quinta-feira, 15 de abril de 2010

Fronteiras: Fontes de Transbaceiro/Teixeira

Uma das fronteiras talvez mais desconhecidas é a que liga a aldeia das Fontes de Transbaceiro até à Teixeira (La Tejera). Se bem que as relações entre ambos os dois lados da fronteira sempre foram constantes (não esqueçamos o facto de a Teixeira ter pertencido a Portugal), realmente não existiu nenhuma ligação fronteiriça por estrada até 2006.

Esta fronteira é óptima para quem gosta de se perder (como eu) pelas serras, entre aldeias e sentir a beleza da solidão numa paragem incrivelmente linda e cheia de vida como é esta região do Transbaceiro, do lado do concelho de Bragança, e as Portelas, do lado da província de Zamora mas tradicionalmente fazendo parte da vizinha Galiza junto com outras aldeias como Hermisende (Ermesinde) ou Lubián.

Esta sensação de isolamento talvez possa ser sentida em vários momentos do ano: o Inverno, num dia claro como o das fotografias mas com uma sensação de frio convida a uma sopinha quente numa casa de pedra da região enquanto uma chaminé cheia de lenha queima-a lentamente e ouve-se o doce crepitar e saltam as pequenas faíscas que ressaltam da madeira. O Verão, no entanto, permite pensar no calor quente, passarinhos a voar e o cheiro dos tojos, as giestas e outras plantas do mato enquanto lobos e veados convivem juntamente no mesmo espaço e não é impossível vê-los em algum momento do dia.

São, sem dúvida, percepções sensoriais que só podem ser usufruídas nesse cantinho do Parque Natural de Montesinho onde pequenas aldeias aqui e acolá que povoam o território e onde o tempo parece resistir o pulso da vida moderna. Não procurem grandes coisas cá mas sim as coisas simples: uma conversa com as gentes das aldeias, um passeio de Verão nas horas finais da tarde, um jogo de cartas numa tasca qualquer a acompanhar o café ou o prazer de ver as pessoas atarefadas nos afazeres quotidianos do campo.

Estamos, talvez, num dos locais mais isolados da Raia.

Foto 1. Fronteira do lado de Portugal.
Foto 2. Marco fronteiriço.
Foto 3. Marco fronteiriço visto do lado de Espanha.
Foto 4. Aldeia vizinha da Teixeira.
Foto 5. Caminho da Teixeira. Ou a nenhures?
Foto 6. Terras do concelho de Hermisende vistas da fronteira.
Foto 7. Montanhas envolventes à fronteira com a região da Portela da Canda (limite actual com a Galiza) ao fundo.



Ver Fronteiras: Fontes de Transbaceiro/Teixeira num mapa maior

Mapa 1. Mapa de situação.

P.S. Não quero deixar de passar a ocasião de dar as boas-vindas para dois novos amigos como são Albert Lázaro-Tinaut, um blogger catalão com interessantes reportagens sobre a Europa de Leste e ainda para Alsul-Alentejo, do raiano concelho de Arronches, no Alto Alentejo, com o seu blogue com notícias sobre a região.

domingo, 28 de março de 2010

Fronteiras: Lajeosa da Raia/Navasfrías

Um dos sucessos da política comunitária são os fundos INTERREG que têm servido para construir novas ligações transfronteiriças, se bem nem sempre o ritmo tem sido de um e do outro lado da fronteira. É o caso da fronteira entre Lajeosa da Raia, aldeia e freguesia do concelho do Sabugal, e Navasfrías, na comarca de El Rebollar, na província de Salamanca.

A localidade de Navasfrías passa a ter, em pouco tempo, três ligações fronteiriças das que já vimos duas: com Fóios, com Aldeia do Bispo e com Lajeosa da Raia. Enquanto na primeira não existe ainda uma estrada alcatroada da parte espanhola, nas duas restantes há duas estradas novinhas em folha bem construídas, mas que contrastam com a antiguidade das ligações portuguesas. O importante neste caso é a existência dessas ligações.

