sábado, 16 de maio de 2009

Fronteiras: Parra/La Tojera (Tojeira)

Talvez uma das fronteiras menos conhecidas do Alentejo/Extremadura é a fronteira que liga a aldeiazinha de Parra com La Tojera (Tojeira). Trata-se de duas aldeias pequeninas, uma dependente da freguesia da Esperança, concelho de Arronches e a outra depende do município de La Codosera, na província de Badajoz, Extremadura espanhola, separadas ambas as duas aldeias pela Ribeira de Abrilongo.

A região está situada ao sopé da Serra de S. Mamede. De facto a própria aldeia de Parra faz parte do Parque Natural da Serra de S. Mamede, que se extende por estes lados. Do outro lado da fronteira, situa-se o que eu chamo de Extremadura alentejana, visto que as aldeias situadas na região fazem parte dessa franja de território onde se fala a nossa língua portuguesa, como consequência das migrações havidas no último quartel do século XIX (após o Tratado de Limites de Lisboa de 1864) e começo do século XX.

Para quem vem de Portugal, resulta ser uma agradável surpresa encontrar aldeias como El Marco (gémea do Marco, já referida), La Tojera (ou Tojeira), Bacoco ou La Rabaza (gémea da Rabaça) onde, apesar das misturas do casario com traços da Extremadura espanhola, é óbvio que se trata de aldeias alentejanas. Para quem vem de Espanha ou mesmo da região extremenha, encontra-se com uma zona desconhecida, diferente, que antecipa o nosso Alentejo.

Para além do casario, a paisagem envolvente é espectacular e vale mesmo a pena dar uma voltinha pelas montanhas circundantes. Porque na Raia existem muitos recantos desconhecidos, mas que oferecem visões onde o homem entra em contacto com a Natureza e se encontra a si próprio...

Foto 1. Fronteira de La Tojera (Tojeira). Lado de Espanha.
Foto 2. Fronteira de Parra. Lado de Portugal.
Foto 3. Vista geral da Tojeira.
Foto 4. Campos ribeirinhos (Ribeira do Abrilongo) do lado português vistos do limite fronteiriço.
Foto 5. Vista geral de Parra.
Foto 6. Casario alentejano de La Tojera (Tojeira).


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Mapa 1. Mapa de situação com indicação das sedes de concelho.


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Mapa 2. Mapa de situação da fronteira Parra/Tojeira.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Aldeias fronteiriças: Hermisende, S. Cibrão, Texeira

Na província de Zamora, no seu recanto ocidental, encontramos o concelho de Hermisende. Nada teria de particular se não fosse pela sua peculiar história e o facto de ainda existir a pegada da presença portuguesa na região. Trata-se de um concelho limítrofe com a Galiza e que faz parte da região das Portelas (região situada entre a portela (ou alto) da Canda e do Padornelo), embora vulgarmente seja enquadrada na região da Sanábria (Seabra).

Este concelho está formado por várias aldeias que totalizam pouco mais de 300 habitantes, sendo que Hermisende é a mais populosa. Destas aldeias, duas, Castrelos e Castromil pertencem ao ámbito linguístico galego, designadamente o dialecto portelego central, esta última está partida em duas partes pelo limite entre a província de Zamora e a Galiza, havendo uma parte galega, com mais habitantes, e outra de Zamora. As restantes aldeias são três: a própria Hermisende, San Ciprián de Hermisende y La Tejera. A particularidade destas aldeias é que no início eram aldeias portuguesas, pertencentes à província de Trás-os-Montes, e o foram até 1640, ano em que ficaram integradas no reino da Galiza, entidade administrativa existente na altura na Monarquia Hispânica. O nome delas, em português, era Hermisende (ou Ermesende), São Cibrão e Teixeira.

