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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Património raiano: Mosteiro do Castro de Avelãs (c. de Bragança)

Uma das jóias arquitectónicas que há em Portugal e que é muito pouco conhecida é o mosteiro do Castro de Avelãs, aldeia que fica a 5 km. a oeste de Bragança e que tem muita história às costas. Do mosteiro resta hoje a igreja, que mesmo assim, apresenta umas características muito invulgares na arquitectura medieval portuguesa. Mas antes de entrar em pormenores, resulta interessante compreender os factos históricos mais relevantes relacionados com esta localidade.

Pelo que sabemos, parece que o Castro de Avelãs teria sido a cabeceira de uma civitas romana. Ao contrário das grandes cidades romanas do Sul e Leste peninsular, a região transmontana continuava a ser uma área profundamente ruralizada, pelo que apesar do nome, não existiam verdadeiras cidades no território. O Nordeste Transmontano fazia parte do Conventus Asturum, cuja sede estava situada em Asturica Augusta, actual cidade leonesa de Astorga. Isto porque toda a região de Trás-os-Montes oriental fazia parte do território povoado pelos astures, facto que sem dúvida, explica a supervivência da língua mirandesa, de origem asturo-leonesa, e diferentes falares raianos (Rio de Onor, Guadramil, Petisqueira, Deilão,...) em várias aldeias do concelho de Bragança que terão sobrevivido ao recuo da fronteira linguística entre o domínio galaico-português e o asturo-leonês. Castro de Avelãs seria assim um dos centros administrativos da civitas Zoelarum, da qual sabemos da sua existência pelos a achados arqueológicos, designadamente lápides funerárias dos séculos I e II e que se estenderia pelo território transmontano a Leste do rio Sabor, a região zamorana de Aliste e Sanábria e os territórios situados até a Serra da Nogueira. No Parochiale Suevum, de 569, que recolhe a organização eclesiástica das dioceses do reino suevo, há uma referência ao pagus (uma paróquia rural) de Vergantia. Daí até 1145 a escuridão é quase absoluta. Sabemos que após a ocupação do território pelo reino asturiano nos tempos do rei Afonso III na sequência das presúrias do conde Vímara Peres no Porto em 868 e do conde Odoário em Chaves em 872, a diocese de Astorga, que já tinha sido restaurada, aproveitou o vazio de poder para usurpar as terras de Aliste, Vergantia e Ledra (território relacionado com Mirandela) em 969 à diocese de Braga que não tinha sido restaurada porque a diocese de Lugo, na Galiza, tinha ficado com os direitos desta enquanto diocese metropolitana, o que significava que as restantes seriam sufragâneas. Daí que a sua restauração não viria a ter lugar até 1071 com o seu primeiro bispo D. Pedro pelo rei da Galiza Garcia I ou Sancho II de Castela (existem dúvidas entre os historiadores), que contestará a dita «usurpação» com a bula de Pascoal II em 1103 que obrigou à diocese de Astorga, sufragânea de Braga, a devolver-lhe esses territórios.

Será em 1145 quando tenhamos a primeira referência ao mosteiro do Castro de Avelãs enquanto instituição monástica. Infelizmente a documentação medieval é escassa e só sabemos da sua história por meios indirectos. Em 1187 o mosteiro doou a sua herdade de Benquerença, em troca de outras propriedades, ao rei D. Sancho I, que fundaria a cidade de Bragança e deu-lhe foral num momento em que Portugal encontrava-se numa situação de «definição de fronteiras». Daí a importância de ter uma praça forte e sentinela do reino neste cantinho longínquo dos poderes centrais da monarquia. As guerras com Leão foram frequentes, pelo que não admira que em 1199 o mosteiro aceitasse um contrato de filiação com o mosteiro de S. Martinho da Castanheira, situado na parte norte e ribanceira do lago de Sanábria, já no reino de Leão. A relação com Castanheira parece que foi muito fluída porque alguns abades desse mosteiro foram portugueses e deram muita atenção às propriedades portuguesas deste mosteiro leonês, mantendo-as até tão tarde como o início do século XVIII. A oposição da arquidiocese de Braga fez com que em 1218 o mosteiro do Castro de Avelãs fosse obrigado a rescindir a filiação junto do mosteiro de S. Martinho da Castanheira. Do domínio monástico sabemos que teve a posse de amplas propriedades em todo o Nordeste Transmontano como assim mostram as Inquirições de D. Afonso III em 1258. Apesar disso, este mosteiro conta apenas com um estudo, uma dissertação de mestrado da antiga directora do Arquivo Distrital de Bragança e actual directora do Museu Abade de Baçal, Ana Maria Afonso, que analisa a história do mosteiro já na primeira metade do século XVI.

