Vila Meã, dentro do extenso concelho de Bragança. Trata-se de uma aldeia muito pequena, com apenas 20 moradores, mas muito interessante do ponto de vista etnográfico e linguístico.

A zona faz parte da região da Lombada, um território caracterizado pelas altas planícies e lombas existentes que atingem os 959 m. de altitude perto de S. Julião de Palácios. A nascente fica uma fronteira limitada pelo rio Maçãs (ou Manzanas, em espanhol), afluente do Sabor, que por sua vez, é um afluente do Douro. O início de tal raia 'húmida' é precisamente uns 200 m. acima deste ponto fronteiriço. O rio servirá de fronteira até a sua entrada definitiva em Portugal águas abaixo de Paradinha e Latedo, entrando no concelho de Vimioso. Nesta parte o rio fica já levemente encaixado entre montanhas, mas com o decorrer do mesmo, as encostas são mais íngremes e adquirem a aparência de 'arribas' tal como no troço do Douro Internacional.

Do ponto de vista histórico não há muitas notícias sobre a região pelo menos quanto às suas prováveis origens e também não sabemos muito bem se o território sempre esteve na posse de Portugal ou não. As Inquirições de D. Afonso III em 1258 mostram que o território já fazia parte do nosso país. Para quem não saiba o quê são as Inquirições, simplesmente dizer que foram uns inquéritos (inquisitiones) feitas por diversos reis de Portugal com o fim de arrecadar informação sobre os seus domínios, nomeadamente naqueles casos onde se suspeitava que tinham havido usurpações de direitos reais relativamente aos impostos, como aliás, se verificou em inúmeras ocasiões nestas terras de fronteira. O povoamento parece ter estado relacionado com mosteiros leoneses, designadamente o mosteiro de S. Martinho da Castanheira, um mosteiro benedictino situado na vizinha região da Sanábria (Seabra), junto do lago do mesmo nome, e que esteve, em Portugal, na posse de diferentes propriedades em diferentes aldeias do concelho de Vinhais e Bragança como também na Terra de Miranda.

Daí que etnográficamente, apesar de separados pela fronteira, a Sanábria e a Lombada compartilhem alguns elementos comuns. O mesmo se pode dizer quanto à língua. Se bem que o português é falado nesta região enquanto língua nacional, também se fala (ou se falava) o chamado dialecto maçaneiro, que faz parte de um conjunto de falares chamados , pela sua situação geográfica, falares raianos, e que não são de origem portuguesa mas sim leonesa ou, melhor dito, asturo-leonesa. Se bem que não quero agora falar nisso, já que tenciono fazê-lo num 'post' específico sobre a questão, baste dizer que se verificam muitas interferências entre o português e o asturiano ou astur-leonês nesta região, como aliás, seria de esperar.

É, sem dúvida, uma região muito interessante, povoada por gente simples, mas amável e aberta com o visitante. Mas com estes dias de frio que estamos a passar, talvez deviamo-nos deliciar com uma sopa de couve nabiça quente e uma boa posta de vitela mirandesa, não acham? Pois é!

Foto 1. Marco fronteiriço situado na parte espanhola do rio Maçãs/Manzanas.
Foto 2. Rio Maçãs visto do próprio limite fronteiriço, a Sul. Portugal fica à direita e Espanha à esquerda.
Foto 3. Rio Maçãs visto a Norte. Portugal fica à esquerda e Espanha à direita.
Foto 4. Parque de merendas existente na parte espanhola.
Foto 5. Estrada de ligação entre a fronteira e a Petisqueira. É também a entrada para o Parque Natural de Montesinho.

Foto 6. Ponte sobre o rio Maçãs e ponto fronteiço.


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Mapa 1. Mapa de situação.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Curiosidades da Raia: Marco/El Marco

Uma das coisas que tem a Raia são as curiosidades fronteiriças que lá podemos encontrar. Hoje vamos falar no caso das duas aldeias gémeas (realmente são uma única aldeia) com a particularidade de estarem separadas pela fronteira, um riacho conhecido como Ribeira de Abrilongo.

A aldeia do Marco é uma aldeia que faz parte da freguesia de Esperança, no concelho de Arronches, enquanto a aldeia de El Marco é uma freguesia do concelho de La Codosera (Badajoz). A particularidade desta aldeia geminada não é o facto de estar situada na fronteira. Aldeias na fronteira há muitas, mas todas têm esse pormenor que as diferencia umas das outras. Até a criação de uma estrada de ligação entre ambos os dois países, a única comunicação possível foi uma pequena ponte sobre a Ribeira de Abrilongo.