Trata-se de aldeias de xisto onde se misturam traços portugueses de tipo transmontano relacionados com a Terra Fria, designadamente na arquitectura popular, com outros próprios da Galiza e ainda elementos construtivos gerais em Espanha. O xisto, ao contrário que em Trás-os-Montes manteve-se até ao dia de hoje nos telhados das casas, o que não se verifica na Terra Fria a não ser algumas aldeias como Rio de Onor ou Montesinho, enquanto noutras a laje de xisto para o telhado mantém-se nas construções mais antigas e em franca regressão.

A língua falada lá, para além do espanhol ou castelhano, continua a ser a língua portuguesa, segundo o eminente filólogo Luis Cortés Vázquez, já falecido, professor catedrático na Universidade de Salamanca e que fez inquéritos linguísticos na região, definindo a fala do lugar como essencialmente portuguesa, com algumas influências galegas e do castelhano. Uma amostra disto será providenciada noutro 'post' mais adiante.

Isto é mais uma prova de que as fronteiras linguísticas nem sempre têm correspondência com as fronteiras políticas. Também não é verdade que Alcanices viesse a instaurar a fronteira mais antiga da Europa, visto que sofreu várias modificações com a passagem do tempo, como foi referido neste caso.

De qualquer forma, é uma região interessante e linda de se ver para quem quer ficar em contacto com a natureza e gosta da simpatia de gentes simples mas abertas para com os visitantes. Para quem vem de Portugal pode fazê-lo pela fronteira de Moimenta percorrendo Manzalvos, Cádavos e Castromil ou pela nova fronteira entre a Teixeira e Parâmio que liga esta aldeia com a de Fontes Transbaceiro, situada nessa freguesia do concelho de Bragança. Outra opção é aceder pela ligação da auto-estrada espanhola A-52 ou auto-estrada das Rias Baixas, na saída Lubián/Hermisende.

É óptima para passeios pelas montanhas, visto que a zona está cercada pelas serras do Marabón ao Noroeste, o sistema montanhoso Gamoeda-Montesinho para Leste e a Serra da Escusanha para sul, actuando esta como limite fronteiriço. No meio ficam o rio Tuela (que mais tarde se converte no Tua após a sua união com o Rabaçal águas acima de Mirandela) e o rio Baceiro, que percorrem este concelho antes de entrarem definitivamente em Portugal.

E para quem quiser tomar um refrescante banho numa tarde quente de verão, nada melhor do que fazê-lo perto da bela ponte românica que fica entre Hermisende e S. Cibrão, com uma paisagem espectacular envolvente...

Foto 1. Vista geral de Hermisende.
Foto 2. S. Cibrão visto de Hermisende.
Foto 3. Ponte românica sobre o rio Tuela.
Foto 4. Rio Tuela e Serra da Escusanha (limite fronteiriço nos cumes).
Foto 5. Vista geral da Teixeira.

Ver Hermisende num mapa maior

Mapa 1. Mapa geral de situação.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Curiosidades fronteiriças: Barragem do Abrilongo

Partindo da aldeia de Degolados e freguesia do concelho de Campo Maior achamos à direita da N371 uma estradinha alcatroada que nos conduz até aos montes vizinhos, mas também até à barragem do Abrilongo. Esta barragem está situada sobre a ribeira de Abrilongo, um pequeno riacho que nasce nas encostas da Serra de S. Mamede e faz fronteira com a Extremadura espanhola apartir da aldeia de Parra até a própria barragem antes de desaguar no río Xévora, afluente do Guadiana.

A particularidade da barragem é que parte dela está dividida em duas partes pela Raia, mas não pelo meio, como seria de esperar, mas sim apenas em parte. Quem vem de Degolados encontra-se com a estrada a passar acima da barragem até que, subitamente, deixa de estar alcatroada. É então substituída por um caminho de terra batida onde confluem outros caminhos que são fronteiriços.