De resto, tais ligações não devem ser mais do que um pretexto para visitar a região, designadamente a capeia arraiana a celebrar na Lajeosa no mês de Agosto, costume exclusivo do Sabugal do qual já falamos. Resulta interessante ver também o contraste entre o Inverno e o Verão na vegetação que mistura uma floresta de transição, alguns lameiros e o mato, de urzes, giesta-das-vassouras, tojos, etc.

Com isto, completa-se o panorama das fronteiras do concelho do Sabugal com a vizinha província de Salamanca, nessa área de peneplanícies entre esta província e a Beira Interior e que resulta interessante do ponto de vista arqueológico, etnográfico e gastronómico.

Apesar de não estar bom depois de uma longa viagem de trabalho e uma constipação forte que apanhei, confio em poder conseguir mais materiais nestes feriados de Páscoa para deleite dos leitores deste blogue. Boas férias para quem vá e boa continuação para aqueles que, por circunstâncias várias, não possam tirar uns dias de descontracção. A saúde é o mais importante nesta vida e é o que mais desejo para todos os que me lêem.


Foto 1. Fronteira portuguesa vista do lado de Espanha.
Foto 2. Fronteira espanhola vista do lado de Portugal.
Foto 3. Marco fronteiriço e sinalética da fronteira.
Foto 4. Limite fronteiriço que vai pelas lajes e matos.
Foto 5. Marco fronteiriço Norte.
Foto 6. Vista geral de Navasfrías.
Foto 7. Caminho de Lajeosa da Raia (Note-se a diferença com o Inverno).


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Mapa 1. Mapa de situação.

quinta-feira, 11 de março de 2010

De Leste para Norte: O ponto mais setentrional de Portugal

Estes dias tenho estado muito ocupado e não tenho dado toda a atenção ao blogue, se bem fazia a minha tradicional visita e fiquei feliz de ver que já ultrapassámos os 18 000 leitores. Parabéns! Foram vocês que conseguiram. É para mim empolgante saber que ainda existem pessoas interessadas pela cultura e não apenas por mexericos, politiquices várias e coiso e tal...

Se bem continuo a não ter tempo e partirei em viagem muito em breve, aproveito para escrever umas palavrinhas como continuação do que já foi dito relativamente aos pontos cardinais do nosso país. Se no 'post' anterior falámos sobre o ponto mais oriental, hoje falaremos sobre o ponto mais setentrional.

E como não poderia ser de outra forma, esse ponto é o rio Minho no concelho de Melgaço, na freguesia de Cristóval (que seria alegadamente uma palavra de influência galega face ao nosso Cristóvão) e o destaque para a aldeia mais setentrional vai para Cevide, na dita freguesia e perto da fronteira de S. Gregório, da qual falaremos em outro momento.

Curiosamente, a melhor vista desse ponto é na Galiza da ponte que liga o concelho de Padrenda, na província de Ourense, ao concelho de Crecente na província de Pontevedra logo após a barragem (encoro) da Frieira. A poucos metros desagua no Minho a Ribeira de Trancoso que serve de fronteira na maior parte do seu curso entre a Galiza e Portugal.

Trata-se de uma região ainda um bocado montanhosa, com um rio Minho relativamente bravo, mas próximo do seu curso final que já se antecipa para lá de Melgaço. É também o começo da região do Alvarinho, quer galego, quer português e está próximo do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Nada resta agora senão deliciar-se com a vista das fotografias. Voltarei em breve!

Foto 1. Vista do Minho da ponte após a barragem da Frieira.
Foto 2. Mesma fotografia com indicação da fronteira.
Foto 3. Barragem da Frieira.


Ver Ponto mais setentrional de Portugal num mapa maior

Mapa 1. Mapa de situação.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Limites: O limite mais oriental de Portugal/Lhemites: L lhemite mais ouriental de Pertual

Têm-se falado muito estes dias do Inverno especialmente chuvoso que está a assolar a Península Ibérica. Certamente é uma realidade sobretudo desde o mês de Dezembro em que não tem parado de chover. Os rios transbordam e estão a galgar em algumas localidades, designadamente os nossos rios principais como o Minho, o Douro, o Tejo e o Guadiana.