Lá, na parte portuguesa da aldeia existe um marco fronteiriço, o 713-B, colocado na sequência do Tratado de Limites de Lisboa de 1864. Como todos os marcos fronteiriços, a parte de Portugal fica na direcção dos lados de Portugal e a parte de Espanha para os lados de lá. No entanto, o português é a língua normal de comunicação nesta região. Como veremos em outro post que indexarei mais adiante, segundo as circunstâncias o permitam, esta região foi uma região de colonização de camponeses alentejanos, nomeadamente no último quartel do século XIX, abrangendo grande parte do território do concelho ou ayuntamiento de La Codosera, que nos permite falar de uma Extremadura portuguesa ou alentejana ou de um Alentejo espanhol ou extremenho. Não admira, pois, que o casario tradicional, salvando as distâncias de uma ou outra influência, seja plenamente alentejano, mesmo nestas aldeias territorialmente espanholas.

A ponte tradicional era uma ponte de chapa com uma varanda, que veio ser substituída por uma nova ponte em madeira, muito mais larga e mais moderna, conforme pode ser visto nas fotografias adjuntas. De resto, a aldeia, ao contrário que as aldeias alentejanas tradicionais, fica um bocado dispersa entre os campos adjacentes, sendo que o núcleo fundamental é o apresentado no mapa e que fica no mesmo limite fronteiriço. No entanto, existem muitas outras casas nas redondezas num rádio de um quilómetro.

A agricultura, sobre tudo a oliveira, continua a ser muito importante, tal como o comércio, tanto na parte portuguesa como a espanhola, com duas lojas de venda à retalho de relógios, toalhas, candeeiros, faqueiros, etc., direccionados claramente para um cliente espanhol que procura em Portugal bons produtos a preços mais reduzidos. Existe também algum café e posto dos correios, mas a sensação é claramente de um lugar rural, pouco desenvolvido e sem muita movimentação, se bem que os contactos transfronteiriços são muito intensos já que os matrimónios mistos são muito frequentes e pela proximidade, para além da oportunidade de comprar produtos que são mais baratos de um e de outro lado da fronteira. Afinal, nem tudo tem de ser mau...

Por outro lado, a aldeia fica integrada (no que respeita à parte portuguesa) no Parque Natural da Serra de São Mamede, sendo que pode ser um bom ponto de partida para fazer excursões pela serra, tanto na sua parte portuguesa como espanhola, e descobrir uma herança portuguesa muito desconhecida para os portugueses, mas também para os espanhóis, das terras espanholas vizinhas.

Foto 1. Marco fronteiriço 713-B. Lado de Portugal.
Foto 2. Marco fronteiriço 713-B. Lado de Espanha.
Foto 3. Ribeira de Abrilongo vista do lado de Portugal. O lado direito é o lado de Espanha.
Foto 4. Ponte antiga, de chapa, fotografada do lado de Portugal.
Foto 5. Ponte nova, fotografada do lado de Espanha. Com alguma dificuldade pode-se ver o marco fronteiriço no final da ponte.
Foto 6. Rua de El Marco, parte espanhola.
Foto 7. Casas alentejanas em El Marco (parte espanhola)
Foto 8. El Marco visto do Marco, com a ponte e o marco fronteiriço.
Foto 9. Café e posto dos Correios do Marco.
Foto 10. Comércio no Marco.
Foto 11. Campo de oliveiras entre as casas dispersas do Marco/El Marco.

domingo, 7 de dezembro de 2008

"Rayanos": Um olhar sobre a Raia do ponto de vista da Extremadura espanhola

Interessante vídeo do programa Esferas da Extremadura Televisión, a televisão regional da Extremadura espanhola. Há um capítulo dedicado à Raia do ponto de vista da Extremadura espanhola, muito interessante. Tem uma duração de 39 minutos e é falado tanto em espanhol (maior parte do tempo) como em português.

Pode ver o vídeo aquí.