A fronteira decorre então pelos arames farpados que delimitam os montados espanhóis vizinhos da Extremadura espanhola (em espanhol, dehesas), sendo que o caminho é inteiramente português, mas os campos são já espanhóis. É nesse contexto que aparecem dois marcos fronteiriços, o 716A e o 716B a marcar a Raia. Esse caminho conclui numa via morta que desaparece no fundo da barragem. Há, no entanto, a possibilidade de entrar em Espanha por outro caminho de terra batida que vai dar para este caminho e que liga a barragem com os montes (em espanhol, para os nossos leitores espanhóis, cortijos) extremenhos da vizinhança, que em nada se diferenciam dos portugueses no que respeita à sua utilidade económica como explorações agro-pecuárias.

Alguns dos arames farpados que delimitavam a fronteira deviam ser antigos, visto que é completamente visível o facto de alguns ficarem submersos na água. Como acontece sempre, podemos dar un pulo e mudar de país como quem muda de camisola...

De resto, a barragem fica situada numa região caracterizada pelo montado alentejano (ou se se preferir, alentejano-extremenho), com azinheiras e sobreiros como árvores mais representativas e resulta especialmente indicado para dar um passeio para quem quer entrar em contacto com a natureza ou quer passar uma tarde de primavera sossegado no meio de uma calmaria absoluta.

Foto 1. Ponto de ligação da estrada da barragem com o caminho de terra batida. A fronteira decorre pela zona delimitada pelos arames.
Foto 2. Marco fronteiriço 716B visto do lado de Portugal.
Foto 3. Continuação do limite fronteiriço. À esquerda se inicia o caminho de terra batida já em terras espanholas e a fronteira continua pela lomba observada à esquerda após a zona delimitada pelo arame.
Foto 4. Marco fronteiriço 716A.
Foto 5. Marco fronteiriço 716A com vistas para as vizinhas terras espanholas.
Foto 6. Panorâmica geral das terras espanholas visto do limite fronteiriço.
Foto 7. Panorâmica geral da barragem visto do limite fronteiriço (Norte).
Foto 8. Panorâmica geral da barragem visto do limite fronteiriço (Sul).
Foto 9. Continuação do limite fronteiriço nos arames farpados.
Foto 10. Terras espanholas vistas da cabeceira da barragem.
Foto 11. Vista geral da barragem.
Foto 12. Vista da barragem e dos montes alentejanos vizinhos.


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Mapa 1. Mapa de situação geral. O ponto azul indica a zona onde se inicia o percurso descrito nesta mensagem.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Fortalezas da Raia: Forte da Conceição/Fuerte de la Concepción

Praticamente na mesma fronteira, uma das fortificações da Raia mais emblemáticas é o chamado Forte da Conceição ou Fuerte de la Concepción. Situa-se na fronteira entre Vale da Mula e Aldea del Obispo, entre a Beira Interior e a província de Salamanca e é um bom exemplo (embora em ruínas) de fortaleza abaluartada nesta região junto das muralhas de Ciudad Rodrigo e a fortaleza de Almeida.

Iniciou-se a sua construção na Guerra da Restauração, em 1663, no dia 8 de Dezembro (daí o seu nome), mas foi destruído no ano seguinte, após a vitória portuguesa na batalha de Castelo Rodrigo. Foi reconstruído entre 1736 e 1758, mas com a Guerra Peninsular foi desactivado pelo Duque de Wellington em 1810, após a invasão de Portugal pelo general francês Massena. Desde então ficou como ruína até hoje.

Importa salientar a sua posição estratégica, que é bem visível pelo território que domina ao seu redor. Embora se erga, sobranceiro, sobre um pequeno outeiro não demasiado alto, controla a região que se extende até Fuentes de Oñoro a Sul, Castillejo de Dos Casas a Leste, Aldea del Obispo a Nordeste e, sobretudo, Vale da Mula a Poente, já em Portugal.