A igreja do mosteiro, assim que chegarmos à entrada, mais uma típica igrejinha portuguesa de factura tipicamente barroca. Mas o edifício reserva-nos várias surpresas. A maior é o exterior da cabeceira, com uma abside central e duas absidíolas laterais de menor tamanho de tipo românico, com arcos-cegos de meio ponto. A originalidade deste tipo de estrutura, por outra parte muito distintiva da arte românica, é o facto de estar totalmente construída em tijolo vermelho, o que faz desta igreja a única em Portugal destas características e que a relaciona com outras construções similares que encontramos no reino de Leão (p. ex. o importante mosteiro leonês de Sahagún) e em Castela. Este tipo de arte é conhecida como arte mudéjar e foi uma expressão de artesãos muçulmanos que não abandonaram as suas moradas após a Reconquista Cristã.

Outro rasgo característico podemos encontrá-lo na absidíola lateral direita, hoje ao ar livre, na qual está situada uma campa que alegadamente terá sido do conde Ariães. A lenda diz que este conde, que era muito mau, zangou-se muitíssimo com a sua mãe por não lhe ter preparado o jantar quando voltava de uma jornada de caça. Perante esta situação, açulou-lhe os cães que a morderam e acabou por morrer. Em penitência foi-lhe imposto que tirasse um cabelo da sua própria cabeça e o metesse numa pia de cantaria com água, debaixo de uma pedra, até que se convertesse em cobra e depois a fosse criando até ser bastante grande e então se meteria numa tumba com ela até esta o devorar para que assim, ele filho mau, que matou quem o gerou, de si mesmo criasse quem lhe fizesse outro tanto. Daí o túmulo mencionado.

Lendas são lendas, mas o Abade de Baçal refere a existência de um conde D. Pelaio, alegadamente, conde de Ariães que terá assinado como Pelagius Bregantiae Comes na sagração da igreja compostelana em 879, segundo refere Sampiro, bispo de Astorga. Existem ainda referências no Livro de Linhagens, que fala em termos similares sobre o braganção D. Fernão Mendes, o Bravo, desta importante família que fez inclinar a balança em favor de Portugal num momento em que o território transmontano oriental, segundo a documentação existente, no século XI ainda não fazia parte do território português, encontrando-se numa indefinição entre Portugal e Leão.

Se Bragança, já per se, vaut le voyage, em expressão do guia Michelin, uma visita à região não pode estar completa sem antes ver esta maravilha arquitectónica num marco rural incomparável, com uma bela ponte, também chamada de Ariães, no rio próximo, entre casas, hortas e milheirais, e tão perto da cidade brigantina. Talvez encontrem algum simpático aldeão, como foi no meu caso, que explique a lenda e mostre a igreja e os seus pormenores.

Foto 1. Fachada principal da igreja do mosteiro de Castro de Avelãs.
Foto 2. Vista da abside principal e da absidíola esquerda.
Foto 3. Outra vista da cabeceira.

Foto 4. Absidíola direita e túmulo do conde Ariães.
Foto 5. Capelinha situada na entrada, à direita, com uma porta gótica.
Foto 6. Outro pormenor da capelinha com outra porta gótica e diferentes ritmos de construção.


Mapa 1. Mapa de situação.