Espero que gostem!

domingo, 16 de novembro de 2008

Sem fronteiras... ou não?: O caso de Juromenha/Vila Real

Num lindo passeio pelas Terras de Olivença cheguei até a aldeia de Vila Real (Villarreal, em espanhol), uma pacata e aprazível aldeiazinha alentejana. Depois de passar um outeiro onde a aldeia fica ao lado esquerdo, a estrada continua até finalizar num pequeno embarcadouro no Guadiana, lugar do qual tomei algumas das fotografias que cá aparecem.

Não é a minha intenção falar em política. Este blogue é totalmente neutral, pelo que não tocarei no assunto da chamada "Questão de Olivença". Mas referirei alguns factos históricos e farei uma chamada de atenção para o facto de haver ou não haver fronteiras.

Vila Real é uma aldeia com menos de 100 habitantes que fica a uns 10 km. de Olivença e frente ao castelo de Juromenha. Como já referimos em outro post, o castelo de Juromenha chegou a ser muito importante, sendo que a própria povoação era a sede de um concelho. Hoje, com pouco mais de 100 habitantes também, é apenas uma freguesia do concelho de Alandroal. O território do concelho de Juromenha abrangia a aldeia de Juromenha, mas também a aldeia de Vila Real, que não pertencia a Olivença, mas à referida aldeia de Juromenha.

Com a Guerra das Laranjas de 1801 e anexação do território a Espanha, a aldeia ficou integrada no concelho ou município (ayuntamiento, em espanhol) de Olivença. E desde então assim foi. A aldeia fica situada num outeiro do qual vê-se a planície toda, incluíndo a aldeia de Juromenha e Olivença, uma planície muito fértil, viçosa, onde não faltam videiras e oliveiras, para além do clássico montado alentejano. Tem, além do mais, uma linda igrejinha, do tipo ermida, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, facto que mostra a pegada histórica portuguesa na povoação.

O casario é também típicamente alentejano e é, talvez, uma das aldeias oliventinas onde se conserva melhor, sem alterações, essa herança portuguesa. De facto, uma comparação de duas fotografias de duas aldeias, sendo que uma delas é Vila Real e a outra outra aldeia alentejana qualquer como Juromenha, Vila Boim ou Barbacena (estas últimas, ambas as duas, freguesias e aldeias pertencentes ao concelho de Elvas) faria com que não achássemos qualquer diferença, pelo que seria difícil saber que aldeia fica hoje sob a administração espanhola. Até porque o português continua a ser a língua mais falada na aldeia, para além, é claro, do espanhol.

As fronteiras físicas desapareceram felizmente com a entrada de Portugal e Espanha na União Europeia e a adesão dos dois estados ao Tratado de Schengen, que supus a desaparição dos controlos fronteiriços. Mas neste caso, a fronteira não desapareceu de todo. Continua a haver uma fronteira física entre as duas aldeias, Juromenha e Vila Real: o Rio Guadiana. Se antigamente o gado até podia passar nos tempos da seca pelo rio, hoje, com a construção da barragem de Alqueva é impossível. A única ligação possível é através de barco, numa travessia entre ambos os dois embarcadouros. A não ser, claro, que se queira ir de carro. Mas para isso é precisso dar uma grande volta: de Juromenha até Elvas, de Elvas até Olivença por meio da nova ponte da Ajuda e de Olivença até Vila Real. De embarcadouro a embarcadouro, que ficam a menos de 200 m em linha recta, 43 km., sem mais nem menos. É isso porque desde 2001 existe a nova ponte da Ajuda, porque de não ter sido assim, o percurso seria ainda mais longo, tendo que acrescentar mais uma voltinha até Badajoz.

A solução ideal era construir uma ponte, mas somos muito pessimistas à respeito. Se a nova ponte da Ajuda demorou tanto a ser construída (até 2001) e isso que ligava duas localidades como Elvas e Olivença, para servir a mais de 30.000 habitantes, é difícil pensar em uma ponte para tão poucas pessoas, uma vez que a necessária ponte entre Alcoutim e Sanlúcar de Guadiana (ver post relacionado) ainda não se construiu, ficando a fronteira de Vila Real de Santo António como a única ligação do Algarve para a Andaluzia. A ponte apresentaria mais dificuldade técnica do que a ponte da Ajuda, já que a barragem de Alqueva alagou parte daqueles terrenos, sendo que esta zona constitui a cauda do Grande Lago, o que faria que o seu comprimento fosse maior (200-300 m. ou talvez mais; não sou muito bom a calcular distâncias. He. He. He.). Para além de comunicar as duas aldeias, também abriria o trânsito para uma ligação directa de Évora com Olivença através do Redondo e do Alandroal, para além das localidades da Extremadura espanhola que ficam para além de Olivença. Mas como não há, é por isso que começei pela pergunta:

Sem fronteiras... ou não?