É imperdível a sua visita para quem ser fã das construções militares abaluartadas, juntamente com a vizinha Almeida, sita apenas a 8 km. Para mais especificações técnicas sobre a fortaleza, existe um bom artigo na Wikipédia espanhola (a Wiki portuguesa apenas faz uma referência muito superficial sobre o assunto) e pode ser consultado aqui.

Foto 1. Entrada ao forte.
Foto 2. Ruínas da fortaleza (Norte).
Foto 3. Ruínas da fortaleza (Sul).
Foto 4. Vista panorâmica para Sul até Fuentes de Oñoro.
Foto 5. Castillejo de Dos Casas visto do forte.
Foto 6. Vista geral de Aldea del Obispo.Foto 7. Vale da Mula visto do forte.


Mapa 1. Mapa de situação da fortaleza.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Fronteiras: Montalvão/Cedilho

Sem dúvida, uns dos recantos mais desconhecidos do país, para qualquer português ou espanhol é a «fronteira» de Montalvão/Cedilho. Pusemos o termo «fronteira» entre aspas porque não é bem uma fronteira do ponto de vista ao que estamos normalmente acostumados. A fronteira é, neste caso, uma barragem, que por cortesia da empresa espanhola Iberdrola, permite o trânsito de ligeiros designadamente aos finais de semana, a certas horas em que as viaturas podem passar pela barragem evitando, desse modo, ter de se deslocar para a fronteira de Galegos/Puerto Roque, que, como já vimos, liga Marvão com Valência de Alcântara.

Os vizinhos levam anos reclamando uma ponte neste lugar, mas nada se tem feito. Imaginamos que, se para o caso de Alcoutim/Sanlúcar de Guadiana, onde há muita mais população, não se fez nada ainda, muito menos neste caso, mesmo que muito mais singelo, onde o número de pessoas servidas é muito menor e ultrapassa por muito pouco, o milhar. Isto condena esta região a ser um verdadeiro «cul-de-sac», como foram, aliás, muitas zonas raianas até a integração ibérica na União Europeia. O lugar tem uma beleza induvitável nesta zona do Tejo Internacional. Não chega a ser tão íngreme como no caso do Douro Internacional e as suas arribas, mas quase.

Do ponto de vista etnográfico resulta muito interessante por ser uma zona de contacto de influências entre o Alto Alentejo e a Beira Baixa. É ainda, um lugar caracterizado pela sua fauna e flora, bem como os restos geológicos de outrora. É por isso que na região confluem o Parque Natural do Tejo Internacional, um dos últimos parques a ser declarado como tal, em 2000, e ainda o Geopark Naturtejo, integrando, portanto, a rede de geoparques da UNESCO, com interessantes geossítios, com destaque para as vizinhas Portas de Ródão, a escarpa de falha do Ponsul e ainda outros que podem ser descobertos no site indicado. É pena mesmo que a parte espanhola não esteja integrada, sobretudo a parte que se extende entre Cedilho e Alcântara, tendo em conta que tanto Cedilho como Ferreira de Alcântara (Herrera) são aldeias que falam a nossa língua portuguesa.

Sem dúvida, uma ponte na região seria um facto muito positivo. Do meu ponto de vista, a ponte não devia ficar apenas como uma ligação entre Montalvão e Cedilho, mas também com Monte Fidalgo. Isto iria possibilitar que Castelo Branco estivesse muito mais perto destas aldeias. Para Montalvão não haveria tanta diferença, mas mesmo assim, esta cidade ficaria a uma distância mais ou menos similar à de Portalegre. Quanto ao Cedilho, a vantagem seria enorme: 35 km. entre a aldeia e Castelo Branco contra 115 km. até Cáceres. Certamente uma pessoa que estivesse doente de urgência podia ser transportada de maneira muito mais rápida até ao Hospital de Castelo Branco do que até o de Cáceres, uma vez que os acordos entre Portugal e Espanha permitem a partilha de serviços em matéria de saúde. Infelizmente, os políticos são avessos a este tipo de coisas, e dificilmente olham para o benestar das pessoas, designadamente no caso de serem poucos votos e pouco significativas. Mas isso é lá outra conversa...