Mapa 2. Mapa específico.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Fronteiras: Moimenta da Raia/S. Cibrão de Hermisende

Entrando de novo no terreno do esquecimento, lá vai uma fronteira muito pouco conhecida. Trata-se da fronteira existente entre Moimenta da Raia, freguesia e aldeia do concelho de Vinhais, e São Cibrão de Hermisende (San Ciprián, na toponímia oficial). É pouco conhecida porque de Moimenta sai apenas um caminho rural de terra batida, enquanto de S. Cibrão há um desvio pavimentado de apenas uns 200 m. até ao mesmo limite fronteiriço que parte da estrada ZA-L 2698, que liga Hermisende com Castromil, aldeia que está partida em duas partes porque uma pertence ainda à província de Zamora e a outra faz parte já da Galiza, mais exactamente da província de Ourense e do concelho de A Mezquita. 

Partindo de Hermisende, temos de atravessar a ponte da Veiga, ponte medieval situada sobre o rio Tuela, um dos dois rios, que junto com o Rabaçal formam o Tua pouco antes de chegar a Mirandela. Daí há uma subida íngreme na que S. Cibrão fica de lado, visto que temos de passar de pouco mais de 790 m. no fundo do vale até quase os 1 000 m. passando a meia encosta da Serra do Marabón, serra que separa a província de Zamora da Galiza. Daí chegamos a um planalto granítico que desce em suave declive entre os 1 100 e os 900 m., flanqueado pela Serra do Marabón e a Serra da Coroa, situando-se Moimenta da Raia a uma altitude algo inferior aos 900 m., na parte mais baixa do planalto pouco antes de chegarmos às íngremes encostas quase em arribas do vale do Tuela.

Esta situação entre a Galiza, Leão e Portugal deu lugar a pontos como o chamado Penedo dos Três Reinos, não muito longe deste ponto fronteiriço, se bem na realidade o reino da Galiza tinha o seu limite oriental na Portela do Padornelo e as províncias do Antigo Regime mantiveram esta situação até 1833, com a reforma provincial de Javier de Burgos, que deu o território entre esta portela e a Portela da Canda, à província de Zamora. Os penedos graníticos fazem, pois, parte da paisagem deste planalto porque a sua elevada altitude faz com que abundem afloramentos rochosos e uma paisagem quase desoladora de estevas, urzes, giestas ou tojos, ou seja, grandes extensões de mato açoitados por um vento geado no Inverno e pelo calor intenso no Verão.

Daí a importância do fumeiro na região, aquém e além fronteiras, que beneficia destas temperaturas baixas que resultam ideais para o fabrico de enchidos e, no concelho de Vinhais, da cria do porco bísaro, verdadeira iguaria e marca identificadora da região. Como muitas aldeias, esta região sofreu com intensidade a emigração, mas manteve certos usos comunitários hoje em declínio e que, infelizmente, decerto morrerão com a extinção das gerações mais velhas, dedicadas à agricultura e à pecuária, numa economia típica de subsistência.

Do ponto de vista cultural importa salientar o facto de as relações transfronteiriças terem sido muito intensas, o que se traduziu numa mistura de traços do ponto de vista etnográfico e linguístico. As fronteiras na região realmente não foram bem delimitadas até ao Tratado de Limites de 1864. Já as Inquirições de D. Afonso III de 1258 mostravam que Portugal estava na posse da aldeia de Manzalvos e metade da aldeia de Cádavos, actualmente do concelho de A Mezquita, na Galiza. Relativamente à S. Cibrão é comummente aceite que esta aldeia junto com Hermisende e Teixeira pertenceram à coroa portuguesa até 1640, se bem Francisco Manuel Alves, Abade de Baçal e grande estudioso do distrito de Bragança, mostra que a documentação histórica não nos permite afirmar tal hipótese, sendo que talvez tenham sido perdidas ao longo do século XVI.

Seja como for, a dominação portuguesa deixou a sua marca na língua falada na região. A mal chamada Alta Sanábria ou Sanábria galega é na realidade a região das Portelas e o galego é a língua principal de uso, para além do castelhano oficial. No entanto, nestas três aldeias de S. Cibrão, Hermisende e Teixeira há quem afirme que é falado um galego com traços portugueses ou um português em descomposição, com traços galegos. Do ponto de vista filológico, S. Cibrão pertencerá ao grupo do chamado «portelego central», tendo perdido o uso do esse sibilante sonoro, que ainda se mantém nas aldeias de Hermisende e Teixeira, do grupo do «portelego oriental». Os seus habitantes não se consideram sanabreses, mas antes porteixos.