O que é que acham?

Foto 1. Pôr do sol no embarcadouro de Vila Real sobre o Guadiana com a silhueta de Juromenha.
Foto 2. Castelo de Juromenha visto do embarcadouro de Vila Real.
Foto 3. Vista da planície alentejana e do Guadiana do embarcadouro de Vila Real.
Foto 4. Anoitecer no Guadiana.
Foto 5. Embarcadouro de Vila Real.
Foto 6. Vista geral de Vila Real.
Foto 7. Casario alentejano em Vila Real.
Foto 8. Igreja matriz de Nossa Senhora da Assunção, Vila Real.

Mapa 1. Percurso rodoviário preciso para se deslocar de Juromenha até Vila Real.

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terça-feira, 11 de novembro de 2008

Fortalezas da Raia: Noudar

Uma das fortalezas talvez mais desconhecidas da Raia seja o Castelo de Noudar.

Situado na freguesia e concelho de Barrancos, localidade da que dista uns 10 km., fica mesmo junto da fronteira, situado entre a Ribeira de Múrtega e a de Ardila, na margem esquerda do Guadiana.

Supõe-se uma primitiva fundação nos tempos dos muçulmanos, talvez para o século X ou XI, na linha do caminho que fazia ligação com Beja. Mas será após a sua Reconquista e pelo seu papel de guardião da fronteira que atingirá um papel de mais relevo. Se bem foi reconquistada pelos portugueses, será o rei Afonso X de Castela quem lhe dê foral em 1253, data na qual o território estavam na posse deste reino e fez parte do dote deste rei para D. Afonso III por este ter casado com a sua filha. No entanto, pelo Tratado de Badajoz de 1267, toda a margem esquerda do Guadiana ficou de novo em poder de Castela, já que o próprio rio foi estabelecido como limite fronteiriço, incluindo as fortalezas de Serpa, Moura e Noudar.

Será nosso rei D. Dinis quem consiga a posse definitiva da fortaleza pelo Tratado da Guarda de 1295, entre D. Dinis de Portugal e Fernando IV de Castela, tratado prévio ao Tratado de Alcanices de 1297, pelo qual se definiram as fronteiras entre o nosso país e Castela. Será em Dezembro de 1295 que D. Dinis outorgue foral à localidade, doando-a à Ordem de Avis com a condição de reconstruir o castelo em 1303, obras que acabaram, pelos vistos, em 1308, segundo duas inscrições epigráficas.

A vila receberia um Foral Novo em 1513 de mãos do rei D. Manuel I e pelos vistos constava de barbacãs circundando o castelo segundo indica o Livro das Fortalezas de 1509 de Duarte de Armas. Permaneceria sob a dominação espanhola, para além da época filipina, de 1644 até 1715, aquando da restituição definitiva pela Espanha consoante o estabelecido pelo Tratado de Utrecht de 1713.

O concelho de Noudar foi extinto em 1825, facto que motivou o declínio da povoação que optou por emigrar progressivamente à vila de Barrancos, da qual dependia. O castelo passaria a mãos privadas depois de ser arrematada a sua venda em hasta pública em 1893 e não seria até 1997 que a Câmara Municipal de Barrancos conseguiria adquirir o monumento, desenvolvendo-se desde então um plano de investigação arqueológica.

É, sem dúvida, um recanto com charme, que vale a pena visitar, não tanto pelo castelo, que também, mas sobre tudo pela inebriante paisagem das redondezas, que induz à calma e à reflexão.

Foto 1. Torre de Menagem.
Foto 2. Muralha sul.
Foto 3. Ribeira de Múrtega vista da muralha Oeste.
Foto 4. Muralha Oeste.
Foto 5. Terras espanholas das redondezas (província de Badajoz) vistas do Castelo de Noudar.
Foto 6. Muralha Norte e vista da Ribeira de Ardila.
Foto 7. Interior do Castelo.
Foto 8. Igreja.
Foto 9. Barrancos vista de Noudar.
Foto 10. Meandro da Ribeira do Ardila, sendo que a parte exterior é espanhola.

Foto 11. Planície alentejana vista do Castelo de Noudar.