Como não podia ser de outra forma, nada melhor do que ilustrar isto com umas fotografias da região.

Foto 1. Vista geral da barragem de Cedilho do lado de Portugal.
Foto 2. Vista geral da barragem de Cedilho do lado de Espanha.

Foto 3. Outra vista da barragem do lado de Portugal. Questão: Por que a sinalética está em espanhol? Não deveria estar em português ou pelo menos ser bilingue? Mal, pela companhia.

Foto 4. Acesso à barragem e ao lado espanhol visto do lado português.
Foto 5. Acesso à barragem e ao lado português do lado de Espanha.
Foto 6. «Fronteira» portuguesa. Sinal de boas-vindas para a freguesia de Montalvão.
Foto 7. Vista da barragem da foz do Sever, no ponto em que desagua no Tejo, do lado de Portugal.
Foto 8. Vista da barragem na foz do Sever vista do lado de Espanha.
Foto 9. Rio Sever visto do lado de Espanha.
Foto 10. Vista da foz do Sever e ponte de acesso ao lado de Espanha.
Foto 11. Embarcadouro do rio Sever no lado português.
Foto 12. Vista do Tejo do lado de Espanha com vistas à Beira Baixa (embarcadouro de Monte Fidalgo).
Foto 13. Tejo Internacional: Espanha (direita) e Portugal (esquerda).
Foto 14. Tejo Internacional com o Parque Natural do Tejo Internacional na margem direita do rio.


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Mapa 1. Mapa de situação (Montalvão fica a uns 10 km. para sul da barragem).

segunda-feira, 30 de março de 2009

Fronteiras: Aldeia da Ponte/Alberguería de Argañán

Na região da Beira Interior, no concelho do Sabugal, encontramo-nos com mais uma fronteira, neste caso na freguesia de Aldeia da Ponte. A pouco mais de 5 km. chegamos até à aldeia de Alberguería de Argañán, na província de Salamanca, com uma paisagem de peneplanície muito semelhante.

Resulta interessante para quem quer comparar ambos os dois lados da Raia, visto ficar perto da fronteira da qual já falamos anteriormente de Batocas/Alamedilha e Aldeia do Bispo/Navasfrías, o que é muito importante em termos de ligações transfronteiriças e vontade de entendimento e comunicação.

Resulta ainda uma região muito interessante do ponto de vista dos recursos naturais e histórico. Do ponto de vista histórico contamos com o facto de esta região ter pertencido à região de Riba Côa, na posse do reino de Leão até ao Tratado de Alcanices de 1297. De facto, temos estudos de Lindley Cintra que falam dos dialectos leoneses que cá se falavam antes de se impor definitivamente a nossa língua portuguesa, como ficou demonstrado nos foros de Castelo Rodrigo. Sem dúvida, a fortaleza desses falares foi muito menor, visto que os falares ásturo-leoneses ainda pervivem na língua mirandesa e nos falares raianos de Rio de Onor, Guadramil, Deilão e Petisqueira, no Nordeste Transmontano. Quer seja porque se trata de uma região menos isolada, mais exposta a novas influências, quer seja porque a influência desses falares foi muito menor, a realidade é que o que se fala na região é um dialecto beirão, com alguns traços talvez ásturo-leoneses como o facto de chamarem ao grão-de-bico "gravanços". Resulta interessante a visita ao património de aldeias como Alfaiates ou Vilar Maior, para além da vila do Sabugal. É linda de ver a aldeia da Sortelha, se bem que já fica longe do espaço propriamente raiano.