A pensar num novo 'post' para o blogue, lembrei-me de que recentemente tinha passado pela Terra de Miranda e a região zamorana de Aliste, onde o Douro ia bastante crescidinho já na altura. É por isso que aproveito para matar dois coelhos de uma cajadada e falo não apenas do tempo, mas também da região mais oriental de Portugal: o entroncamento entre a Ribeira de Castro e a Barragem de Castro de Alcañices, na freguesia de Paradela, em Terra de Miranda.

A barragem de Castro marca o início das chamadas Arribas do Douro, do lado de Espanha, e o Douro Internacional, do nosso, se bem já temos uma paisagem de arribas muito antes de o Douro chegar a Portugal, designadamente da confluência do Esla com o Douro que foi, aliás, o limite do reino de Portugal no reinado do nosso primeiro rei D. Afonso Henriques, visto que o arcediagado de Aliste pertencia à arquidiocese de Braga, que tinha disputado o território à diocese de Astorga. Pelos vistos a demarcação da fronteira continuou nesse ponto até 1160, aquando da Conferência de Celanova, se bem a perda completa da região alistana parece ter sido definitiva no início do século XIII, quando começamos a ver tenentes leoneses em Alcanices. Mas a parte mais espectacular das arribas começa aqui, na linha de fronteira até Barca d'Alva, depois de ter passado cinco barragens (Miranda, Picote, Bemposta, Aldeadávila e Saucelle), as três primeiras portuguesas e as duas últimas espanholas, mas todas elas caracterizadas pela sua espectacularidade.

E depois de dito isto, pouco tenho mais a dizer a não ser desfrutar das vistas que oferecem as fotografias, já que elas falam mais do que eu possa expressar com palavras. De visita obrigatória para quem esteja a explorar a região!

Finalmente, em honra à nossa língua mirandesa, que faz também parte do nosso património cultural português, ofereço o mesmo texto em mirandês (com tradutor automático). Peço antecipadamente desculpa se algum leitor de língua materna mirandesa achar erros. Todas as correcções serão bem-vindas.

Em mirandês:

Ténen-se falado mui estes dies de l Ambierno specialmente chubioso que stá a assolar la Península Eibérica. Cierta minte ye ua rialidade subretodo zde l més de Dezembre an que nun ten parado de chober. Ls rius trasbordan i stan a galgar an alguas lhocalidades, zeignadamente ls nuossos rius percipales cumo l Minho, l Douro, l Teijo i l Guadiana.

A pensar nun nuobo 'post' pa l blogue, lhembrei-me de que recentemente tenie passado pula Tierra de Miranda i la region zamorana de Aleste, adonde l Douro iba bastante crecidinho yá na altura. Ye por esso qu'aprobeito para matar dous coneilhos dua cajadada i falo nun solo de l tiempo, mas tamien de la region mais ouriental de Pertual: l'antroncamiento antre la Rieira de Castro i la Barraige de Castro de Alcañices, na freguesie de Paradela, an Tierra de Miranda.

La barraige de Castro marca l'ampeço de las chamadas Arribas de l Douro, de l lhado de Spanha, i l Douro Anternacional, de l nuosso, se bien yá tenemos ua paisaige d'arribas mui antes de l Douro chegar la Pertual, zeignadamente de la cunfluéncia de l Sla cul Douro que fui, aliás, l lhemite de l reino de Pertual ne l reinado de l nuosso purmeiro rei D. Fonso Heinriques, bisto que l'arcediagado de Aleste pertencia a l'arquidiocese de Braga, que tenie çputado l território a la diocese de Astorga. Puls bistos la demarcaçon de la frunteira cuntinou nesse punto até 1160, aquando de la Cunferéncia de Celanoba, se bien la perda cumpleta de la region alistana parece tener sido defenitiba ne l'ampeço de l seclo XIII, quando ampeçamos a ber tenentes lheoneses an Alcanhiças. Mas la parte mais spetacular de las arribas ampeça eiqui, na lhinha de frunteira até Varca d'Alba, depuis de tener passado cinco barraiges (Miranda, Picuote, Bempuosta, Aldeadábila i Saucelle), las trés purmeiras pertuesas i las dues radadeiras spanholas, mas todas eilhas caratelizadas pula sue spetacularidade.