Em resumo, uma região de confluência de culturas que vale a pena visitar quanto mais não seja que pelas suas paisagens, o contacto com a Natureza ou o património cultural e humano. Embora o Verão seja a melhor estação para visitar, quer pelas suas melhores condições meteorológicas, quer pelo facto de haver uma vida mais animada com os emigrantes que voltam de férias e as romarias, eu gosto particularmente no Inverno, quando esse vento frio acaricia o meu rosto e sinto algo de purificador nisso, no meio do cheiro do mato e o fumo da lenha das casas lentamente queimada na lareira para aquecê-la ou até mesmo cozinhar pratos fortes e consistentes. Vai um bom cozido ou umas fatiazinhas de salpicão de porco bísaro?


 Foto 1. Marco fronteiriço visto do lado de Portugal e vista do planalto.
 Foto 2. Caminho fronteiriço entre penedos.
 Foto 3. Caminho da Moimenta, com a Serra da Coroa ao fundo.
Foto 4. Vista do planalto, entre Portugal e a Galiza onde se assentam aldeias como Carvalhas, Casares ou Manzalvos.
 Foto 5. Marco fronteiriço com vistas para a Serra do Marabón.
 Foto 6. Mudança de piso que indica o limite fronteiriço visto da parte da província de Zamora.
Foto 7. Vista da estrada da parte de Zamora, o planalto e a Serra do Marabón ao fundo.


Mapa 1. Mapa de situação.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Rio de Onor: A mítica aldeia raiana

Chegou o tempo de falar de Rio de Onor, a mítica aldeia raiana. Mítica porque foi alvo de vários estudos etnográficos como o famoso estudo de Jorge Dias (Rio de Onor. Comunitarismo agro-pastoril) e linguísticos. As práticas comunitárias em Rio de Onor têm sido objecto de inúmeras reportagens em televisão e a sua particularidade de se tratar de uma aldeia transfronteiriça ou se quiser, duas aldeias gémeas: a portuguesa de Rio de Onor e a espanhola de Rihonor. 

Hoje vamos falar apenas em fronteiras porque falar em Rio de Onor vai muito mais além do que um simples 'post' no blogue. De facto existem tantos tópicos que podem ser tratados (ponto de vista histórico, etnografia, história recente, linguística, tradições, etc.) que quase poderíamos escrever um blogue em exclusivo sobre a(s) aldeia(s).

Rio de Onor está situada no limite fronteiriço que separa a região da Sanábria, na província de Zamora, e o Nordeste Transmontano, dentro do Parque Natural de Montesinho, sendo que a aldeia portuguesa está considerada como uma «aldeia preservada». O nome da aldeia serve também para dar nome ao rio que a atravessa, se bem que o rio também é conhecido como rio Contensa. Este rio abeira-se às casas que fazem parte de Rio de Onor de Cima, as mais tradicionais, erguendo-se sobranceira, a igreja matriz. Do outro lado apenas há umas poucas casas modernas no caminho à fronteira. Já em Rio de Onor de Baixo, passado o açude existente e o moinho, hoje em desuso, há uma ponte que parece de factura medieval que separa os dois bairros da aldeia portuguesa.

A fronteira está delimitada pelos marcos fronteiriços, o próprio rio e a ribeira de Regassores, que já aparece nas Inquirições de 1258, mandadas pelo rei D. Afonso III, designado como riuulum de Açores. Mas na realidade nunca houve fronteira aqui. Até ao dia de hoje as relações entre os vizinhos de ambos os lados da fronteira são relações de família. Os casamentos mistos são frequentes como frequentes são as deslocações de um e do outro lado da fronteira para trabalhar nos campos de lavoura. 

 O livre trânsito foi a realidade quotidiana de sempre e hoje ninguém daria pela diferença entre um e o outro lado da fronteira a não ser por alguns pormenores como a calçada portuguesa em Rio de Onor de Baixo frente ao pavimento de betão de Rio de Onor de Cima. As casas tradicionais respondem a um mesmo padrão: casas de xisto com telhado também de xisto, com andar térreo que normalmente serve de curral e um primeiro piso que serve de habitação com escadaria e varanda em madeira.