Do ponto de vista biológico é imprecindível a visita à Serra de Malcata, que pode ser ampliada, além fronteiras, para a Serra de Gata, nomeadamente na região de El Rebollar, dependente de Ciudad Rodrigo, mas próxima à fronteira, onde ainda se conservam traços dos antigos falares ásturo-leoneses. A fauna e flora destas serras é simplesmente espantosa, para além de nos proporcionar belas vistas e flashes de um mundo em transição, onde ainda se conservam antigas tradições que, infelizmente, não voltará.

Foto 1. Limite fronteiriço de Portugal visto do lado de Espanha.
Foto 2. Fronteira espanhola vista do lado de Portugal.
Foto 3. Vista geral de Alberguería de Argañán.
Foto 4. Vista geral de Aldeia da Ponte.


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Mapa 1. Mapa de situação da fronteira e de ambas as aldeias.

sábado, 21 de março de 2009

Fronteiras: Vilarelho da Raia/Rabal

A região do Alto Tâmega é uma região natural, dividida entre a Galiza e o nosso país, mas que pertenceu integramente à diocese de Braga, já que o território actualmente galego era conhecido como Terra de Baronceli, tendo estado na posse da citada diocese durante todo o século XI e, em parte, durante o século XII, quando, com a formação da Nacionalidade e a consolidação de Portugal como reino independente de Leão fez com que a diocese de Ourense reclamasse o território, tendo ficado com ele, primeiro uma metade e logo finalmente de forma completa.

Mas isso não foi entrave para as comunicações e os contactos, que continuaram sendo muito intensos, para além da fronteira, que continuou a ser bastante duvidosa, como já temos falado, por exemplo, com a questão dos «povos promíscuos» de Lamadarcos, Cambedo e Soutelinho da Raia. O limite fronteiriço actual é tão ténue, que até dá para rir. Um bom exemplo disso é o caso da fronteira de Vilarelho da Raia/Rabal. Para quem vem de Verín pela actual estrada N 532 (daqui a pouco haverá uma auto-estrada de ligação com a A 24), depois de ter passado Tamaguelos e antes de chegar a Feces de Abaixo, deverá virar à direita em direcção Rabal, passar a aldeia e seguir pelo indicador de «Portugal» (Por que não Vilarelho e não deixa tanta constância da fronteira política? Quem vem de Chaves, deverá passar por Outeiro Seco, Vilela Seca e Vilarelho para chegar à linha de fronteira, a não ser que o faça pela fronteira de Vila Verde da Raia, passe Feces e logo vire à esquerda, já na Galiza, na direcção de Rabal.

A fronteira são os próprios campos cultivados, lameiros e os marcos que se intercalam entre eles. A estrada de ligação entre ambas as aldeias passa pelo marco 244. Como se pode ver pelas fotografias, um simples marco faz com que as videiras e a oliveira da primeira fotografia fiquem na parte da Galiza, enquanto as couves da segunda fotografia já ficam na parte de Portugal. Para fazer uma piada com isto: Não entendo muito de plantas, mas aquelas couves não são por acaso couves galegas???!!! Ainda bem que essa horta tem arame, senão é capaz de vir um galego apanhar as couves e dizer: -Esta couve é minha. E com razão!

Isto não deixa de ser uma simples curiosidade, caricata até, mas mostra o quanto pode mudar uma vida por estar de um ou de outro lado da fronteira. E é que afinal as fronteiras influenciam muito mais do que nós pensamos. Muito Espaço Schengen mas as fronteiras não desaparecem da noite para o dia, muito menos as mentais ou as sociológicas.

Deliciem-se entretanto, com as couves. Mmmm... estou a pensar em fazer um caldo verde. O que é que acham?

Foto 1. Fronteira vista do lado de Vilarelho com sinalética galega incluída.
Foto 2. Fronteira vista do lado de Rabal, com as famosas couves.
Foto 3. Vista geral de Vilarelho da Raia visto do limite fronteiriço.


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Mapa 1. Mapa de situação com indicador do limite fronteiriço.