I depuis de dezido esto, pouco tengo mais a dezir la nun ser çfrutar de las bistas qu'ouferecen las retratos, yá qu'eilhas falan mais de l que you puoda spressar cun palabras. De bejita oubrigatória para quien steia a splorar la region!

Nota: As fotografias apresentam um sentido descendente/Las retratos apersentan un sentido çcendente.

Foto 1. O Douro perto da estrada de cruzamento de Castro e Salto de Castro.
Foto 2. O Douro caminho da barragem de Castro. Planalto de Saiago do outro lado do rio.
Foto 3. O Douro na barragem de Castro.
Foto 4. Vista geral da barragem de Castro. As terras portuguesas começam logo à direita além da barragem.
Foto 5. Barragem e comportas.
Foto 6. Barragem e vista das terras mais orientais de Portugal à direita.
Foto 7. Início do Parque Natural do Douro Internacional. Arribas do Douro.
Foto 8. Mesma fotografia com indicação da fronteira.
Foto 9. Barragem de Castro vista do miradouro de Paradela, já em Portugal.
Foto 10. Caminho de Miranda. Terras espanholas de Saiago à esquerda, Parque Natural do Douro Internacional à direita, em Terra de Miranda.


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Mapa 1. Mapa de situação.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Fronteiras: Sendim/Baltar

Uma das regiões onde mais postos fronteiriços existem é no Barroso. É tradicional a relação da aldeia de Tourém, da qual teremos ocasião de falar em outro momento, com as vizinhas aldeias galegas. No entanto, nos últimos anos abriram-se novos pontos de passagem que atravessam a Serra do Larouco, limite natural desta região barrosã com a Galiza, das quais a mais importante pela ligação com Montalegre é a fronteira de Sendim/Baltar.

A fronteira está situada perto da aldeia de Sendim numa pequena passagem situada entre as montanhas envolventes da Serra do Larouco. Estas terras, próximas ao Couto Misto, e tão ricas em estórias de contrabando, têm agora umas boas comunicações que permitem chegar rapidamente de Montalegre até Xinzo de Limia, na região ourensana da Limia, onde nasce o nosso rio Lima, e vice-versa.

Na fronteira actual existe hoje uma área de serviço moderna, com bomba, café e loja, situada do lado português, para além de centro de lavagem e outros serviços (parece que estou a fazer publicidade!), mas o interesse vai para as aldeias vizinhas, que tanto na Galiza como no Barroso caracterizam-se pela dualidade entre os usos tradicionais do campo, com casas em pedra, sobretudo de granito, e as novas tendências impulsionadas pelos emigrantes, que construíram casas que muitas vezes nada têm a ver com a casa tradicional. O contraste é, por vezes, espantoso, até ao ponto de que muitas vezes pode saber-se quem emigrou e quem não, sendo isto talvez mais marcante na Galiza, já que na região da Limia houve muitos que emigraram para a Suíça designadamente, enquanto no Barroso foi mais a tradicional emigração para a França. Mesmo assim, vale a pena visitar Montalegre e o seu castelo, dar um passeio pelas aldeias barrosãs e galegas vizinhas o pela barragem do Alto Regabão ou simplesmente descontrair numa casa de aldeia a tomar um pequeno almoço à luz do sol na esplanada da casa. Acreditem. Vale mesmo a pena!

Outro ponto de destaque é a gastronomia. Quem gostar do polvo, não pode deixar de ir na feira de Xinzo de Limia onde comerá um bom polvo à feira, feito ao estilo galego. Mas quem gostar da carne, nada melhor do que uma posta de vitela barrosã, arroz de chouriça ou, agora que estamos já perto da Páscoa, um bom folar de Páscoa. Isso sem falar dos enchidos, que são do bom e do melhor. É que eu, francamente, não concebo uma viagem onde não haja essa fusão entre os prazeres do espírito, como é uma bela paisagem, o cheiro de um lugar, o património, falar com os vizinhos de uma aldeia, a pele tersa saída após um refrescante banho de Verão num rio qualquer..., com os prazeres da carne, que obviamente inclui uma boa refeição acompanhada de um bom vinho, para além de outras coisas que nem sempre têm de ser comida, é claro!