Mas a fronteira não se vê por lado nenhum. Resulta anedótico o facto de ter existido uma corrente que dividia ambas as aldeias de 1975 a 1990. Pelos vistos, depois do 25 de Abril de 1974 existiu o temor de que as tropas de Franco entrassem em Portugal por este ponto fronteiriço. Diz-se ainda que foi para controlar o contrabando e evitar uma emigração maciça nos tempos do PREC (como se não houvesse já tantos emigrantes portugueses que fugiram da guerra colonial e da pobreza...). De qualquer forma parece que um tenente chamado Pinheiro coloca na fronteira uma corrente para impedir a passagem de viaturas motorizadas, o que vai causar inúmeros incómodos a população local, acostumada como estava à passagem com carros de bois, vacas, ovelhas ou tractores. Não foi até o 24 de Agosto de 1990 que puderam passar normalmente carros e tractores como numa estrada qualquer.

Disso hoje não resta nada em Ruidenore, nome que recebe a aldeia no dialecto rionorês, um dialecto de base asturo-leonesa que apresenta alguns traços do português transmontano e que foi definido por Maria José de Moura Santos no seu clássico estudo sobre os falares fronteiriços de Trás-os-Montes publicado em 1966 como um dos falares raianos melhor caracterizados, enquanto recentemente o filólogo espanhol Xavier Frías Conde que o situa dentro do dialecto sanabrés do Sul, dentro do sub-sistema de dialectos da língua asturo-leonesa.

Quem visitar hoje Rio de Onor desfrutará de belas paisagens, apreciará uma tradição etnográfica ímpar, mas sobretudo, travará boas e animadas conversas com os naturais do lugar. Não verá fronteira nenhuma. Pena que alguém, em 2008 tenha destacado na parte espanhola o sinal de estado que não existe do lado português e que é o único pormenor que afeia o lugar. Não faz sentido numa aldeia sem fronteiras muito antes da tão badalada Europa sem fronteiras. Mágoa!

 Foto 1. Fronteira espanhola vista do lado português.
 Foto 2. Simulação da corrente que existiu entre 1975 e 1990.
 Foto 3. Delimitação da fronteira vista de Rio de Onor de Baixo.
 Foto 4. Vista da fronteira e da ribeira de Regassores.
 Foto 5. Fronteira portuguesa vista do lado espanhol.
 Foto 6. Rio de Onor de Baixo visto do limite fronteiriço.
 Foto 7. Moinho e açude com indicação da fronteira visto de Rio de Onor de Baixo.
 Foto 8. Marco fronteiriço situado na ribeira de Regassores e ponte que liga ambos os lados da fronteira.
 Foto 9. Marco fronteiriço e foz da ribeira de Regassores vistos da ponte fronteiriça.
 Foto 10. Limites fronteiriços visto da foz do Regassores.
 Foto 11. Ribeira de Regassores com indicação do limite fronteiriço.
 Foto 12. Limite fronteiriço na ribeira de Regassores.
Foto 13. Limite fronteiriço na ribeira de Regassores com vista para a igreja matriz de Rio de Onor de Cima.



Ver Rio de Onor / Ruidenore num mapa maior
Mapa 1. Mapa de situação.

sábado, 6 de novembro de 2010

Fronteiras: Portelo/Calabor

Duas fronteiras ligam a linda região da Sanábria (Seabra) com o Nordeste Transmontano: a fronteira de Rio de Onor, a mítica aldeia raiana, e a fronteira de Portelo/Calabor. A falta de uma boa ligação entre Puebla de Sanábria e Bragança (tem-se falado na construção de uma auto-estrada), estas são as duas únicas opções existentes. Um aspecto importante é a melhora da estrada espanhola entre Puebla de Sanábria e a fronteira, se bem que não evita as múltiplas curvas lá existentes. O alcatroado é muito recente e finalmente podemos ter uma ligação numas condições aceitáveis.