Foto 1. Fronteira portuguesa de Sendim, tomada mesmo do limite fronteiriço.
Foto 2. Sinal a anunciar a fronteira da Galiza, se bem o limite fronteiriço situa-se mesmo na parte de trás da casa que há ao fundo.
Foto 3. Entrada na Galiza vista do limite fronteiriço.
Foto 4. Marco fronteiriço situado na parte de trás da última casa portuguesa.
Foto 5. Área de serviço da fronteira. Vista geral.
Foto 6. Serra do Larouco vista para os lados de Sendim (situada na parte baixa da serra).
Foto 7. Serra do Larouco (vista para Leste) enquanto limite fronteiriço.
Foto 8. Vista das terras galegas da Limia da fronteira.


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Mapa 1. Mapa de situação.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Fronteiras: Penamacor/Valverde del Fresno

Uma das fronteiras talvez menos conhecidas é a que liga Penamacor com a localidade de Valverde del Fresno. A particularidade desta fronteira é que é capaz de ser a fronteira na que as localidades ligadas ficam mais distante, uma coisa como 30 km., sem nenhuma aldeia ou povoação intermédia. De facto, a fronteira de Aldeia do Bispo, através da passagem pela aldeia de Navasfrías, já em terras de Salamanca, fica mais próxima de Valverde del Fresno, apesar de ter de atravessar a Serra de Gata, do que a fronteira de Penamacor.

No entanto, vale a pena percorrer estes 30 km. Do lado português, a bela localidade de Penamacor, com o seu castelo, entre outros elementos interessantes do ponto de vista turístico. Do lado espanhol, a particularidade de Valverde del Fresno pertencer aos chamados Três Lugares, conjuntamente con Eljas y San Martín del Trevejo. Estas três localidades apresentam a peculiaridade de formarem parte do chamado Vale de Xálima, onde é falado um dialecto, ainda vivo, de origem galaico-portuguesa com alguns traços asturo-leoneses. É possível, de facto, achar uma sinalética bilingue em alguma destas aldeias onde cada localidade tem o seu dialecto particular designado como valverdeiro, lagarteiro e manhego, segundo se trate de Valverde do Freisno, As Ellas ou Sa Martin de Trevellu.

A paisagem é também interessante, já que quem desce do sistema montanhoso das serras de Gata-Malcata pode observar uma gradação na vegetação da região entre uma vegetação atlântico-mediterrânica a Norte do sistema e uma vegetação plenamente mediterrânica a Sul, com predomínio das azinheiras, mas também oliveiras, videiras e outras espécies mais expostas aos rigores do Verão, muito mais quente para este lado. O relevo da região é o de uma pequena peneplanície alombada quebrada apenas pelo curso de pequenos riachos que dão uma sensação de relevo mais abrupto e onde o destaque vai sobre tudo para o granito, que é a matéria prima das casas tradicionais beirãs da região. Existem ainda muitos caos graníticos ou inselbergs que dão um ar misterioso à zona.

Sem dúvida, uma região a visitar!

Foto 1. Fronteira portuguesa.
Foto 2. Fronteira espanhola vista do lado de Portugal.
Foto 3. Antiga estrada sobre o rio Torto (afluente do Erges) e marco fronteiriço.
Foto 4. Marco fronteiriço situado do lado de Espanha.
Foto 5. Limite fronteiriço situado na ponte sobre o rio.
Foto 6. Valverde del Fresno visto da subida pela estrada a Navasfrías.
Foto 7. Vista das Eillas e da Serra de Gata.
Foto 8. Vista da Serra de Gata (limite Extremadura/Salamanca) da estrada a Navasfrías.


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Mapa 1. Mapa de situação.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Fronteiras: Vale de Frades/Villarino Tras la Sierra

Uma das fronteiras menos conhecidas do Nordeste Transmontano e da província de Zamora é talvez a fronteira que liga Vale de Frades, no concelho de Vimioso, com a aldeia de Villarino Tras la Sierra, também conhecida como Vilarinho, na região de Aliste. Não admira o facto tendo em conta que a estrada alcatroada desde ambos os lados da fronteira é muito recente como pode ver-se nas fotografias que se seguem.

Nesta região, onde a maior parte da população são idosos que ainda conservam muitas das tradições antigas, o destaque vai para a natureza e o património. A paisagem move-se na alternância entre planaltos e pequenas serras que em nenhum caso chegam a ser impedimento para as comunicações. A Oeste, o rio Maçãs, fronteiriço numa parte do seu percurso, contribui para um relevo mais montanhoso lembrando-nos a paisagem de arribas do Douro em pequena escala.

O património é sobretudo património etnográfico, com casas de pedra, vedações para os campos em que se usam lajes de granito, se bem tem sido alterado com a «modernidade» como são as casas dos emigrantes que em nome da comodidade têm respeitado muito pouco o património tradicional. Infelizmente é uma coisa que se dá em todo o lado, não sendo exclusiva desta região. Este é, precisamente, um dos perigos da globalização, no sentido de que apaga muitas das particularidades regionais em nome de uma alegada «eficiência». Um edifício moderno, digamos, do tipo arranha-céus de vidro e metal pode causar impacte. Mas, será que depois de ver diferentes variações do mesmo tipo em meio mundo vamos ficar mesmo impactados? No entanto, a arquitectura tradicional sempre vai ter o encanto de ser diferente em todo o lado, em observarmos as subtilezas das pequenas mudanças consoante o território, mesmo dentro da mesma região. Afinal, não é o mesmo a casa tradicional na Terra de Miranda do que em Vinhais, a casa alentejana do Alto Alentejo do que a casa alentejana do Baixo Alentejo, as casas do Alto Minho do que as casas da Beira Litoral. Não terão, porventura, mais a ver as casas tradicionais da região alistana com as do Nordeste Transmontano?

É por isso que estas viagens pela Raia têm esse sabor do esquecido: fazem-nos transportar, em questão de segundos, para outros mundos, porque, sim, há outros mundos para além de Lisboa, de Madrid, do Porto, de Badajoz, tão longe e tão perto ao mesmo tempo. Longe das nossas mentalidades, perto fisicamente de nós. Não que esteja a abominar da modernidade. Senão não estaria a usar a Net. Mas é sim uma chamada de atenção para essa febre utilitarista que nos rodeia na que tudo tem de ser prático e útil em termos económicos: a formação académica, as línguas que aprendemos, os investimentos, etc., esquecendo muitas vezes que não serve de nada tudo isso se não valorizamos as coisas, as usufruímos, que para além do útil, está o prazer estético de se deliciar naquilo de que gostamos: uma pintura, uma especialidade gastronómica, as paisagens como as das fotografias, o simples cheiro da lenha queimada num dia de chuva de Inverno como tive a oportunidade de desfrutar nestas aldeias raianas de Vale de Frades e Vilarinho, longe das multidões e de ruralismos pré-fabricados ao gosto do consumidor... tantas e tantas coisas!

Vale de Frades e Vilarinho representam as coisas simples, às vezes sem nada de especial, mas que, a pouco que se procure, escondem lá os seus encantos. É por isso que gosto sempre de ilustrar com fotografias. Deixem-se levar pela sua imaginação e desfrutem. É tão simples quanto isso!

Foto 1. Fronteira portuguesa vista do lado de Espanha.
Foto 2. Fronteira espanhola vista do lado de Portugal.
Foto 3. Marco fronteiriço.
Foto 4. Serras da fronteira, com vistas da aldeia alistana de Latedo ao fundo.
Foto 5. Vista do planalto entre o concelho de Vimioso e Vilarinho. A Raia fica algures no meio do planalto. A fotografia foi tomada «Trás-da-Serra» que separa Vilarinho do resto da região de Aliste.
Foto 6. Vista do planalto e das serras entre Vilarinho e Vale de Frades.
Foto 7. Vedação em lajes de pedra de granito em Vilarinho (comum a ambos os lados da fronteira).
Foto 8. Vista geral de Vale de Frades com as videiras em primeiro plano.
Foto 9. Vilarinho vista do Vale de Frades. Giesta-das-vassouras em primeiro plano.


Ver Fronteira: Vale de Frades/Vilarinho num mapa maior

Mapa 1. Mapa de situação.