A estrada atravessa zonas despovoadas onde não se vê vivalma, sobre tudo depois de ter passado a localidade de Pedralba de la Pradería, última aldeia antes de chegar a Calabor. A fronteira decorre uns quilómetros depois de termos passado esta povoação e logo a seguir chegamos a Portelo, já na Terra Fria Transmontana. Do lado português as aldeias sucedem-se: Portelo, França, Rabal e, finalmente, chegamos a Bragança, não sem antes entrar brevemente na freguesia de Meixedo. São aldeias que pertencem ao Parque Natural de Montesinho, mas que, no entanto, segundo o meu ponto de vista, trata-se de aldeias mais bem descaracterizadas, se bem que não isentas de certa beleza natural. De facto encontramos parques de merendas e zonas de banho e até mesmo moinhos ao lado do rio Sabor, mas não têm nada a ver com a «aldeia preservada» de Montesinho a 1 km. do Portelo, à que se acede por uma estrada que fica a Sul desta última.

Do lado espanhol, resulta interessante o facto de Calabor ser, segundo estudos filológicos, uma aldeia onde ainda se fala um dialecto de origem galaico-portuguesa onde os portuguesismos são frequentes, o que não admira, visto o facto de a aldeia mais próxima ser à do Portelo e de ficar mais perto de Bragança do que de Puebla de Sanábria. Embora a tipologia do casario seja parecida, cá destacam os telhados de xisto, que no Portelo só encontrámos nas casas mais velhas, sendo substituídos por telhas de barro cozido vermelho.

A Natureza, como não pode ser de outra forma, é o activo mais importante da região. Sanábria bem merece uma visita em qualquer estação do ano. No Inverno poderemos ver os cumes das montanhas nevados e desfrutar de um bom cozido feito com o feijão típico da região conhecido como habones. De salientar ainda a truta do lago de Sanábria e o polvo, feito de forma semelhante à maneira galega e as carnes de vitela. Na Primavera é o despertar e veremos a região verdejante e, sobre tudo, sem muitos turistas. No Verão, embora os turistas às vezes cheguem a ser excessivos, bem vale a pena tomar banho no lago de Sanábria, sobre tudo num dia quente. Finalmente, no Outono, vale a pena ver a região e contemplar os tons dourados das árvores, principalmente castanheiros. Para quem não é do Nordeste Transmontano, é uma região muito desconhecida para o turista português, mas tem uma riquíssima etnografia popular e muitas ligações de proximidade. Atrevo-me a afirmar que seja talvez a mais «portuguesa» das regiões da província de Zamora. É claro que é apenas minha opinião, mas acho que tem algum fundamento. Puebla de Sanábria e o seu castelo e igreja, o mosteiro de S. Martinho da Castanheira, o lago de Sanábria e, em geral, qualquer aldeia, é óptima para um passeio ou para iniciar percursos pela Natureza onde descobriremos vales glaciários, cascatas, florestas, etc.

De qualquer forma, continuo a preferir a ligação entre Bragança e Puebla de Sanábria por Rio de Onor, se bem que não é apta para autocarros nem viaturas de grandes dimensões, já que as ruas desta aldeia são um bocadinho estreitas, mas é óptima para ligeiros. Apesar de a estrada de ligação entre Rio de Onor e Puebla de Sanábria ser bem mais estreitinha, não há tantas curvas e o percurso é menos demorado. De qualquer forma, há duas opções à escolha!


Foto 1. Antiga alfândega espanhola.
Foto 2. Zona da alfândega espanhola.
Foto 3. Fronteira espanhola vista do limite fronteiriço.
Foto 4. Limite fronteiriço visto do lado de Espanha.
Foto 5. Marco fronteiriço (lado de nascente).
Foto 6. Terras raianas.
Foto 7. Marco fronteiriço (lado de poente).
Foto 8. Fronteira portuguesa.
Foto 9. Cores do Outono junto do limite fronteiriço de poente.
Foto 10. Estrada portuguesa N103-5 com vistas para a Serra de Montesinho e as vizinhas serras espanholas.
Foto 11. Antiga alfândega portuguesa. Aquando dos controlos fronteiriços existia uma coberta como as existentes nas bombas de carburante onde ficava a GNR a fazer tais controlos.
Foto 12. Fronteira espanhola vista da fronteira portuguesa.



Ver Fronteiras: Portelo/Calabor num mapa maior
Mapa 1. Mapa de situação.